Defesa do território

Os 23 pelotões do Exército nos pontos mais isolados da fronteira

Comando Militar da Amazônia mantém 23 Pelotões Especiais de Fronteira, muitos acessíveis só por avião ou barco, onde militares vivem com as famílias.

Ilustração provisória: composição abstrata de pontos e linhas sobre fundo verde-escuro, com detalhes dourados, sem pessoas
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

O Comando Militar da Amazônia (CMA), com sede em Manaus, mantém 23 Pelotões Especiais de Fronteira (PEF) e um Destacamento Especial de Fronteira. Os números são do Blog do Exército, em texto de setembro de 2025. O comando reúne mais de 19 mil militares no Amazonas, em Roraima, em Rondônia e no Acre.

Segundo o mesmo texto, o CMA responde pela defesa de cerca de 25% do território nacional. Sob sua responsabilidade estão mais de 9,9 mil quilômetros de fronteira, perto de 59% da fronteira terrestre do país.

Um pelotão é uma das menores unidades do Exército. Os PEFs ficam em pontos isolados da linha de fronteira, muitas vezes ao lado de aldeias ou pequenas vilas. Vários surgiram depois de 1985, com o Programa Calha Norte.

Como é um pelotão

O Blog do Exército descreve, em 2024, os dois PEFs da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. O de Surucucu existe desde 1988, e o de Auaris, desde 1995. O acesso a eles, segundo o texto, só é possível por via aérea.

A estrutura inclui alojamentos, depósitos, refeitório e posto de saúde com atendimento médico e odontológico. Há geração própria de energia, internet e pequena criação de animais para o consumo. Os pelotões também têm pavilhões para outros órgãos públicos e espaços comunitários para educação, cartório e saúde.

A pista de pouso é a principal ligação com o resto do país. De acordo com o Exército, ela é construída e mantida pela Força Aérea Brasileira (FAB). Por ela chegam suprimentos e saem as evacuações médicas.

A vida em posto isolado

Em reportagem de 2017, a Agência Brasil mostrou que muitos militares servem nesses postos com as famílias. A permanência mínima era de um ano. Em alguns lugares, os voos de abastecimento chegavam só a cada duas semanas.

A agência visitou Vila Bittencourt, no Amazonas, a cerca de 1.062 quilômetros de Manaus. A cidade mais próxima ficava na Colômbia, a 40 minutos de barco. “Estou acostumada com o isolamento”, disse à época a tenente Fernanda Nascimento, farmacêutica do pelotão.

Nos pelotões da Terra Yanomami, segundo o Exército, a tropa incorporou soldados indígenas de etnias da região.

Além da vigilância

A missão principal é militar. Os PEFs fazem vigilância e patrulhas, controlam a entrada de aeronaves e pessoas e reprimem atividades ilegais. O CMA cita o combate a crimes transfronteiriços e ambientais.

Mas o trabalho vai além. Na Terra Yanomami, desde 2023, as bases apoiam a assistência de saúde, as evacuações médicas e a distribuição de alimentos, além de ações contra o garimpo ilegal. Em lugares onde faltam outros serviços públicos, como descreveu a Agência Brasil, a base acaba sendo a principal presença do Estado.

O que diz o Exército: Em texto publicado no Blog do Exército em 2024, a Força afirma que o PEF “é norteado pela tríade Vida - Combate – Trabalho”. Sobre a crise na Terra Yanomami, diz que suas bases “são os pontos fundamentais para a operação de ajuda humanitária”.

Manter um pelotão depende de aviões, combustível e manutenção constantes. Quando a logística falha, sofrem os militares, as famílias e as comunidades que dependem da base. Por isso, o orçamento desses postos é também uma questão de presença do Estado.

Fontes