Finep amplia fundo mineral em 132,6% e prorroga inscrições
Chamada salta de R$ 215 milhões para R$ 500 milhões; empresas têm até 30 de novembro e precisam firmar parceria com instituições de pesquisa.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) ampliou de R$ 215 milhões para R$ 500 milhões sua chamada de transformação mineral. O aumento é de R$ 285 milhões, ou 132,6%. As inscrições, antes previstas até 31 de agosto, agora terminam em 30 de novembro.
A prorrogação acrescenta 91 dias ao calendário anterior. Os recursos são não reembolsáveis, modalidade chamada de subvenção econômica. Eles financiam pesquisa, desenvolvimento e inovação, não a simples compra de produção mineral.
O orçamento maior mantém projetos de porte elevado
A chamada tem dois arranjos. No simples, uma empresa participa com uma Instituição de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICT). O apoio por projeto varia de R$ 5 milhões a R$ 20 milhões.
No arranjo em rede, entram a empresa proponente, uma ICT e pelo menos duas empresas coexecutoras. O limite sobe para R$ 40 milhões. A contrapartida financeira é obrigatória e varia conforme as regras e o porte dos participantes.
Chamada ganha R$ 285 milhões, mas mantém limites por projeto Recursos totais e apoio por arranjo na seleção de Transformação Mineral
| Item | Antes | Agora ou regra vigente |
|---|---|---|
| Orçamento total | R$ 215 milhões | R$ 500 milhões |
| Prazo final | 31 de agosto | 30 de novembro |
| Arranjo simples | — | R$ 5 mi a R$ 20 mi |
| Arranjo em rede | — | R$ 5 mi a R$ 40 mi |
Fonte: Finep e Brasil Mineral. O aumento percentual foi calculado pela redação.
As propostas são analisadas por ordem de chegada, em fluxo contínuo. As contratações podem terminar antes da data final se os recursos acabarem. Assim, a prorrogação não garante avaliação para quem deixar o envio para novembro.
Extração sem inovação não basta
A seleção tem cinco frentes: minerais críticos, mineração urbana, ímãs de terras-raras, tecnologias sustentáveis e descarbonização da transformação mineral. Reciclagem de baterias, separação de terras-raras e monitoramento de barragens estão entre os exemplos.
Na linha de minerais para transição energética, projetos limitados ao tratamento ou beneficiamento de minérios não são elegíveis. O regulamento exige avanço tecnológico além de alterar tamanho, concentração ou forma dos materiais.
Podem receber recursos empresas brasileiras com fins lucrativos e atividade operacional comprovada. Microempreendedores individuais e entidades sem fins lucrativos não podem ser proponentes. As ICTs participam como parceiras técnico-científicas, com atividades e pagamento previstos no projeto.
A empresa precisa ter registrado sua sede até 31 de dezembro do ano anterior à proposta. Também deve ter objeto social compatível e manter no Brasil a principal pesquisa do grupo na área do projeto. Essas regras buscam vincular o subsídio à capacidade tecnológica nacional.
Os projetos devem estar entre os níveis 3 e 7 da escala de maturidade tecnológica, com algumas linhas chegando ao nível 8. A escala vai da pesquisa básica à fase pré-comercial. Portanto, a chamada não financia qualquer ideia inicial nem uma fábrica já consolidada.
Entre as despesas aceitas estão equipe própria, treinamento, consultoria, equipamentos, software, viagens e materiais. Bolsas, pró-labore e participação nos lucros não podem ser pagos com a subvenção. Cada empresa pode participar de até duas propostas, limitada a uma por linha temática.
Dois contratos mostram o objetivo industrial
A Finep já contratou quase R$ 11 milhões para uma unidade piloto de aço de baixo carbono da Clark Tecnologia. O projeto usa redução direta com hidrogênio, processo que retira oxigênio do minério para produzir ferro.
Outro contrato destina cerca de R$ 20 milhões à Valpa Mineração e Terraplanagem. A empresa desenvolverá uma rota eletroquímica para silício destinado a painéis solares. O objetivo é validar materiais, processo e custos antes de uma eventual escala industrial.
Esses exemplos aproximam a chamada da agenda de soberania tecnológica. O apoio público procura criar capacidade nacional para produzir insumos, em vez de financiar apenas a retirada do minério.
O que diz a Finep: o gerente Henrique Vasquez afirmou que a prorrogação e a suplementação decorrem da importância crescente do tema e da aprovação da política nacional de minerais críticos. A posição foi divulgada na atualização da chamada publicada pelo Brasil Mineral.
O que as empresas precisam observar
A empresa deve ler o regulamento atualizado antes de montar a proposta. O material anterior da Finep detalha elegibilidade e arranjos, mas traz o orçamento e o prazo antigos. Os valores de 30 de novembro e R$ 500 milhões são os divulgados nesta quinta-feira.
Também será necessário comprovar capacidade financeira e apresentar vídeo de até dez minutos. A seleção mede inovação, relevância e incerteza tecnológica. A chamada ampliada abre mais espaço, mas não reduz essas exigências.
Como fizemos: Conferimos a atualização publicada pelo Brasil Mineral em 05/11/2026 e a página e as perguntas frequentes da Finep. Calculamos R$ 500 milhões menos R$ 215 milhões e dividimos o aumento pelo valor inicial. Contamos 91 dias entre 31 de agosto e 30 de novembro. Regras antigas não foram usadas para alterar o novo orçamento ou prazo.
Fontes
- Finep amplia para R$ 500 milhões chamada de transformação mineral — Brasil Mineral, 05/11/2026 (acesso em 06/11/2026)
- Seleção Finep Mais Inovação — Transformação Mineral: regras e projetos contratados (acesso em 06/11/2026)
- Perguntas frequentes da chamada Transformação Mineral — Finep (acesso em 06/11/2026)
- Ciclo de seminários Finep — Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 06/11/2026)



