Amazônia

Como o INPE mede o desmatamento da Amazônia com Prodes e Deter

O Prodes calcula a taxa anual, de agosto a julho, e o Deter emite alertas diários para a fiscalização. Os dados ficam abertos no TerraBrasilis.

Ilustração abstrata em verde-mata e dourado, com uma grade de quadrados sobre manchas que lembram uma floresta vista do alto
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 18 de agosto, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou a taxa consolidada de desmatamento da Amazônia Legal em 2025: 5.731 km². O número é 12,07% menor que o de 2024, de 6.518 km². A área equivale a quase quatro vezes a cidade de São Paulo.

Onze dias antes, o governo federal apresentou outro dado: 2.874 km² sob alerta de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026. Os dois números vêm do INPE, mas de sistemas diferentes. Entender a diferença evita confusão.

Prodes: a taxa oficial do ano

O Prodes é o sistema de monitoramento anual da supressão da vegetação nativa. Ele mapeia a Amazônia Legal de forma sistemática desde 1988. É dele a taxa oficial que o governo usa para avaliar políticas de controle do desmatamento e calcular emissões.

O “ano” do Prodes não segue o calendário. Ele vai de 1º de agosto a 31 de julho, ligado à estação seca, quando há menos nuvens. Por isso a taxa de 2025 cobre de agosto de 2024 a julho de 2025.

O sistema conta como desmatamento a retirada total da floresta primária, o chamado corte raso. Também entra a fase final da degradação, quando a copa das árvores some por completo. Em 2025, o INPE usou imagens dos satélites europeus Sentinel-2, óptico, e Sentinel-1, de radar, que enxerga através das nuvens.

O mapa registra áreas desmatadas a partir de 1 hectare, mais ou menos o tamanho de um campo de futebol. Para manter a comparação com a série de 1988, só manchas acima de 6,25 hectares entram na taxa.

O cálculo sai em duas etapas. No fim do ano, o INPE divulga uma estimativa, feita sobre as áreas com mais desmatamento. A taxa consolidada vem no ano seguinte, após a análise de toda a região. Para 2025, a estimativa de outubro foi de 5.796 km², e a taxa final ficou em 5.731 km².

Deter: alerta para a fiscalização

O Deter é o sistema de alertas diários, em operação desde 2004. Ele usa imagens com menos detalhe, mas que passam mais vezes sobre a mesma área, como as dos satélites CBERS-4, CBERS-4A e Amazonia-1. Os avisos apontam desmatamentos e degradação em áreas acima de cerca de 3 hectares.

O objetivo é rapidez. Os alertas orientam a fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e de outros órgãos. Como os sistemas têm imagens e objetivos diferentes, o INPE alerta que os números de um e de outro não devem ser comparados diretamente.

Onde consultar

Os dados dos dois sistemas ficam na plataforma TerraBrasilis, do INPE. Lá é possível ver a taxa anual por estado e os alertas mês a mês. Em agosto, a plataforma ganhou uma versão que mostra o Prodes de vários biomas ao mesmo tempo.

O que diz o INPE: Segundo o instituto, o Deter produz alertas diários para orientar ações de fiscalização e controle, enquanto o Prodes mapeia a supressão anual da vegetação nativa e gera dados consolidados. O INPE informa que a série do Prodes é usada pelo governo para avaliar e definir políticas de controle do desmatamento, de emissões de gases de efeito estufa e de REDD+.

A estimativa do Prodes para agosto de 2025 a julho de 2026 ainda não saiu e costuma ser divulgada no fim do ano. Até lá, o Deter é o retrato mais recente do que acontece na floresta. Quando os dois números saírem, vale lembrar que medem coisas diferentes.

Fontes