Rios e estradas

Madeira, Tapajós e Amazonas: como funcionam as hidrovias do Norte

Portos do Arco Norte embarcaram 39,5% da soja e do milho exportados em 2025. DNIT draga e sinaliza os rios; a Antaq regula quem navega neles.

Ilustração abstrata em verde-mata e dourado, com três faixas sinuosas que se encontram em uma faixa mais larga
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 2025, os portos acima do paralelo 16° Sul embarcaram 39,5% da soja e do milho exportados pelo Brasil. O dado é do Anuário Agrologístico 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No milho, a fatia chegou a 48%.

Esse conjunto de portos é chamado de Arco Norte. Parte dele depende dos rios. Segundo a Conab, Itacoatiara (AM), Santarém (PA) e Barcarena (PA) cresceram com o uso das hidrovias do Madeira, do Tapajós-Teles Pires e do Solimões-Amazonas.

O que é uma hidrovia

Hidrovia é um rio, ou trecho dele, usado para navegação comercial e mantido para isso. A manutenção inclui a dragagem, que retira areia do fundo para manter a profundidade. Inclui também o derrocamento, a remoção de pedras, e o balizamento, a sinalização com boias e placas.

Um decreto federal de 2025 descreve as principais hidrovias da região. A do Madeira tem cerca de 1.075 quilômetros, de Porto Velho (RO) até a foz, em Itacoatiara. A do Tapajós tem cerca de 250 quilômetros, de Itaituba até Santarém, no Pará.

O Solimões e o Amazonas formam o tronco do sistema, do oeste do Amazonas até o Atlântico. É por eles que os navios de longo curso chegam a Manaus e Itacoatiara.

Por que os grãos descem pelo rio

A rota combina estrada e barcaça. No Tapajós, caminhões levam a carga de Mato Grosso pela BR-163 até os terminais de Miritituba, distrito de Itaituba. Dali, comboios de barcaças descem o rio até portos onde a carga passa para os navios.

No Madeira, a carga de Rondônia e de Mato Grosso embarca em Porto Velho. Para quem produz no norte de Mato Grosso, o caminho até esses portos é mais curto que a viagem rodoviária até Santos (SP) ou Paranaguá (PR).

O rio, porém, muda ao longo do ano. A Conab lembra que as secas na Amazônia afetam a navegabilidade dessas hidrovias em alguns períodos.

Quem cuida de quê

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) administra a manutenção das vias navegáveis federais, pela Lei 10.233, de 2001. É ele quem contrata dragagem e sinalização. A mesma lei dá à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a tarefa de regular os serviços e autorizar as empresas de navegação.

O Ministério de Portos e Aeroportos define a política para as vias navegáveis, segundo a Lei 14.600, de 2023. A Marinha cuida da segurança da navegação, pela Lei 9.537, de 1997.

Em junho de 2026, o governo federal assinou contrato de R$ 123,6 milhões para dragagem contínua do Madeira até novembro de 2029. A informação é do Diário do Grande ABC. O trecho vai de Porto Velho à foz.

A concessão em debate

Em agosto de 2025, o Decreto 12.600 incluiu as hidrovias do Madeira, do Tocantins e do Tapajós no Programa Nacional de Desestatização. Era um passo para entregar a manutenção dos rios a empresas privadas.

Em 23 de fevereiro de 2026, o Decreto 12.856 revogou a medida. Segundo a Agência iNFRA, a decisão veio após protestos indígenas no Tapajós, que incluíram a ocupação de um terminal da Cargill em Santarém. Os estudos de concessão, porém, podem continuar sem o decreto.

O que diz o Ministério de Portos e Aeroportos: Segundo o Diário do Grande ABC, em junho de 2026, o ministério manteve o cronograma do leilão do Madeira, estimado para o primeiro semestre de 2027. A modelagem prevê concessões voltadas à manutenção da navegabilidade, com dragagem, derrocamento, balizamento e sinalização.

Os mesmos rios que levam grãos para fora levam combustível e comida para as cidades ribeirinhas. Por isso, quem vai pagar a dragagem, e de que forma, interessa a toda a região. A próxima etapa é a definição do modelo e do edital da concessão.

Fontes