Fronteiras

PF e polícia do Peru destroem 15 laboratórios de droga na fronteira

Operação Amazonía 2026, na província peruana de Mariscal Ramón Castilla, destruiu quase 12 toneladas de sulfato de cocaína líquido, segundo a PF.

Ilustração abstrata com duas faixas onduladas em azul e verde-escuro que se encontram sobre linhas douradas, sem pessoas nem texto
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

A Polícia Federal (PF) e a Polícia Nacional do Peru (PNP) destruíram 11.961 quilos de sulfato de cocaína líquido em uma operação conjunta na Amazônia peruana. Os números foram divulgados pela PF na sexta-feira (4). A ação, batizada de Operação Amazonía 2026, ocorreu na província de Mariscal Ramón Castilla, no departamento de Loreto.

Segundo a PF, as equipes também neutralizaram 15 laboratórios clandestinos, 5 acampamentos e 4 pistas de pouso clandestinas. Quatro pessoas foram detidas por suspeita de tráfico de drogas. A PF não informou em que datas a operação aconteceu.

Onde fica a área

Mariscal Ramón Castilla faz fronteira com o Amazonas, na região do Alto Solimões. Do lado brasileiro ficam cidades como Tabatinga e Benjamin Constant. É a área conhecida como tríplice fronteira, onde Brasil, Colômbia e Peru se encontram.

A região é coberta de floresta e cortada por rios. Por isso, a PF diz que as equipes usaram meios aéreos e fluviais nas 18 ações conjuntas. Do lado peruano, a operação teve a Direção Antidrogas da PNP, conhecida como Dirandro, e apoio das Forças Armadas do Peru.

O que foi apreendido

O sulfato de cocaína é uma das etapas da fabricação da cocaína, antes do produto final. Além dele, a operação destruiu 53.862 quilos de insumos químicos controlados e 28.096 quilos de insumos sem controle, segundo a PF. Esses produtos servem para processar a folha de coca.

As equipes também destruíram 9,4 toneladas de folhas de coca, frescas e secas. Pelos dados da PF, a operação apreendeu 19 armas de fogo, 235 munições e 12 aparelhos de comunicação. Entre eles havia telefones, rádios e equipamentos de internet via satélite.

Foram destruídos ainda 18 barcos, uma motocicleta e uma draga usada em garimpo ilegal. A draga é a balsa com bomba que suga o fundo do rio em busca de ouro.

A parte brasileira

Segundo a PF, o Brasil deu apoio logístico com 24.578 litros de combustível de aviação e 4 mil litros de combustível para barcos. Em uma região com pouco acesso por estrada, o combustível é o que permite que aviões e embarcações cheguem aos alvos.

A cooperação também incluiu troca de material técnico. Foram enviadas ao Brasil 65 amostras de folha de coca com a localização registrada por GPS, informou a PF. O Peru recebeu dois materiais de referência certificados.

O que diz a Polícia Federal: Em nota publicada em 4 de setembro, a PF afirma que a ação teve como objetivo “combater o tráfico de drogas e outros crimes relacionados na faixa de fronteira” entre Brasil e Peru. Segundo a corporação, o foco foi desarticular organizações criminosas transnacionais que atuam na região.

A nota da PF não diz quem são os detidos, de que país são nem se houve prisão do lado brasileiro. Os quatro foram detidos como suspeitos, o que não significa condenação. Para quem vive no Alto Solimões, o resultado mostra o tamanho da estrutura do tráfico do outro lado do rio. Mostra também que combatê-la depende de ação conjunta entre os dois países.

Fontes