Mineração

Governo prioriza 27 minerais e reserva incentivos por classe

Lista tem nove minerais em prioridade alta e dez em baixa; cadastro de projetos será necessário para acessar os novos instrumentos de fomento.

Imagem de satélite mostra áreas de mineração de bauxita cercadas pela floresta amazônica no Pará
Áreas de extração de bauxita e rejeitos na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, no Pará, em imagem de 2018.Foto: Coordenação-Geral de Observação da Terra / Inpe / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O governo federal aprovou nesta quinta-feira (5) uma lista de 27 minerais críticos e estratégicos. Nove receberam prioridade alta, oito média e dez baixa. A classificação orientará o acesso a incentivos da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE).

A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). Para o leitor da Amazônia, o ponto central é a presença de níquel, cobre e manganês na classe máxima. Alumínio, ferro, estanho e ouro ficaram na prioridade baixa.

Um terço da lista está na prioridade máxima

A Classe I reúne terras-raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio. Esses nove minerais representam 33,3% da lista. A Classe II soma oito, ou 29,6%. A Classe III concentra dez, equivalentes a 37%.

Na faixa média estão tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre. A baixa inclui nióbio, estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e grupo da platina.

A distribuição quase igual entre as classes impede uma leitura simples de vencedores e perdedores. Cada grupo reúne cerca de um terço da lista, mas com funções industriais distintas. A prioridade alta concentra minerais associados a baterias, eletrônicos, energia e defesa, aplicações citadas pelo próprio governo.

Nove dos 27 minerais receberam prioridade alta Distribuição da lista aprovada pelo CIMCE em 05/11/2026

Classe Prioridade Quantidade Participação
I Alta 9 33,3%
II Média 8 29,6%
III Baixa 10 37,0%
Total — 27 100%

Fonte: Presidência da República. Participações calculadas pela redação.

O conselho considerou risco geopolítico, concentração geográfica da produção e possibilidade de substituição. Também avaliou a posição brasileira na cadeia e a vulnerabilidade do país. A lista pode mudar em reuniões futuras.

Estar na lista não libera incentivo automaticamente

Somente empreendimentos ligados aos 27 minerais e inscritos no Cadastro Nacional de Projetos poderão receber apoio governamental. Portanto, a aprovação não significa repasse imediato. Também não altera as atribuições da Agência Nacional de Mineração (ANM), que segue regulando, fiscalizando e concedendo títulos.

A política criou o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM). O mecanismo pretende dividir riscos e ampliar o crédito nas fases iniciais. A União poderá aportar até R$ 2 bilhões, além de recursos de estados, municípios e entes privados.

Outro instrumento é o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE). Seu limite fiscal será de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034. São cinco anos e um teto acumulado de R$ 5 bilhões, se todos os limites anuais forem utilizados.

O anúncio também estabeleceu prazo de 15 dias para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apresentar as cadeias produtivas prioritárias. Essa proposta ainda será submetida ao pleno do conselho.

A Amazônia aparece em diferentes posições

Níquel e cobre, importantes para a mineração paraense, estão na Classe I. O manganês, também produzido na região, acompanha os dois. Já o alumínio ficou na Classe III, embora a bauxita seja extraída no Pará. A bauxita não aparece pelo nome na lista oficial.

A classificação não mede a importância econômica de cada mineral para os municípios. Ela sinaliza prioridades de soberania e industrialização. Por isso, ferro e ouro na Classe III não deixam de ser relevantes para a renda e para a fiscalização amazônica.

O governo afirma que os incentivos exigirão pesquisa, desenvolvimento e inovação. Também cita contrapartidas socioambientais e uso de produtos e mão de obra locais. O desenho dessas exigências será decisivo para medir quanto da riqueza permanecerá no Brasil.

O que diz o governo federal: segundo o MDIC, a lista busca transformar riqueza mineral em desenvolvimento industrial, inovação e empregos. O ministério afirma que a política quer romper o ciclo de exportar matéria-prima e importar produtos prontos, em posição publicada nesta quinta-feira.

O próximo teste será a execução

A lista oferece um mapa das prioridades, mas ainda não mostra quais projetos serão apoiados. O cadastro, os instrumentos de fomento e as cadeias escolhidas definirão os beneficiários.

Para a Amazônia, o acompanhamento precisa separar duas contas: quanto será investido na extração e quanto chegará ao beneficiamento e à indústria. Também será necessário publicar as contrapartidas e os resultados por território.

Como fizemos: Conferimos a lista e os instrumentos divulgados pela Presidência e pelo MDIC em 05/11/2026. Contamos os minerais por classe e calculamos suas participações sobre 27. Somamos os cinco limites anuais de R$ 1 bilhão do PFMCE. Não tratamos enquadramento como aprovação de projeto nem como recurso já contratado.

Fontes