Defesa do território

Como o Censipam vigia a Amazônia com radar, satélite e dados

Herdeiro do Sivam, o centro do Ministério da Defesa detecta desmatamento sob as nuvens, mapeia garimpos e manda alertas a Ibama, PF e defesa civil.

Ilustração abstrata com formas geométricas em verde-escuro, verde-mata e dourado, sem pessoas nem texto
Imagem provisória nas cores do jornal, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 25 de julho de 2002, entrou em operação em Manaus o primeiro centro regional do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). O projeto custou cerca de US$ 1,4 bilhão, segundo artigo publicado na revista Estudos Avançados, da USP. O contrato com a empresa americana Raytheon fora assinado cinco anos antes, no mesmo dia.

Hoje, a estrutura civil herdada do Sivam é administrada pelo Censipam. A sigla significa Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). O órgão é ligado ao Ministério da Defesa e trabalha a serviço de outros órgãos do governo.

Do Sivam ao Sipam

O Sivam era a parte técnica: radares, sensores, comunicações e centros de processamento de dados. O Sipam é o sistema maior, que usa essa estrutura para proteger a floresta e apoiar políticas públicas. Boa parte dos radares do projeto passou a servir ao controle do espaço aéreo, a cargo da Força Aérea Brasileira (FAB).

O órgão mudou de endereço mais de uma vez. Em abril de 2002, o Decreto 4.200 transferiu a secretaria que cuidava do Sipam da Defesa para a Casa Civil e a rebatizou de Censipam. Em janeiro de 2011, o Decreto 7.424 devolveu o centro ao Ministério da Defesa.

O Censipam tem sede em Brasília e centros regionais em Manaus (AM), Porto Velho (RO) e Belém (PA).

Radar que enxerga através das nuvens

O principal produto contra o desmatamento é o SipamSAR. O sistema usa satélites com radar de abertura sintética (SAR), um sensor que enxerga o solo mesmo sob nuvens. Isso pesa porque a estação chuvosa dura cerca de oito meses na região, e as imagens comuns ficam encobertas.

Segundo o Censipam, analistas revisam as detecções e enviam alertas a órgãos de fiscalização ambiental. São eles o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O radar complementa o Prodes e o Deter, sistemas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O centro também usa imagens de satélite para monitorar garimpos ilegais e pistas de pouso clandestinas. Os relatórios consolidados seguem para órgãos como a Polícia Federal (PF), informa o Censipam. O órgão ainda produz informação sobre voos desconhecidos, pirataria nos rios e pesca ilegal.

Chuva, fogo e internet

Para a defesa civil, o Censipam publica boletins climáticos e hidrológicos voltados a estados e municípios da Amazônia Legal. A plataforma SipamHidro reúne o nível dos rios, a chuva por bacia e dados de 11 radares meteorológicos. Com eles, é possível prever tempestades sobre áreas urbanas até duas horas antes.

Na temporada de queimadas, meteorologistas dos três centros regionais cruzam focos de calor com dados de chuva. O resultado são relatórios diários com as áreas prioritárias. O Painel do Fogo, no portal do Sipam, reúne essas informações.

O órgão ainda instala terminais de internet via satélite em lugares isolados. Os pontos atendem comunidades ribeirinhas, aldeias indígenas, pelotões de fronteira e órgãos de justiça. O sinal vem do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

Em operações de campo, o Censipam cede analistas, drones, imagens e salas de comando e controle. Os parceiros citados pelo órgão são o Ibama, o ICMBio e as Forças Armadas.

O que diz o Censipam: Em seu portal, o órgão afirma que integra dados de vários órgãos para apoiar a proteção ambiental, a repressão a crimes e o desenvolvimento sustentável. Segundo o site, os alertas do SipamSAR vão para Ibama e ICMBio, e os relatórios sobre garimpo e pistas, para a PF.

O Censipam não multa nem prende ninguém. Seu trabalho é transformar imagens e sinais em informação para quem fiscaliza e socorre. Por isso, o resultado do sistema depende de Ibama, PF e defesa civil agirem a tempo sobre o que o radar detecta.

Fontes