PF inaugura laboratório de R$ 49,7 mi para rastrear ouro
Estrutura recebe 15,6% do Plano Amazônia e compara amostras apreendidas a jazidas; análise geoquímica ajuda a confrontar a origem com documentos.

A Polícia Federal (PF) inaugurou na terça-feira (3) um laboratório para rastrear a origem do ouro. A estrutura e o parque tecnológico associado receberam R$ 49,7 milhões do Fundo Amazônia. O valor representa 15,6% dos R$ 318,5 milhões do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas).
O Laboratório de Geoquímica Forense para Rastreabilidade Mineral funciona no Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília. Seu trabalho será comparar ouro apreendido com características registradas de jazidas brasileiras. O objetivo é produzir evidências para investigações sobre garimpo ilegal e crimes ambientais.
Um em cada seis reais financia tecnologia e perícia
Os R$ 49,7 milhões equivalem a quase um sexto do plano. Os outros R$ 268,8 milhões correspondem ao restante do orçamento do Amas. O plano reúne ações de inteligência, investigação e fiscalização nos nove estados da Amazônia Legal.
Laboratório e parque tecnológico recebem 15,6% do plano Recursos do Fundo Amazônia destinados ao Plano Amas e à estrutura de rastreamento do ouro
| Destinação | Valor | Participação |
|---|---|---|
| Laboratório e parque tecnológico | R$ 49,7 milhões | 15,6% |
| Demais ações do Plano Amas | R$ 268,8 milhões | 84,4% |
| Total do plano | R$ 318,5 milhões | 100% |
Fonte: Polícia Federal. Participações e diferença calculadas pela redação.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) gerencia os recursos do Fundo Amazônia. O Ministério do Meio Ambiente coordena o fundo, e o Ministério da Justiça coordena o plano. PF, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e forças estaduais participam das ações.
A análise confronta o metal com a papelada
O laboratório fará análises geoquímicas e isotópicas. A geoquímica estuda a composição dos materiais. Os isótopos são variações de um mesmo elemento químico, cujas medidas ajudam a formar perfis das amostras.
Esses perfis alimentarão uma base de referências de jazidas brasileiras. Ao comparar uma amostra apreendida com essa base, os peritos poderão indicar sua possível procedência. A análise também poderá confrontar a origem real com os dados declarados em documentos.
Esse é um avanço sobre a fiscalização limitada à nota fiscal. O documento informa o que foi declarado, enquanto a perícia examina o próprio metal. A comparação pode revelar inconsistências e ajudar a identificar fraudes na comercialização.
O equipamento não transforma toda amostra em prova conclusiva de crime. A PF afirma que a tecnologia fornece elementos técnicos às investigações. A origem indicada precisa ser interpretada com documentos, apuração policial e demais evidências.
O investimento cobre mais que uma máquina
Os recursos financiam equipamentos para análises minerais e de mercúrio. Também pagam máquinas, materiais e estruturas para preparar, caracterizar e armazenar amostras. Essa cadeia de trabalho é necessária para que a comparação tenha padrão técnico.
A concentração do laboratório em Brasília também mostra que a perícia será uma etapa centralizada. As ações de campo continuam envolvendo as forças que atuam na Amazônia. Entre a apreensão e a análise, a cadeia de custódia precisa preservar a origem e a integridade de cada amostra.
Cadeia de custódia é o registro do caminho percorrido pela evidência. Ela documenta quem coleta, transporta, armazena e analisa o material. Sem esse controle, uma composição química precisa pode perder valor na investigação.
A estrutura inclui armazenamento justamente porque o trabalho não termina na medição. As amostras precisam permanecer identificadas e disponíveis para conferência. Esse cuidado liga o investimento científico à rotina da prova criminal.
A iniciativa integra o Programa Ouro Alvo. O gerente do programa, Gustavo Caminoto Geiser, afirmou que investigações anteriores mostraram a necessidade de aprimorar a perícia. O objetivo é verificar a autenticidade da documentação e investigar a chamada lavagem de ouro ilegal.
O mercado regular também pode se beneficiar. Segundo a PF, a rastreabilidade ajuda a comprovar a procedência lícita e valorizar cadeias certificadas. O mesmo instrumento que aponta inconsistências pode dar mais segurança a quem respeita as regras.
O que diz a Polícia Federal: o diretor Humberto Freire de Barros afirma que a análise permite confrontar a procedência real do ouro com a documentação apresentada. Segundo ele, isso auxilia a identificar possíveis fraudes e também pode beneficiar o mercado legal, conforme nota institucional de 03/11/2026.
O próximo passo é ampliar a base de referências
A utilidade das comparações dependerá das jazidas e amostras registradas. A nota da PF não detalha quantas referências já existem nem quando a base estará completa. Também não apresenta prazo para os primeiros resultados periciais.
O resultado deverá ser medido pelas análises produzidas e pelo uso das evidências nas investigações, não apenas pela inauguração.
Como fizemos: Conferimos as notas da PF e da Agência Brasil publicadas em 03/11/2026. Dividimos R$ 49,7 milhões por R$ 318,5 milhões para obter 15,6%. Subtraímos o primeiro valor do total para calcular R$ 268,8 milhões das demais ações. Não tratamos a estimativa de procedência como prova automática de crime nem os R$ 49,7 milhões como custo isolado de um equipamento.
Fontes
- PF inaugura laboratório para rastrear origem do ouro e combater garimpo ilegal — Polícia Federal, 03/11/2026 (acesso em 06/11/2026)
- PF inaugura laboratório para combater garimpo ilegal na Amazônia — Agência Brasil, 03/11/2026 (acesso em 06/11/2026)
- Barra de ouro no Museu do Dinheiro de Zurique — Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (acesso em 06/11/2026)



