O calendário da cheia e da vazante dos rios da Amazônia
Em Manaus, o Rio Negro chega ao pico em junho ou julho e ao mínimo entre outubro e novembro. Veja o calendário de cada rio e onde acompanhar.

Em 25 de agosto, o Rio Negro marcava 25,02 metros em Manaus, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Em sete dias, o rio tinha descido 72 centímetros. É a vazante, a fase em que as águas baixam, e ela segue até outubro ou novembro.
Na Amazônia, a vida acompanha esse pulso. A cheia define a pesca, o plantio nas várzeas e o risco de alagação nas cidades. A vazante pode isolar comunidades e encarecer o transporte.
O ciclo em Manaus
A série do Rio Negro em Manaus começa em 1902, com as medições no porto da cidade. É uma das mais antigas do país. Segundo o SGB, o rio atinge a cota máxima em junho em 73% dos anos, e em julho em 24%. O fim da vazante é menos marcado: 91% das mínimas ocorrem entre outubro e novembro.
Em média, o rio passa 239 dias subindo e 125 dias descendo, de acordo com o SGB. A enchente é lenta e longa. A descida é mais rápida.
Os extremos recentes mostram a amplitude. A maior cheia da série foi de 30,02 metros, em 16 de junho de 2021. A menor foi de 12,11 metros, em 9 de outubro de 2024, segundo o Porto de Manaus. São quase 18 metros de diferença, a altura de um prédio de seis andares.
As cotas são lidas em réguas com uma referência local, criada para cada estação. Elas não indicam a profundidade do rio nem a altitude em relação ao nível do mar.
Cada rio tem seu calendário
O ciclo muda de bacia para bacia. Segundo o boletim do SGB, o Rio Madeira, em Porto Velho, costuma ter máximas em março e abril e mínimas em outubro. O Solimões, em Tabatinga, chega ao pico em abril e maio e ao mínimo em setembro e outubro.
O Rio Acre, em Rio Branco, enche em março e seca em setembro. O Amazonas, em Óbidos (PA), e o Tapajós, em Santarém (PA), têm pico em maio e junho e mínima em novembro. Já no alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM), a seca vem em fevereiro e março.
Onde acompanhar
O Sistema de Alerta Hidrológico do SGB publica boletins semanais da bacia do Amazonas. Eles trazem a cota atual, a variação do dia e a comparação com os anos de cheia e seca recordes. Há ainda previsões para algumas estações, como Porto Velho e Boa Vista.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mantém o HidroWeb, com as séries históricas da Rede Hidrometeorológica Nacional. Ali é possível baixar os dados diários de cada estação. A de Manaus tem o código 14990000.
O que diz o SGB: No boletim de 25 de agosto, o órgão informou que as estações da bacia do Rio Negro seguem em vazante, com níveis abaixo do esperado para a época. A exceção é Manaus, que, pela influência do Solimões, está perto da mediana histórica. O SGB ressalta que os dados mais recentes podem ser corrigidos após verificações em campo.
O mesmo boletim apontou chuva abaixo da média nas bacias dos rios Negro e Branco nos 30 dias anteriores. Os próximos boletins vão mostrar se a descida em Manaus mantém o ritmo normal. Para quem depende do rio, acompanhar a cota semana a semana ajuda a planejar viagens, colheitas e o abastecimento.
Fontes
- Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas — Serviço Geológico do Brasil
- 34º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas, 25 de agosto de 2026 — SGB (PDF)
- Sistemas de Alerta Hidrológico — Serviço Geológico do Brasil
- Saiba quais foram as maiores vazantes do Rio Negro em Manaus — Portal Amazônia
- HidroWeb — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico


