Mineração

PF prepara força ambiental após 49 indiciados na mineração em Minas

Nova Ficco dedicada ao meio ambiente deve articular ações continuadas após Rejeito e Parcours, que têm dois nomes repetidos entre 51 indiciamentos.

Encosta avermelhada e extensa da Serra do Curral sob céu claro
Serra do Curral, em Belo Horizonte, fotografada em julho de 2008; a área protegida é investigada na Operação Parcours.Foto: Rodrigo.queiroga / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A Polícia Federal (PF) prepara uma força-tarefa dedicada ao meio ambiente para combater a mineração ilegal em Minas Gerais. A proposta é articular ações de médio e longo prazo, em vez de concentrar a resposta em operações pontuais.

A estrutura será uma Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), modelo que reúne instituições diferentes sob coordenação da PF. A informação foi confirmada pelo superintendente da corporação em Minas, delegado Richard Murad Macedo, em entrevista ao portal O Fator.

Foram convidados a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também recebeu convite. A PF ainda não informou data de início, efetivo ou regiões prioritárias.

As investigações somam 49 pessoas distintas

A iniciativa surge depois das operações Rejeito e Parcours. A primeira terminou com 34 indiciamentos. A segunda teve 17. A soma produz 51 registros, mas duas pessoas aparecem nas duas listas. Portanto, são 49 indiciados distintos.

Duas listas repetem dois nomes e alcançam 49 pessoas Indiciamentos nas operações Rejeito e Parcours, concluídas em junho de 2026

Operação Registros Pessoas repetidas Total sem repetição
Rejeito 34 2 também na Parcours —
Parcours 17 2 também na Rejeito —
Conjunto 51 2 49

Fonte: PF, O Fator e Observatório da Mineração. Soma e desconto das repetições: redação.

Os nomes repetidos são o empresário Alan Cavalcante do Nascimento e o ex-gerente regional da Agência Nacional de Mineração (ANM) Leandro César Ferreira de Carvalho. A identificação das duas ocorrências consta da comparação publicada pelo Observatório da Mineração.

Indiciamento é a etapa em que a polícia conclui um inquérito e atribui a suspeita de um crime a alguém. Não significa denúncia do Ministério Público nem condenação judicial. Os relatórios foram encaminhados para análise do Ministério Público Federal.

Fraudes investigadas vão além da extração sem licença

Na Rejeito, a PF investiga suspeitas de fraudes para viabilizar projetos em áreas protegidas. O inquérito reuniu mensagens, documentos, análises bancárias e auditorias. Entre os locais citados estão a Serra do Curral, em Belo Horizonte, e a Serra do Botafogo, em Ouro Preto.

Na Parcours, a polícia aponta extração irregular de minério de ferro na Mina Granja Corumi, na Serra do Curral. Segundo a investigação, planos de recuperação e fechamento de mina teriam sido usados para encobrir a atividade comercial.

A Empabra afirmou anteriormente ao G1 que sempre atuou dentro da legalidade e que as atividades foram autorizadas. A ANM disse que colabora com as autoridades e cumpre determinações judiciais. As suspeitas dos inquéritos ainda serão examinadas pelo Ministério Público.

Essa distinção importa para avaliar a futura força-tarefa. O trabalho policial não termina com a apreensão de equipamentos ou a conclusão de um relatório. Licenças, documentos técnicos, pagamentos e relações entre empresas e agentes públicos também integram as apurações.

Integração precisa produzir continuidade

As Ficcos foram criadas para compartilhar informações e coordenar instituições sem hierarquia entre os participantes. Em setembro, a PF informou a existência de 41 unidades no país, distribuídas por todos os estados e pelo Distrito Federal.

A estrutura anunciada agora teria recorte temático específico. O desafio será transformar a colaboração em fiscalização continuada, com metas e recursos conhecidos. Sem esses dados, ainda não é possível medir o alcance da proposta.

O que diz a Polícia Federal: o superintendente Richard Murad Macedo afirma que os órgãos de controle estaduais e federais foram convidados para ações de médio e longo prazo. “Não queremos que as ações sejam pontuais”, declarou ao portal O Fator durante a 19ª Conferência Mineira da Advocacia.

Os próximos marcos serão a formalização da força-tarefa e a definição de sua atuação. Nos casos anteriores, cabe ao Ministério Público decidir sobre denúncias. A continuidade da fiscalização e o andamento judicial são processos separados e igualmente necessários.

Como fizemos: Conferimos a entrevista original do superintendente ao O Fator e os relatórios jornalísticos sobre Rejeito e Parcours. Somamos 34 e 17 indiciamentos e descontamos dois nomes presentes nas duas listas, chegando a 49 pessoas distintas. Não tratamos indiciamento como denúncia ou culpa confirmada.

Fontes