Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras, aponta USGS
Serviço Geológico dos EUA estima 11 milhões de toneladas no país, atrás só da China. Os 17 elementos movem ímãs, baterias e sistemas de defesa.

Em fevereiro de 2026, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou as reservas brasileiras de terras raras em 11 milhões de toneladas. O número põe o Brasil em segundo lugar no mundo, atrás apenas da China, com 44 milhões. Na produção, a distância é enorme: o Brasil extraiu cerca de 2 mil toneladas em 2025, pela estimativa do órgão, contra 270 mil dos chineses.
O dado vem do relatório anual Mineral Commodity Summaries, referência mundial no setor. O USGS revisou a reserva brasileira com base em relatórios do governo do Brasil. A edição anterior apontava 21 milhões de toneladas.
O que são
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos. Quinze deles formam a família dos lantanídeos, do lantânio ao lutécio, na tabela periódica. Os outros dois são o escândio e o ítrio.
O nome engana. Segundo o USGS, esses elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre. O difícil é encontrá-los em concentração suficiente para valer a mineração. Depois de extraídos, eles ainda precisam ser separados uns dos outros, um processo químico complexo.
Para que servem
De acordo com o USGS, o principal uso no mundo hoje são os ímãs permanentes. Feitos com neodímio e praseodímio, eles são pequenos e muito fortes. Estão em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e discos rígidos.
Os elementos também aparecem em catalisadores, baterias, vidros, cerâmicas e ligas metálicas. Na defesa, os ímãs e outros componentes entram em radares, sistemas de guiagem de mísseis e aeronaves militares. Por isso, o tema ganhou peso estratégico.
A China domina a cadeia, da mina ao ímã. Em abril de 2025, o país apertou o controle sobre a exportação de sete terras raras, entre elas disprósio e térbio, informa o USGS. Em outubro, ampliou a lista, e em novembro suspendeu essa ampliação por um ano.
Crítico ou estratégico
Os termos “mineral crítico” e “mineral estratégico” não são sinônimos. A Lei 15.506, sancionada em 16 de setembro de 2026, criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e definiu os dois conceitos. Crítico é o mineral essencial cuja oferta é insuficiente ou vulnerável; estratégico é aquele de que o país tem reservas relevantes e importância econômica.
As terras raras mostram por que a distinção importa. O Brasil tem reservas grandes, mas produz pouco e ainda não domina a etapa de transformar o minério em ímãs e componentes.
A Amazônia guarda outro exemplo de mineral crítico. Em São Gabriel da Cachoeira (AM), o depósito de Seis Lagos tem cerca de 2,9 bilhões de toneladas de minério de nióbio, segundo o Serviço Geológico do Brasil. O órgão informa que a exploração é inviável, porque o local está em área de preservação e território indígena.
O que diz o USGS: No relatório de 2026, o serviço afirma que as terras raras são relativamente abundantes na crosta terrestre, mas que concentrações exploráveis são menos comuns do que as da maioria dos minérios. Diz ainda que há substitutos para muitas aplicações, mas que eles costumam ser menos eficazes.
Ter reservas não significa ter indústria. Entre a jazida e o ímã existem a separação química, a produção de metais e a fabricação de componentes. É nessa distância que se decide se o Brasil será só fornecedor de minério ou parte da cadeia de alto valor.
Fontes
- Rare Earths — Mineral Commodity Summaries 2026, U.S. Geological Survey (PDF)
- Rare Earths Statistics and Information — U.S. Geological Survey
- Lei nº 15.506, de 16 de setembro de 2026 (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos) — Planalto
- Apresentação do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) sobre o nióbio — Câmara dos Deputados (PDF, 2019)


