Entradas caem mais de 50% na fronteira, e Exército segue até 2027
Em 13 dias de janeiro, Pacaraima registrou 1.014 entradas de venezuelanos, contra 2.121 em 2025. Não localizamos balanço oficial posterior a janeiro.

Nos primeiros 13 dias de 2026, 1.014 venezuelanos entraram no Brasil pelo posto de Pacaraima, em Roraima. No mesmo intervalo de 2025, foram 2.121, segundo o monitoramento da Operação Acolhida. A queda passa de 50%, mas a estrutura federal na fronteira segue montada.
Os dados mais recentes que encontramos são de janeiro, março e junho de 2026. Não localizamos balanço oficial posterior a janeiro. O retrato abaixo, portanto, é parcial.
A Operação Acolhida foi criada em fevereiro de 2018, por decreto publicado em 15 de fevereiro, no governo de Michel Temer. Ela tem três eixos: ordenamento da fronteira, abrigamento e interiorização. A interiorização transfere refugiados venezuelanos de Roraima para outros estados.
Segundo a Revista Sociedade Militar, mais de 157 mil pessoas já foram interiorizadas, em mais de 1.100 municípios. A revista diz usar dados oficiais, sem citar o órgão nem o mês de referência.
Entradas caíram, e a estrutura segue
Entradas de venezuelanos por Pacaraima caem mais da metade em 2026 Pessoas que entraram pelo posto de Pacaraima (RR) nos 13 primeiros dias de cada ano
| Ano | Entradas |
|---|---|
| 2024 | 2.161 |
| 2025 | 2.121 |
| 2026 | 1.014 |
Fonte: Operação Acolhida, segundo Folha BV (16/01/2026) e Metrópoles (18/01/2026). Variações calculadas pela redação.
A tabela mostra o número de entradas nos mesmos 13 dias. Na comparação com 2025, a entrada caiu 52,2%. Frente a 2024, a queda foi de 53,1%. São apenas 13 dias, e esse recorte não mostra a tendência do ano inteiro.
Os abrigos também tiveram menos gente. Em janeiro, cerca de 5 mil pessoas estavam abrigadas em Pacaraima e Boa Vista, contra um pico anterior de 12 mil, segundo a Folha BV. O general Santos, coordenador de operações da estratégia, disse que “não houve necessidade de ativar o plano de contingência”.
Militares ficam, e o custo não aparece
Em 4 de março, a Sociedade Militar informou que a presença do Exército em Roraima foi estendida por 15 meses, a partir de 1º de abril de 2026. A mesma reportagem diz que as atividades da operação estão garantidas até agosto de 2027.
O contingente desse período tinha 216 militares do Exército: 133 do Comando Militar do Oeste (CMO) e 83 do Comando Militar do Norte (CMN). O texto não cita o número do ato que autorizou a extensão.
Em junho, a mesma revista publicou a designação de 17 oficiais, oito deles coronéis, por até 12 meses. Eles atuarão na Secretaria-Executiva de Coordenação de Ações de Assistência Emergencial, em Boa Vista. Segundo o texto, a informação veio de uma relação enviada à reportagem, e não de comunicado oficial.
Não localizamos orçamento de 2026 publicado para a operação. A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara aprovou, em 4 de março, uma visita técnica a Pacaraima. Ela foi adiada várias vezes por indefinições sobre apoio logístico externo.
Em 9 de janeiro, o Ministério Público Federal (MPF) vistoriou o posto de triagem e o abrigo de trânsito em Pacaraima. O procurador Cyro Carné Ribeiro afirmou que “a situação migratória demanda atenção constante e esforço de natureza preventiva”.
O que segue em aberto
Os dados públicos mostram menos chegadas no início de 2026 e uma força militar mantida até 2027. Eles não mostram o custo da operação, nem se a queda continuou até outubro. Se o fluxo voltar a subir, a resposta depende de abrigos e de recursos que não localizamos em documentos públicos.
O que diz o MDS: Em Boa Vista, em 14 de janeiro de 2026, o ministro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, afirmou que “o cenário é de normalidade” nos fluxos entre Venezuela e Brasil, segundo a TMC. Não houve contato com o ministério para esta reportagem.
Como fizemos: Reunimos reportagens, notas e publicações oficiais sobre a Operação Acolhida feitas entre janeiro e junho de 2026, acessadas em 24/10/2026. As entradas são do monitoramento citado pela Folha BV e pela Metrópoles; não localizamos balanço oficial posterior a janeiro. As variações de 52,2% (sobre 2025) e 53,1% (sobre 2024) são cálculos da redação, feitos sobre os números de entradas nos mesmos 13 dias. Os dados de militares vêm de uma única revista, que não cita o ato oficial. Uma notícia da Agência Gov de junho de 2025 aparece hoje desativada “em respeito à legislação eleitoral vigente”, o que limita a checagem em páginas oficiais.
Fontes
- Fluxo migratório na fronteira com a Venezuela cai mais de 50% em 2026 — Folha BV, 16/01/2026
- Imigração venezuelana no Brasil segue estável após queda de Maduro — Metrópoles, 18/01/2026
- Entrada de venezuelanos no Brasil reduz pela metade em janeiro — TMC, 15/01/2026
- MPF vai a Pacaraima (RR) para verificar fluxo migratório e estrutura de acolhimento — MPF, 12/01/2026
- CREDN realizará visita técnica à Operação Acolhida — Câmara dos Deputados, 04/03/2026
- Exército estende tropas na fronteira com a Venezuela até 2027 — Revista Sociedade Militar, 04/03/2026
- Exército confirma envio de 8 coronéis para reforçar força-tarefa em Roraima — Revista Sociedade Militar, 17/06/2026
- Operação militar na fronteira com a Venezuela já levou mais de 157 mil pessoas para 1.100 cidades — Revista Sociedade Militar, 18/06/2026
- Operação Acolhida — Wikipédia, em português



