Amazônia

Açaí nativo rende R$ 1,1 bilhão, e castanha recua 25% em 2025

Dados do IBGE mostram como funcionam as cadeias do açaí, da castanha e do cacau. A Conab paga a diferença quando o preço fica abaixo do mínimo.

Ilustração abstrata em verde-mata e dourado, com círculos e gotas que lembram frutos e sementes sobre folhas
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

O Brasil colheu 251 mil toneladas de açaí em palmeiras nativas em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção valeu R$ 1,1 bilhão. Já a castanha-do-brasil caiu de 34,9 mil para 26,3 mil toneladas, uma queda de cerca de 25%.

Os números são da pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), divulgada em 24 de setembro. Ela mede o que é coletado na mata nativa. É a principal fonte oficial sobre a bioeconomia extrativista, a economia baseada em produtos da floresta em pé.

Duas pesquisas, dois retratos

Quem procura dados de açaí precisa olhar duas pesquisas. A PEVS conta o fruto colhido em açaizais nativos. A Produção Agrícola Municipal (PAM) conta o açaí de áreas cultivadas, tratadas como lavoura.

A diferença é grande. Pela PAM, divulgada em 17 de setembro, o açaí cultivado somou 2 milhões de toneladas em 2025, cerca de oito vezes o extrativo. O Pará respondeu por 1,9 milhão de toneladas, quase 93% do total.

No extrativismo, o Pará também lidera, com 167 mil toneladas, seguido pelo Amazonas, com 57,5 mil. Os dois estados concentram quase 90% do açaí nativo do país.

Castanha e cacau

A castanha-do-brasil é um produto extrativo, coletado sob castanheiras nativas. Em 2025, o Amazonas foi o maior produtor, com 9,4 mil toneladas, seguido pelo Acre, com 7,2 mil. Mesmo com menos volume, o valor da produção subiu para R$ 209,6 milhões, contra R$ 195,5 milhões no ano anterior.

O cacau aparece sobretudo na PAM, como lavoura. O país colheu 314 mil toneladas de amêndoas em 2025. O Pará produziu 153,6 mil toneladas, à frente da Bahia, com 137,6 mil.

Preço mínimo para o extrativista

Para proteger a renda de quem coleta na floresta, o governo mantém a Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio). Quando o extrativista vende abaixo do preço mínimo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) paga a diferença.

Para 2026, a Portaria 868 do Ministério da Agricultura fixou o açaí em R$ 2,28 por quilo no Norte e no Nordeste. A castanha em casca ficou em R$ 3,67 no Norte e em Mato Grosso. O cacau extrativo foi fixado em R$ 11,56 no Acre, Amazonas, Amapá e Pará.

Uma portaria de cinco ministérios, de janeiro, reservou até R$ 45 milhões para os pagamentos neste ano. Cada família pode receber até R$ 18 mil por ano, somando todos os produtos. É preciso ter o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo e lançar a nota fiscal no sistema SociobioNet, da Conab.

O que diz o governo federal: A Portaria Interministerial 13, de 14 de janeiro de 2026, estabelece que a subvenção é paga pela Conab diretamente ao agricultor familiar extrativista ou a suas cooperativas e associações. O texto condiciona o pagamento à disponibilidade de orçamento e fixa 20 de dezembro de 2026 como prazo final para os pedidos referentes a notas deste ano.

Os dados mostram uma bioeconomia concentrada em poucos produtos e estados. A queda da castanha em 2025 mostra como a renda extrativista oscila de um ano para outro. É nesses momentos que o preço mínimo pode fazer diferença para quem vive da floresta.

Fontes