Fronteiras

Entradas caem mais de 50% na fronteira, e Exército segue até 2027

Em 13 dias de janeiro, Pacaraima registrou 1.014 entradas de venezuelanos, contra 2.121 em 2025. Não localizamos balanço oficial posterior a janeiro.

Duas crianças brincam com uma bola em um pátio de cascalho, ao lado de uma tenda e de um muro de chapas metálicas; ao fundo, uma terceira criança corre
Crianças brincam em área de acolhimento da Operação Acolhida, em foto de 17 de junho de 2019.Foto: Alexandre Manfrim / Ministério da Defesa / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Nos primeiros 13 dias de 2026, 1.014 venezuelanos entraram no Brasil pelo posto de Pacaraima, em Roraima. No mesmo intervalo de 2025, foram 2.121, segundo o monitoramento da Operação Acolhida. A queda passa de 50%, mas a estrutura federal na fronteira segue montada.

Os dados mais recentes que encontramos são de janeiro, março e junho de 2026. Não localizamos balanço oficial posterior a janeiro. O retrato abaixo, portanto, é parcial.

A Operação Acolhida foi criada em fevereiro de 2018, por decreto publicado em 15 de fevereiro, no governo de Michel Temer. Ela tem três eixos: ordenamento da fronteira, abrigamento e interiorização. A interiorização transfere refugiados venezuelanos de Roraima para outros estados.

Segundo a Revista Sociedade Militar, mais de 157 mil pessoas já foram interiorizadas, em mais de 1.100 municípios. A revista diz usar dados oficiais, sem citar o órgão nem o mês de referência.

Entradas caíram, e a estrutura segue

Entradas de venezuelanos por Pacaraima caem mais da metade em 2026 Pessoas que entraram pelo posto de Pacaraima (RR) nos 13 primeiros dias de cada ano

Ano Entradas
2024 2.161
2025 2.121
2026 1.014

Fonte: Operação Acolhida, segundo Folha BV (16/01/2026) e Metrópoles (18/01/2026). Variações calculadas pela redação.

A tabela mostra o número de entradas nos mesmos 13 dias. Na comparação com 2025, a entrada caiu 52,2%. Frente a 2024, a queda foi de 53,1%. São apenas 13 dias, e esse recorte não mostra a tendência do ano inteiro.

Os abrigos também tiveram menos gente. Em janeiro, cerca de 5 mil pessoas estavam abrigadas em Pacaraima e Boa Vista, contra um pico anterior de 12 mil, segundo a Folha BV. O general Santos, coordenador de operações da estratégia, disse que “não houve necessidade de ativar o plano de contingência”.

Militares ficam, e o custo não aparece

Em 4 de março, a Sociedade Militar informou que a presença do Exército em Roraima foi estendida por 15 meses, a partir de 1º de abril de 2026. A mesma reportagem diz que as atividades da operação estão garantidas até agosto de 2027.

O contingente desse período tinha 216 militares do Exército: 133 do Comando Militar do Oeste (CMO) e 83 do Comando Militar do Norte (CMN). O texto não cita o número do ato que autorizou a extensão.

Em junho, a mesma revista publicou a designação de 17 oficiais, oito deles coronéis, por até 12 meses. Eles atuarão na Secretaria-Executiva de Coordenação de Ações de Assistência Emergencial, em Boa Vista. Segundo o texto, a informação veio de uma relação enviada à reportagem, e não de comunicado oficial.

Não localizamos orçamento de 2026 publicado para a operação. A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara aprovou, em 4 de março, uma visita técnica a Pacaraima. Ela foi adiada várias vezes por indefinições sobre apoio logístico externo.

Em 9 de janeiro, o Ministério Público Federal (MPF) vistoriou o posto de triagem e o abrigo de trânsito em Pacaraima. O procurador Cyro Carné Ribeiro afirmou que “a situação migratória demanda atenção constante e esforço de natureza preventiva”.

O que segue em aberto

Os dados públicos mostram menos chegadas no início de 2026 e uma força militar mantida até 2027. Eles não mostram o custo da operação, nem se a queda continuou até outubro. Se o fluxo voltar a subir, a resposta depende de abrigos e de recursos que não localizamos em documentos públicos.

O que diz o MDS: Em Boa Vista, em 14 de janeiro de 2026, o ministro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, afirmou que “o cenário é de normalidade” nos fluxos entre Venezuela e Brasil, segundo a TMC. Não houve contato com o ministério para esta reportagem.

Como fizemos: Reunimos reportagens, notas e publicações oficiais sobre a Operação Acolhida feitas entre janeiro e junho de 2026, acessadas em 24/10/2026. As entradas são do monitoramento citado pela Folha BV e pela Metrópoles; não localizamos balanço oficial posterior a janeiro. As variações de 52,2% (sobre 2025) e 53,1% (sobre 2024) são cálculos da redação, feitos sobre os números de entradas nos mesmos 13 dias. Os dados de militares vêm de uma única revista, que não cita o ato oficial. Uma notícia da Agência Gov de junho de 2025 aparece hoje desativada “em respeito à legislação eleitoral vigente”, o que limita a checagem em páginas oficiais.

Fontes