Amazônia

Amazonas decreta emergência nos 62 municípios por causa da seca

Rio Negro caiu mais de 5 metros em setembro em Manaus, e o Serviço Geológico do Brasil não descarta uma das vazantes mais severas já vistas.

Ilustração abstrata em verde-mata e dourado, com faixas onduladas que descem em degraus como as margens de um rio que baixa
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

O Rio Negro fechou setembro em 18,88 metros no Porto de Manaus, segundo a medição do porto divulgada pela imprensa local. No fim de agosto, a régua marcava 24,19 metros. Em um mês, o rio desceu 5,31 metros.

A descida acompanha um decreto do governo do Amazonas. Publicado no Diário Oficial do Estado (DOE-AM) em 21 de setembro, ele põe os 62 municípios em situação de emergência por 180 dias. Segundo o Portal Amazônia, até 648 mil pessoas podem ser afetadas pela estiagem.

O que diz o alerta do SGB

Em 1º de setembro, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou seu alerta de vazante, a fase em que o rio baixa. Pelos cenários do órgão, o Rio Negro em Manaus pode chegar a cotas entre 12,31 metros e 16,50 metros no pico da seca.

O SGB fez as contas a partir de anos anteriores. Se o rio descer como em 2015, pode ficar abaixo de 13 metros em 31 de outubro. Com o ritmo de 2023, a estimativa é de 13,37 metros; com o de 2024, de 16,32 metros. O órgão considera os dois últimos valores baixos para Manaus.

Nesses cenários, diz o SGB, a capital pode ter “estiagem entre as mais severas já observadas”. Em 2024, o Rio Negro teve em Manaus o nível mais baixo desde o início das medições, em 1902.

Na fronteira, o alerta vale também para o Rio Solimões. Para Tabatinga, o SGB estima cotas entre 31 centímetros abaixo de zero e 1,78 metro. A cota de emergência na cidade é de 1,20 metro. Em Itacoatiara, no Rio Amazonas, a projeção vai de 57 centímetros a 3,32 metros.

O que prevê o decreto

Segundo o Portal Amazônia, o governo estadual justificou o decreto com a previsão de “chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas”. Projeções citadas pelo governo indicam que as condições ligadas ao El Niño devem durar até, pelo menos, o início de 2027. O El Niño é o aquecimento das águas do Pacífico que costuma reduzir a chuva na Amazônia.

O decreto permite que os órgãos estaduais comprem insumos e contratem serviços para prevenção e assistência. Também autoriza obras emergenciais de segurança e mobilidade. O dinheiro só pode ser usado em ações contra a estiagem. Um comitê estadual de enfrentamento a eventos climáticos vai coordenar as medidas.

Segundo o governo, a descida dos rios pode dificultar a navegação. Isso afeta o deslocamento dos moradores e o transporte de mercadorias e serviços para o interior, onde o barco é o principal meio de transporte.

O que diz o Serviço Geológico do Brasil: No alerta de 1º de setembro, o órgão afirma que “as previsões apresentadas são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentemente associadas a eles”. Os cenários de Manaus dependem de a descida do rio ser semelhante à de anos anteriores.

Por enquanto, o rio está acima do ano recorde. Em 30 de setembro de 2024, a cota em Manaus era de 13,19 metros, segundo o site 18Horas, quase seis metros abaixo da atual. Outubro é o mês decisivo. Se repetir a descida de setembro, o rio chegará perto de 13,6 metros no fim do mês, próximo do cenário de 2023 traçado pelo SGB.

Fontes