Viridis vende 70% das terras raras magnéticas à Solvay
Contrato prevê fornecimento do projeto Colossus entre 2028 e 2034; separação de alta pureza ficará na França, e tecnologia no Brasil ainda depende de acordo.

A Viridis Mining and Minerals fechou contrato para fornecer terras raras do projeto Colossus, em Poços de Caldas (MG), à empresa química Solvay. Os volumes mínimos equivalem a cerca de 70% da capacidade prevista de quatro elementos usados em ímãs permanentes.
O anúncio foi feito na quarta-feira (4) e detalhado pelas companhias. As entregas estão previstas para começar em 2028 e seguir até 2034. O acordo dá destino à maior parte dessa produção antes mesmo de a mina entrar em operação.
O contrato combina venda antecipada e possível transferência de tecnologia
O produto fornecido será um carbonato misto de terras raras, material que reúne diferentes elementos antes da separação individual. A matéria-prima seguirá para a unidade de La Rochelle, na França, onde a Solvay faz separação e purificação em escala industrial.
Os elementos centrais são neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Eles aparecem em ímãs permanentes usados em aplicações como mobilidade elétrica, energia renovável, eletrônicos e equipamentos médicos, segundo a Solvay.
A Solvay terá prioridade também sobre a produção fora do mínimo contratado Principais condições divulgadas para o projeto Colossus
| Item | Condição anunciada |
|---|---|
| Início previsto | 2028 |
| Prazo inicial | Até 2034 |
| Volume mínimo | Cerca de 70% da capacidade de quatro terras raras magnéticas |
| Produção restante | Direito de primeira oferta da Solvay |
| Processamento final | Separação e purificação em La Rochelle, França |
Fonte: Solvay. O direito de primeira oferta dá à empresa a oportunidade de apresentar proposta antes de outra negociação.
O percentual não representa toda a produção mineral do empreendimento. Ele se refere à capacidade esperada dos quatro elementos magnéticos citados. Além disso, o direito de primeira oferta sobre o restante amplia a relevância comercial da compradora.
Tecnologia no Brasil ainda depende de outro documento
As empresas também negociam um acordo de licenciamento e serviços técnicos. Pela proposta, a Solvay forneceria tecnologia e apoio para a Viridis produzir no Brasil um carbonato de maior qualidade. Esse documento ainda estava separado e em negociação no anúncio.
A distinção é central para o desenvolvimento local. O contrato de venda está firmado. A transferência de tecnologia, por outro lado, era uma possibilidade apresentada pelas empresas, sem os termos finais divulgados.
A etapa de separar e purificar os elementos individuais permanecerá em La Rochelle. A unidade francesa é descrita pela Solvay como uma das maiores fora da China nesse tipo de processamento. Portanto, o acordo não transfere ao Brasil toda a cadeia industrial de maior valor.
Para a Viridis, a venda de longo prazo oferece uma rota ao mercado internacional e apoia a busca por financiamento. Isso não significa que a construção esteja integralmente financiada nem que a data de 2028 esteja garantida. São etapas que ainda precisam ser concluídas.
O que dizem Viridis e Solvay: a Viridis afirma que o contrato ajuda a finalizar o financiamento e pode trazer tecnologia avançada ao Brasil. A Solvay diz que o acordo amplia e diversifica o abastecimento de sua operação em La Rochelle. As posições constam do comunicado conjunto sobre o fornecimento.
O próximo marco será a conclusão do acordo tecnológico e o avanço do financiamento do Colossus. Também será necessário acompanhar quais etapas industriais, empregos e capacidade técnica ficarão efetivamente em Poços de Caldas.
O contrato resolve uma parte comercial do projeto. A soberania produtiva dependerá do conteúdo do acordo técnico e da capacidade brasileira de avançar além do fornecimento de matéria-prima.
Como fizemos: Conferimos o comunicado da Solvay e a reportagem da Reuters sobre o acordo. Separamos o contrato vinculante de fornecimento do acordo tecnológico ainda em negociação. Não calculamos volume em toneladas nem receita porque as empresas não divulgaram esses dados na documentação consultada.
Fontes
- Solvay and Viridis sign long-term agreement for rare earth materials supply — Solvay (acesso em 07/11/2026)
- Viridis fecha acordo de venda de terras raras de projeto em MG com Solvay — Reuters/UOL (acesso em 07/11/2026)
- Neodymium (Element 60) — Wikimedia Commons (acesso em 07/11/2026)



