Australianas compram projetos de terras raras em Minas Gerais
A Oceana Metals comprou 100% de um projeto de terras raras em Minas, e a Power Minerals reportou amostra com 40,5% de óxidos.

Em 19 de outubro de 2026, a Oceana Metals, empresa australiana listada na bolsa ASX, informou a conclusão da compra de 100% da Songeo Mineração. A Songeo é dona do projeto Serra Negra, em Patrocínio e Guimarânia, no Alto Paranaíba, Minas Gerais. No mesmo dia, a Power Minerals, também listada na ASX, divulgou novos resultados de perfuração em Morro do Ferro, em Poços de Caldas.
Os dois projetos buscam terras raras, grupo de metais usados em ímãs de motores elétricos e turbinas eólicas. O ponto central é quem controla essas áreas. Nos dois casos, a exploração está nas mãos de empresas estrangeiras. Nenhum dos projetos tem ainda estimativa de recursos no padrão JORC, usado na Austrália para declarar esse tipo de dado.
Quanto custou e quem recebe
Na Serra Negra, a Oceana pagou US$ 2,95 milhões em dinheiro e emitiu ações. Há ainda até US$ 2,25 milhões condicionados a marcos da exploração. Segundo a Gazeta Mercantil, US$ 750 mil dependem de uma primeira estimativa de recursos, e US$ 1,5 milhão, de 100 milhões de toneladas com 4% de óxidos totais de terras raras (TREO).
O Diário do Comércio dá o total de cerca de R$ 46 milhões, e a soma das parcelas em reais que ele informa chega ao mesmo valor. A Gazeta Mercantil informa que foram emitidas cerca de 15,5 milhões de ações, abaixo dos 20 milhões previstos em abril. Os vendedores também ficam com royalty de 2,5% sobre a receita líquida, segundo o Diário do Comércio.
A Power Minerals comprou a Mineração Terras Raras, dona de Morro do Ferro. Em 20 de maio, o Diário do Comércio informou que o negócio somou A$ 21 milhões, cerca de R$ 75 milhões, pagos em parcelas ao longo de 60 meses.
Dois projetos de terras raras em Minas, duas empresas australianas Valores citados pela imprensa, em reais ou dólares australianos
| Projeto | Empresa compradora | Valor citado |
|---|---|---|
| Serra Negra, Patrocínio e Guimarânia | Oceana Metals (ASX: OCN) | cerca de R$ 46 milhões |
| Morro do Ferro, Poços de Caldas | Power Minerals (ASX: PNN) | A$ 21 milhões (cerca de R$ 75 milhões) |
Fonte: Diário do Comércio (23/10/2026 e 20/05/2026); Gazeta Mercantil (19/10/2026). O valor da Serra Negra é soma feita pela redação. Elaboração: redação.
Resultados fortes, mas com ressalvas
Em Morro do Ferro, o furo MFSR-057 cortou 111 metros a partir da superfície com 8,25% de TREO, segundo a Mining.com.au. Uma amostra de 1,2 metro chegou a 40,5%, a maior do projeto até aqui, segundo a Discovery Alert. Essa amostra é única, e não mostra o teor médio do trecho.
Aplicando um corte técnico de 15%, que limita o peso de amostras muito altas, o trecho de 51 metros cairia de 15,4% para 14,8%, segundo a Mining.com.au. Os resultados são de exploração, não reservas comprovadas.
Estado entra no acordo, mas a União tem outro papel
Em abril, segundo o Cenário Energia, a Power Minerals firmou com o governo de Minas, por meio da Invest Minas, um protocolo de intenções. O diretor da Invest Minas, Ronaldo Alexandre Barquette, afirmou: “O estado reúne tradição mineradora, segurança jurídica e um ambiente favorável para atrair investimentos.”
No plano federal, segundo a Agência Câmara, a verba do Serviço Geológico do Brasil (SGB) para reconhecer recursos minerais subirá de R$ 8 milhões em 2026 para R$ 300 milhões em 2027, anunciou o ministro Alexandre Silveira. As fontes não mostram se o SGB participa de algum desses projetos.
