Fronteiras

PF prende suspeito em nova fase de fraude documental em Tabatinga

Mandado preventivo amplia investigação sobre certidões falsas; primeira fase teve 12 ordens e análise de celulares levou a novos alvos.

Embarcação da Polícia Federal atracada no porto de Tabatinga, no Amazonas
Embarcação da Polícia Federal no porto de Tabatinga; a foto é de arquivo e não registra a operação desta sexta-feira.Foto: Ridiculopathy / Wikimedia Commons (CC0)

A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (6) um mandado de prisão preventiva em Tabatinga, no Amazonas, na segunda fase da Operação Papel Fantasma. A investigação apura uma possível organização criminosa dedicada a produzir, intermediar e vender documentos públicos falsos.

A nova prisão nasceu da análise de materiais apreendidos na primeira fase, realizada em 14 de outubro. A PF afirma que os investigadores encontraram indícios sobre a divisão de tarefas, a negociação dos documentos e a tentativa de apagar registros. O alvo continua sendo tratado como investigado, não condenado.

A operação cresceu a partir das provas apreendidas

Na primeira etapa, a Justiça Federal autorizou cinco prisões preventivas e sete buscas e apreensões. Nesta sexta, uma nova ordem de prisão foi cumprida. Somadas, as duas fases já produziram seis prisões preventivas e sete buscas divulgadas pela PF.

A investigação soma 13 medidas judiciais divulgadas

Fase Data Medidas informadas pela PF
Primeira 14/10 5 prisões preventivas e 7 buscas
Segunda 06/11 1 prisão preventiva
Total Até 06/11 6 prisões e 7 buscas

Fonte: Polícia Federal. Soma feita pela redação a partir das duas notas oficiais.

A diferença entre as fases mostra o papel da perícia. A primeira ação recolheu celulares e documentos. A segunda usou esse material para apontar quem poderia intermediar interessados, retirar papéis, dividir valores e esconder rastros, segundo a corporação.

A PF também investiga certidões de nascimento com informações falsas. De acordo com a nota, esses documentos poderiam ser usados para obter registros civis brasileiros de forma irregular. A corporação não divulgou quantas certidões teriam sido produzidas nem quantas pessoas foram beneficiadas.

O problema chega ao núcleo da presença do Estado

Uma certidão falsa não é apenas um papel adulterado. Ela pode contaminar a identificação oficial de uma pessoa e dificultar a conferência de quem acessa serviços, documentos e direitos. Em uma cidade de fronteira, a investigação toca uma função básica do Estado: saber quem é registrado e com quais dados.

A primeira fase alcançou um cartório extrajudicial e um gabinete parlamentar, segundo a PF. A nova nota não informa se esses locais continuam sob investigação nem apresenta nomes dos alvos. A corporação diz que ainda procura possíveis participantes, beneficiários e intermediários.

Os crimes citados pela PF são falsificação de documento público, falsidade ideológica, uso de documento falso e organização criminosa. A responsabilização dependerá do que for comprovado no inquérito e de eventual processo judicial. A nota não relata denúncia aceita pela Justiça.

O que diz a Polícia Federal: a corporação afirma que a segunda fase aprofundou a apuração com base no material recolhido em outubro e que a prisão busca esclarecer a operacionalização do esquema. As investigações continuam para identificar outros participantes e dimensionar os documentos envolvidos.

O próximo passo é a perícia dos aparelhos e papéis apreendidos. Até lá, o número de prisões mede a resposta judicial, não o tamanho final da rede. A fronteira seguirá dependente de registros civis confiáveis e de investigação capaz de chegar aos intermediários.

Como fizemos: Conferimos as notas oficiais da Polícia Federal de 14/10/2026 e 06/11/2026. Somamos as cinco prisões e sete buscas da primeira fase à prisão da segunda. A conta mede medidas judiciais divulgadas, não condenações nem o número total de documentos falsos.

Fontes