PF e Ibama inutilizam 72 equipamentos de garimpo no Rio Madeira
Operação Nêmesis atingiu 17 dragas e 16 mil litros de diesel; celulares apreendidos podem ajudar a identificar donos e financiadores.

A Polícia Federal (PF) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) inutilizaram 72 embarcações e equipamentos nesta terça-feira (27). A Operação Nêmesis atingiu estruturas de garimpo ilegal entre os distritos de Calama e São Carlos, em Porto Velho, segundo a PF.
O balanço inclui 17 dragas e 16 mil litros de óleo diesel. Agentes também apreenderam três frascos de mercúrio e oito celulares. A análise dos aparelhos pode ajudar a identificar proprietários das dragas e financiadores da atividade.
O que foi atingido
Dragas são equipamentos usados para retirar material do leito do rio. Na operação, a PF inutilizou ainda dois rebocadores e três voadeiras, embarcações menores e rápidas. O total se completa com 21 motores, 25 bombas de draga e quatro bombas de água.
Dragas e bombas formam a maior parte dos 72 bens inutilizados Equipamentos e embarcações informados pela PF na Operação Nêmesis, em 27/10/2026
| Item | Quantidade | |—|—|–:| | Bombas de draga | 25 | | Motores | 21 | | Dragas | 17 | | Bombas de água | 4 | | Voadeiras | 3 | | Rebocadores | 2 |
Fonte: Polícia Federal. Elaboração: redação.
A lista mostra que a ação não atingiu apenas as estruturas de extração. Motores, bombas e embarcações formavam a logística que mantinha o garimpo funcionando. O diesel inutilizado também era destinado a esse abastecimento, de acordo com a PF.
A diferença em relação à operação anterior
Há 12 dias, a Operação Argos já havia atingido o Rio Madeira. Em 15 de outubro, PF e Ibama inutilizaram 15 dragas e cerca de 1.150 litros de combustível. Naquela ação, as equipes encontraram outras 58 dragas que já estavam inutilizadas.
A Nêmesis atingiu duas dragas a mais que a Argos. O volume de diesel informado agora é quase 14 vezes o da operação anterior. A comparação usa os comunicados das duas ações, mas não mede seus resultados ambientais. Os comunicados não informam área recuperada nem quantidade de ouro retirada.
Investigação busca donos e financiadores
A apreensão dos celulares abre uma frente diferente da inutilização de máquinas. Segundo a PF, o material será analisado e poderá auxiliar na identificação dos donos das estruturas e de quem financiava o garimpo.
Os responsáveis poderão responder por usurpação de bem da União, extração de recursos minerais sem autorização e uso de substância tóxica. Esses são possíveis crimes citados pela investigação. O comunicado não informa prisões, indiciamentos ou denúncias.
O que diz a Polícia Federal: a instituição afirma que a operação combateu a extração ilegal de ouro no leito do Rio Madeira e que as investigações continuam para identificar proprietários e financiadores. A posição está no comunicado da Operação Nêmesis, publicado nesta terça-feira.
O que vem a seguir
O próximo passo depende da análise dos oito celulares e dos demais materiais apreendidos. A PF ainda não divulgou nomes de investigados. Também não informou se as 17 dragas estavam em operação no momento da ação.
Para o Rio Madeira, a sequência de operações mostra a persistência da estrutura de garimpo. O balanço de hoje mede bens atingidos, não a retirada definitiva da atividade ilegal.
Como fizemos: Comparamos os comunicados oficiais das operações Nêmesis, publicado em 27/10/2026, e Argos, publicado em 16/10/2026. A razão entre os volumes de combustível é 16.000 dividido por 1.150, aproximadamente 13,9. As categorias de equipamentos foram somadas para conferir o total de 72. Os comunicados não permitem comparar eficácia ambiental, produção de ouro ou dimensão das equipes.
Fontes
- PF deflagram operação e inutilizam 72 embarcações e maquinários do garimpo ilegal no Rio Madeira — Polícia Federal, 27/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- PF deflagra operação contra garimpo ilegal no Rio Madeira — Polícia Federal, 16/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Combate ao garimpo ilegal no Rio Madeira, foto da Marinha do Brasil — Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0) (acesso em 27/10/2026)