Já a Agência Nacional de Mineração (ANM) decide sobre os títulos minerários. A Oceana aguarda decisões da ANM sobre dois títulos, com resposta prevista para o primeiro trimestre de 2027, segundo a Gazeta Mercantil.
O que a Lei dos Minerais Críticos muda, e o que não aparece
A Lei 15.506 foi sancionada sem vetos em 16 de setembro de 2026. Ela cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Três pontos tocam esses negócios. A lei cria controles sobre operações consideradas sensíveis aos interesses nacionais, segundo a JB.
Também prevê créditos fiscais para beneficiar e transformar minerais no país, de até 20% dos gastos elegíveis entre 2030 e 2034, segundo a JB. E cria um fundo garantidor, com previsão inicial de R$ 2 bilhões da União, segundo a Agência Câmara.
As fontes consultadas não dizem se a lei exige aprovação para venda de projetos a estrangeiros. Também não tratam da CFEM, a compensação paga pela mineração sobre o que é vendido. Sobre o processamento, a Oceana fala em uma “estrutura definitiva de processamento e venda”, sem informar o local.
O que dizem as empresas: A Oceana afirma que sua prioridade é avançar até a primeira estimativa de recursos do Serra Negra, segundo o Diário do Comércio. O CEO da Power Minerals, Alistair Stephens, disse que os resultados são “world-class rare earth intersections” (intersecções de terras raras de classe mundial), segundo a Discovery Alert. Esta versão não registra resposta direta das empresas; as posições vêm de publicações.
O que isso significa
Nos dois casos, a exploração está com empresas estrangeiras listadas na Austrália. O Brasil entra com títulos minerários, licenças e regras. A lei nova dá instrumentos ao Estado, mas as fontes não dizem como eles serão usados nesses negócios.
Em 2027, três pontos mostram quanto fica no país: a decisão da ANM, as primeiras estimativas de recursos e o local do processamento. Até lá, as fontes não trazem valores de royalties ou de arrecadação para estes projetos.
Como fizemos: Usamos reportagens do Diário do Comércio (20/05/2026 e 23/10/2026), da Gazeta Mercantil (19/10/2026), da Mining.com.au e da Discovery Alert (19/10/2026), do Cenário Energia (28/04/2026), além da Agência Câmara e da JB sobre a Lei 15.506/2026, acessados em 24/10/2026. O total de cerca de R$ 46 milhões vem do Diário do Comércio. A redação conferiu a soma das parcelas que o jornal converteu: R$ 14,86 milhões em dinheiro, R$ 19,73 milhões em ações e R$ 11,33 milhões em pagamentos condicionais, que dá R$ 45,9 milhões. Não acessamos os comunicados originais na ASX. As informações sobre a Power Minerals vêm de reproduções da imprensa especializada. As fontes não mostram local de processamento nem valor de CFEM previsto.
Fontes
- Diário do Comércio: Australiana Oceana Metals compra projeto de terras-raras e nióbio em Minas por R$ 46 milhões, 23/10/2026
- Diário do Comércio: Australiana Power Minerals compra projeto de terras raras em Minas, 20/05/2026
- Gazeta Mercantil: Australiana conclui compra de projeto de terras raras e nióbio em Minas Gerais, 19/10/2026
- Mining.com.au: Power Minerals logs new rare earth high at Morro do Ferro, 19/10/2026
- Discovery Alert: Power Minerals Hits Record 40.5% TREO Sample at Morro do Ferro, 19/10/2026
- Cenário Energia: Minas Gerais avança na corrida global por terras raras com projeto estratégico em Poços de Caldas, 28/04/2026
- Agência Câmara: Nova lei cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos
- JB: Lula sanciona lei que cria política nacional de minerais críticos, 16/09/2026
- Foto: Marcos Cardoso Jr, Vista da Cidade de Poços de Caldas, Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)



