Fronteiras

EUA oferecem US$ 15 milhões por Juancho, foragido em Roraima

Nova recompensa atinge Juan Gabriel Rivas Núñez, acusado de comandar operações da Tren de Aragua na Venezuela e foragido de Boa Vista desde 2025.

Área urbana arborizada de Boa Vista fotografada ao entardecer, com veículos e edificações
Área urbana de Boa Vista em setembro de 2006; Juancho foi preso e depois fugiu na capital de Roraima, mas não aparece na fotografia.Foto: SallesNeto_BR / Wikimedia Commons (domínio público)

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou em 5 de novembro uma recompensa de até US$ 15 milhões por informações sobre Juan Gabriel Rivas Núñez, conhecido como Juancho. O venezuelano está foragido de Boa Vista desde maio de 2025.

A oferta integra um pacote de até US$ 50 milhões para três pessoas apontadas pelo governo americano como chefes da Tren de Aragua. O caso aproxima a fronteira de Roraima de uma investigação internacional que também envolve mineração ilegal de ouro na Venezuela.

A recompensa não representa condenação nem pagamento direto pela captura. O programa americano prevê valores para informações que levem à prisão ou à condenação. Servidores públicos não podem receber o prêmio por dados obtidos no exercício da função.

Duas recompensas aumentaram e uma foi criada

O valor destinado a Yohan José Romero passou de US$ 4 milhões para US$ 20 milhões, cinco vezes o patamar anterior. Para Giovanni Vicente Mosquera Serrano, a oferta triplicou, de US$ 5 milhões para US$ 15 milhões. A recompensa para Juancho é inédita.

A recompensa para o chefe apontado pelos EUA quintuplicou Valores máximos oferecidos pelo Departamento de Estado, anunciados em 5 de novembro de 2026

Pessoa procurada Valor anterior Novo valor Mudança
Yohan José Romero US$ 4 milhões US$ 20 milhões 5 vezes
Giovanni Vicente Mosquera Serrano US$ 5 milhões US$ 15 milhões 3 vezes
Juan Gabriel Rivas Núñez, o Juancho Não havia US$ 15 milhões Nova oferta
Total do pacote — US$ 50 milhões —

Fonte: Departamento de Estado dos EUA. Comparações e soma: redação.

A cotação de US$ 1 a R$ 5,5007 do Banco Central em 6 de novembro faz a oferta para Juancho equivaler a cerca de R$ 82,5 milhões. A conversão serve apenas para dimensionar o anúncio, pois o programa estabelece os valores em dólares e condições para o pagamento.

Segundo o Departamento de Estado, Romero dirige a organização e suas atividades de narcotráfico, mineração ilegal de ouro e homicídios. Juancho comandaria as operações na Venezuela, enquanto Mosquera Serrano responderia pelas ações nos Estados Unidos, na Colômbia e na América Central.

Ouro aparece nas acusações e no histórico brasileiro

Uma acusação apresentada em 29 de julho de 2026 na Justiça Federal americana atribui aos três conspiração e apoio material a organização considerada terrorista pelos Estados Unidos. Mosquera Serrano também foi acusado de crimes ligados à distribuição internacional de cocaína.

No Brasil, Juancho foi preso em novembro de 2023, em Boa Vista, suspeito de comandar contrabando de ouro na Venezuela. A Justiça venezuelana o acusa de chefiar grupo armado dedicado ao contrabando de ouro e outros materiais estratégicos, segundo registros reunidos pelo G1.

Essas acusações não devem ser confundidas com condenação. O histórico documentado mostra que a mineração ilegal ultrapassa a extração do minério. Ela também exige rotas, armas, identidades e mecanismos financeiros para atravessar fronteiras.

A fuga foi descoberta em 10 de maio de 2025. Agentes da Central de Monitoramento Eletrônico encontraram outra pessoa usando a tornozeleira na casa onde Juancho cumpria prisão domiciliar. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a fuga e possíveis fraudes.

Extradição já tinha sido autorizada

Em abril de 2025, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a extradição para a Venezuela. A decisão impôs condições, como a proibição de prisão perpétua e o limite de 30 anos de reclusão. A entrega dependia de garantias formais do governo venezuelano.

O Departamento de Estado não informou uma localização atual para Juancho. Também não divulgou quanto do pacote poderá ser pago em cada caso concreto. As recompensas ampliam a pressão internacional, mas não informam como a fronteira brasileira será acionada nas investigações.

O que diz o Departamento de Estado dos EUA: o órgão afirma que as ofertas buscam informações para desarticular o crime transnacional e apoiar prisões ou condenações. Pessoas fora dos Estados Unidos podem procurar a embaixada ou o consulado americano mais próximo, e as identidades dos informantes serão mantidas confidenciais.

O próximo passo depende de informações úteis sobre os três procurados e da atuação das autoridades competentes. Para Roraima, o anúncio renova uma questão concreta: a vigilância precisa alcançar tanto os rios e minas quanto as redes que movimentam o ouro ilegal.

Como fizemos: Conferimos o comunicado do Departamento de Estado de 5 de novembro e as reportagens do G1 sobre a recompensa e a fuga. Calculamos as razões entre os valores e convertemos US$ 15 milhões pela taxa de R$ 5,5007 informada pelo Banco Central para 6/11/2026. Os dados não permitem localizar o foragido nem prever pagamentos.

Fontes