Rios e estradas

Contrato do Porto Manaus Moderna não tem início de obra registrado

Contrato de R$ 875,9 milhões foi assinado em março e prevê conclusão em 2029, mas os registros públicos não mostram início da obra.

Vista aérea do porto de Manaus, com barcos de passageiros atracados à beira do rio e a cidade ao fundo
Vista aérea do porto de Manaus em 2012; a foto não mostra o canteiro do novo terminal Manaus Moderna.Foto: Portal da Copa / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

Em 27 de março de 2026, o Diário Oficial da União (DOU), onde o governo publica seus atos, trouxe o extrato do contrato do novo Porto de Manaus Moderna. O valor é de R$ 875.975.852,49. Sete meses depois, os registros públicos que consultamos não mostram ordem de serviço nem início das obras.

O terminal fica em Manaus e faz parte do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o pacote federal de obras. Quem contrata é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), órgão federal que cuida de rodovias e hidrovias. Segundo a Agência iNFRA, o terminal deve movimentar cerca de 3,5 milhões de passageiros por ano.

O valor caiu R$ 40 milhões antes da assinatura

Em junho de 2025, o DNIT publicou o edital com estimativa de cerca de R$ 916 milhões. Estimativa é o valor que o governo calcula antes da disputa entre empresas. Em dezembro, o órgão informou ao Poder360 o mesmo número.

O contrato saiu por R$ 875,9 milhões, o valor da proposta vencedora. A diferença é de R$ 40 milhões, ou 4,4% abaixo da estimativa, conta nossa. Os valores são nominais, sem correção pela inflação.

Em 31 de dezembro de 2025, o DOU publicou a homologação da licitação para um consórcio formado pela Juruá Estaleiros e Navegação e pela Construtora Etam, pelo mesmo valor. O extrato do contrato cita apenas a Juruá. O ato não menciona o porto pelo nome, e a composição final do consórcio não foi confirmada.

Prazo de 30 meses somados, 36 no contrato

Em 2025, o DNIT previu seis meses para os projetos e cerca de 24 meses para a obra. Somados, esses prazos dão cerca de 30 meses. Como projeto e obra podem se sobrepor, a soma é apenas uma conta nossa.

O contrato tem vigência de três anos, de 30 de março de 2026 a 30 de março de 2029. Em junho, a Agência iNFRA relatou conclusão prevista para 2029.

A supervisão também já foi contratada. Em 12 de maio, o DNIT assinou com a Laghi Engenharia um contrato de R$ 58,9 milhões para acompanhar projetos e obra em nome do governo. O extrato saiu no DOU em 18 de maio. O valor equivale a cerca de 6,7% do custo da obra, conta nossa.

R$ 100 milhões foram reservados em julho

Em 9 de julho, a Portaria GM/MPO nº 289, do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), abriu crédito suplementar de R$ 223 milhões para o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). Crédito suplementar é um reforço de verba dentro do orçamento. A portaria, publicada no DOU em 10 de julho, destina R$ 100 milhões ao porto. Isso equivale a 11,4% do valor do contrato, conta nossa.

Crédito autoriza o gasto, mas não mostra quanto já foi pago. Nas fontes consultadas, não há dado de pagamento nem registro de ordem de serviço para o início da obra.

O que diz o DNIT: em nota enviada ao Poder360, em dezembro de 2025, o órgão informou a estimativa de cerca de R$ 916 milhões. Até a publicação, não localizamos manifestação pública do DNIT sobre o andamento das obras depois de julho.

O que isso significa

Os documentos mostram um projeto avançado no papel: contrato de obra, supervisão e verba reservada. Nos registros consultados, porém, ainda não aparecem a obra em campo nem os pagamentos.

O que fica em aberto é a execução até 2029, a composição final do consórcio e quanto do dinheiro já foi gasto.

Como fizemos: Usamos a página do DNIT (publicada em 29/10/2025), reportagens do Poder360 (15/12/2025), da Atlas Público (extratos, homologação e portaria do DOU) e da Agência iNFRA (02/06/2026), acessados em 27/10/2026. Os valores são nominais. Porcentagens e somas de prazos são contas nossas. Não consultamos o DOU diretamente, nem dados de pagamento ou de andamento físico da obra.

Fontes