Fronteiras

Operação Fronteira soma R$ 29,5 milhões em apreensões

Drogas representam 51,5% do valor apreendido até quarta; ação passou por mais de 40 cidades e teve abertura operacional em Tabatinga.

Placa na fronteira indica Brasil em uma direção, Colômbia em outra e Peru à direita
Placa na fronteira entre Tabatinga, no Brasil, e Letícia, na Colômbia, fotografada em fevereiro de 2024.Foto: Ridiculopathy / Wikimedia Commons (CC0 1.0)

A Receita Federal apreendeu R$ 29,5 milhões em drogas e mercadorias ilegais entre terça-feira (3) e as 19h de quarta-feira (4). A Operação Fronteira passou por mais de 40 cidades e resultou em 15 prisões. Os entorpecentes respondem por 51,5% do valor informado até agora.

A abertura operacional ocorreu em Tabatinga, no Amazonas, na fronteira com Colômbia e Peru. Mais de 500 servidores da Receita participam da mobilização, ao lado de agentes de órgãos parceiros. A ação alcança fronteiras terrestres, portos, aeroportos, rodovias e transportadoras.

Drogas e mercadorias dividem o total quase igualmente

Os R$ 15,2 milhões em entorpecentes superam por R$ 900 mil os R$ 14,3 milhões em outras mercadorias. A divisão mostra que a operação combina repressão ao tráfico com fiscalização aduaneira, termo que designa o controle sobre a entrada e a saída de bens do país.

Drogas respondem por pouco mais da metade das apreensões Valores informados pela Receita até as 19h de 04/11/2026

Categoria Valor apreendido Participação
Entorpecentes R$ 15,2 milhões 51,5%
Mercadorias ilegais R$ 14,3 milhões 48,5%
Total R$ 29,5 milhões 100%

Fonte: Receita Federal. Participações calculadas pela redação.

Em Campo Grande, servidores encontraram 76 quilos de cocaína escondidos em peças de maquinário agrícola. A carga estava em uma transportadora e seguiria para Curitiba. Segundo a Receita, a droga foi avaliada em R$ 3 milhões, o equivalente a 19,7% do valor total de entorpecentes apreendido na operação.

Em Guaíra, no Paraná, uma ação com policiais militares e federais localizou 534 quilos de maconha. Os responsáveis fugiram antes da abordagem, conforme o órgão. A droga foi encaminhada à delegacia da Polícia Federal (PF) do município.

A fiscalização sai da linha de divisa

A Receita também reteve partes de armas no aeroporto de Viracopos, em Campinas. As informações serão enviadas à aduana dos Estados Unidos pelo Programa Desarma, criado para trocar dados sobre tráfico de armas, munições, explosivos e drogas.

No Rio de Janeiro, uma aeronave avaliada em R$ 500 mil foi apreendida em um aeródromo. A Receita afirma que o prefixo original tinha sido adulterado. O órgão investiga a introdução irregular do equipamento no território nacional.

Esse alcance decorre de uma mudança iniciada em 2021. A operação começou concentrada nas fronteiras terrestres e passou a acompanhar os caminhos usados depois que as mercadorias entram no Brasil. Na edição atual, a Receita também ampliou a troca de informações com a Organização Mundial das Aduanas e com forças armadas de Colômbia e Peru.

Participam Forças Armadas, PF, Polícia Rodoviária Federal e polícias estaduais. Também atuam Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ministério da Agricultura e agências de aviação, telecomunicações e vigilância sanitária.

O balanço ainda é parcial

O total deste ano equivale a 18,4% dos R$ 160 milhões em mercadorias ilegais apreendidos na edição de 2025. A comparação, porém, tem limites. O balanço anterior reúne toda a operação daquele ano, enquanto o atual cobre apenas os dois primeiros dias.

Em 2025, também foram apreendidas 3,5 toneladas de drogas e 160 veículos. Houve 18 prisões em flagrante. A Receita ainda não apresentou os mesmos totais consolidados para a edição deste ano, que segue em andamento.

O que diz a Receita Federal: o secretário Robinson Barreirinhas afirmou, na abertura em Tabatinga, que os pontos de fronteira são fundamentais para o comércio internacional e exigem vigilância contra o crime organizado. Ele destacou a importância de atuar “com inteligência e cooperação”, em nota publicada nesta quinta-feira.

O que vem a seguir

Os próximos balanços devem mostrar se o padrão de apreensões se mantém e quanto foi localizado em cada modal de transporte. Também será possível comparar o total final com a edição anterior sem misturar períodos diferentes.

Para cidades como Tabatinga, a integração entre órgãos é central porque comércio legal e rotas ilícitas usam a mesma passagem internacional. O resultado completo indicará onde a fiscalização foi mais eficaz e quais estruturas seguem exigindo presença pública.

Como fizemos: Usamos o balanço publicado pela Receita Federal em 05/11/2026, com dados até as 19h de 04/11. Dividimos cada valor apreendido pelos R$ 29,5 milhões totais e calculamos a parcela da cocaína de Campo Grande entre os entorpecentes. Comparamos o valor parcial atual com o total de 2025 apenas para indicar escala, sem tratar os períodos como equivalentes.

Fontes