Brasil tem 16.886 km de fronteira terrestre com dez vizinhos
Bolívia tem a maior divisa e Suriname, a menor; mais da metade da linha corre por rios e lagoas, e 588 municípios ficam na faixa de fronteira.

O Brasil tem 16.885,7 quilômetros de fronteira terrestre. O número vem das comissões demarcadoras de limites do Itamaraty e foi compilado pela Fundação Alexandre de Gusmão (Funag). A linha toca dez vizinhos. Na América do Sul, só Chile e Equador não fazem divisa com o país.
Os vizinhos são Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. A Guiana Francesa não é um país independente, e sim um território da França. Por isso, a França aparece na lista oficial de vizinhos.
Quem divide quanto
A Bolívia tem a maior fronteira com o Brasil: 3.423 km, por Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em seguida vem o Peru, com 2.995 km no Acre e no Amazonas. A Venezuela soma 2.199 km, no Amazonas e em Roraima.
A Colômbia tem 1.644 km, todos no Amazonas. A Guiana tem 1.606 km, em Roraima e no Pará. O Paraguai tem 1.365 km, no Mato Grosso do Sul e no Paraná.
A Argentina divide 1.261 km com Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O Uruguai tem 1.068 km, só com o Rio Grande do Sul. A Guiana Francesa tem 730 km, no Amapá. O Suriname tem a menor divisa: 593 km, no Amapá e no Pará.
Ao todo, 11 estados fazem fronteira com outros países. São eles Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima e Santa Catarina.
Rio, serra ou linha reta
Mais da metade da fronteira segue a água. Somados rios, canais e lagoas, são cerca de 9.523 km, ou 56% do total, pelos dados da Funag. A divisa com a Argentina, por exemplo, corre quase toda por rios, como o Uruguai, o Peperi-Guaçu e o Iguaçu.
Os outros 7.363 km são de fronteira seca, sem rio no meio. A maior parte, 5.569 km, segue divisores de águas. São as cristas de serras, de onde a chuva escorre para um lado ou para o outro.
Toda a divisa com o Suriname é desse tipo, pela Serra do Tumucumaque. Quase toda a fronteira com a Venezuela também, pelas serras Parima e Pacaraima.
O restante, cerca de 1.794 km, é formado por linhas convencionais. São retas ou traçados definidos em tratados e marcados no terreno por marcos. Bolívia, Colômbia e Peru concentram a maior parte desses trechos.
A faixa de 150 km
Ao longo da linha corre a faixa de fronteira, de até 150 km de largura, prevista na Constituição. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ela ocupa 1,42 milhão de km². Isso equivale a 16,7% do território nacional.
Na edição de 2024, o IBGE contou 588 municípios com área total ou parcialmente dentro da faixa. A maior parte deles fica nos três estados do Sul, onde os municípios são menores e mais numerosos. Já a Região Norte concentra cerca de dois terços da extensão da faixa, segundo o instituto.
O que diz o Itamaraty: As extensões oficiais vêm da Primeira e da Segunda Comissão Brasileira Demarcadora de Limites, órgãos do Ministério das Relações Exteriores responsáveis pela demarcação. A compilação usada nesta reportagem foi publicada pela Funag, fundação ligada ao ministério.
O desenho da fronteira ajuda a entender o desafio de cada trecho. Rios largos servem de estrada, para o comércio e para o contrabando. Serras isoladas dificultam a presença do Estado. E, nas fronteiras secas, como em Ponta Porã (MS), uma avenida separa o Brasil do país vizinho.


