Rios e estradas

Lancha colide em barranco no Rio Negro, perto de Novo Airão

Passageiros da Expresso Dedé foram resgatados sem registro de mortes; direção da viagem e feridos divergem, e a Marinha investigará.

Barcos de madeira usados no transporte amazônico atracados em uma margem do Rio Amazonas
Barcos no Rio Amazonas, em foto de fevereiro de 2008; as embarcações mostradas não são a Expresso Dedé.Foto: Wilson Dias / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

A lancha Expresso Dedé colidiu com um barranco na margem do Rio Negro na madrugada desta sexta-feira (6). O acidente ocorreu na região do Paraná do Jacaré, próximo a Novo Airão, no Amazonas. Não há registro de mortes nas informações publicadas até o início desta tarde.

Moradores e condutores de pequenas embarcações realizaram o primeiro resgate. A empresa enviou outra embarcação para recolher os passageiros, segundo A Crítica. A Polícia Civil de Novo Airão registrou a ocorrência, e a Marinha do Brasil investigará as circunstâncias.

A rota atende quatro cidades do Rio Negro

A linha liga Manaus, Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. As reportagens concordam sobre os municípios atendidos, mas divergem sobre a direção percorrida no momento da colisão.

Amazonas Atual e Banzeiro News informam que a lancha saiu de São Gabriel da Cachoeira na quinta-feira (5) e seguia para Manaus. A Crítica publicou o sentido inverso, com saída da capital e destino a São Gabriel. A redação não encontrou confirmação oficial para escolher uma das versões.

Também há diferença sobre os feridos. A Crítica informa que ninguém teve ferimentos graves. Banzeiro News relata feridos, sem quantidade nem estado de saúde. A empresa, citada por Amazonas Atual, afirma que todos os passageiros estão bem e recebem assistência.

O acidente tem fatos convergentes e lacunas relevantes Comparação das informações publicadas até 14h desta sexta-feira

Ponto O que está publicado Situação
Local e horário Paraná do Jacaré, entre 4h e 5h Convergente
Passageiros Sem registro de mortes Convergente
Feridos Relatos variam; número não divulgado Pendente
Direção da viagem Versões indicam os dois sentidos Divergente
Causa Ainda sem confirmação oficial Sob investigação

Fontes: A Crítica, Amazonas Atual e Banzeiro News. Horário informado por A Crítica.

Relatos não substituem a apuração da Marinha

Passageiros mencionaram baixa visibilidade e bancos de areia durante a vazante, de acordo com A Crítica. Esses elementos são relatos, não conclusões técnicas. Atribuir a colisão a qualquer um deles seria antecipar a investigação.

A Lei nº 2.180, de 1954, determina a abertura de inquérito quando uma capitania de portos toma conhecimento de um acidente de navegação. O trabalho administrativo deve estabelecer as circunstâncias do caso e eventuais responsabilidades.

O Comando do 9º Distrito Naval, sediado em Manaus, conduzirá a apuração, segundo Amazonas Atual. Até agora, não foram divulgados o número de ocupantes, o relatório do comandante ou possíveis danos às condições de navegabilidade da lancha.

O resgate evitou uma sequência pior

A ajuda imediata de moradores e outras embarcações foi decisiva para retirar os ocupantes. Parte seguiu viagem na embarcação enviada pela empresa, enquanto outros decidiram retornar, conforme A Crítica.

A diferença entre os relatos impede afirmar quantas pessoas precisaram de atendimento. Também não há confirmação pública sobre a lotação da Expresso Dedé ou a extensão dos danos.

O que diz a empresa responsável: em nota citada por Amazonas Atual, a empresa informa que todos os passageiros estão bem e recebem assistência. A manifestação não informa o número de pessoas a bordo nem apresenta o relato do piloto.

A investigação precisa responder quatro pontos

Os próximos esclarecimentos devem informar a direção da viagem, o número de feridos, as condições da embarcação e a dinâmica da colisão. Esses dados são necessários para avaliar se houve falha operacional ou outro fator.

Para quem depende do transporte fluvial, a ausência de mortes não encerra a questão. A resposta técnica da Marinha será a referência para medidas de segurança nessa ligação entre comunidades do Rio Negro.

Como fizemos: Cruzamos três reportagens publicadas nesta sexta e separamos afirmações convergentes, divergentes e ausentes. Não adotamos uma direção para a viagem nem transformamos relatos sobre areia e visibilidade em causa confirmada. A consulta à Lei nº 2.180/1954 serviu para explicar o inquérito, sem antecipar suas conclusões.

Fontes