Seca dos rios do Norte exige plano permanente, não só socorro
Serviço Geológico do Brasil projeta nova vazante forte em Manaus. O jornal defende plano fixo de navegação, água e saúde, com orçamento de vários anos.
Artigo de opinião. O texto reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Brasil Soberano.

Em 1º de setembro, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou um alerta de vazante para Manaus. Pelos cenários do órgão, o Rio Negro pode chegar ao fim de outubro com cotas entre 12,31 e 16,50 metros. No pior caso, ficaria abaixo de 13 metros.
Para quem vive no Amazonas, esses números têm memória. Em 9 de outubro de 2024, o rio marcou 12,11 metros no Porto de Manaus, a menor cota em 122 anos de medição, segundo o Portal Amazônia. Um ano antes, a seca de 2023 já tinha quebrado o recorde anterior.
Duas secas, a mesma resposta
Em outubro de 2023, 59 dos 62 municípios do Amazonas estavam em situação de emergência, segundo o governo estadual, citado pela Agência Brasil. Eram cerca de 590 mil pessoas afetadas. Em agosto de 2024, o governador decretou emergência nos 62 municípios.
A resposta, nos dois anos, seguiu o roteiro da emergência. Dragagem às pressas, cestas básicas levadas por navio e helicóptero, decretos e repasses extraordinários. Tudo isso salvou vidas e merece reconhecimento.
Mas emergência é o que acontece quando ninguém esperava. Depois de 2023 e 2024, a seca extrema deixou de ser surpresa. Virou um risco previsível, com calendário conhecido: em Manaus, o Rio Negro costuma chegar ao mínimo entre outubro e novembro.
O que é um plano permanente
O governo federal antecipou parte das ações neste ano, e isso é um avanço. Em maio, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou dragagens planejadas, reforço da sinalização e um painel para acompanhar as hidrovias em tempo real. Em junho, o ministro da Integração, Waldez Góes, defendeu levar suprimentos antes que as comunidades fiquem isoladas.
Este jornal defende transformar essa antecipação em regra, em três frentes. Na navegação, contratos de dragagem de vários anos nos pontos críticos. Desde 2025, a Lei Geral do Licenciamento Ambiental dispensa de licença a dragagem de manutenção, o que torna o planejamento ainda mais necessário.
Na água, poços e sistemas de tratamento nas comunidades que bebem direto do rio. Na saúde, estoques de remédios e escalas de barcos e aviões definidos antes da vazante, e não durante.
Cada frente precisa de orçamento de vários anos, metas por município e responsáveis com nome e cargo. Plano que existe só em apresentação não enfrenta seca. O que enfrenta é dinheiro garantido e calendário cumprido.
O que diz o governo federal: Em maio, o MPor informou que as medidas antecipadas buscam reduzir os impactos sociais e econômicos de uma nova seca, segundo a Agência iNFRA. Em junho, Waldez Góes afirmou ao jornal A Crítica que uma sala de situação na Casa Civil reúne 20 ministérios em planos de resposta, ajuda humanitária e reconhecimento de emergências.
Os próximos boletins do SGB vão mostrar se 2026 repete os anos de recorde. Seja qual for o resultado, a escolha para 2027 já está posta. O Norte pode seguir à espera do socorro de cada ano ou ter um plano que comece antes da vazante.
Fontes
- Alerta de vazante: Rio Negro em Manaus pode ter cotas entre 12,31 m e 16,50 m no pico da seca — Serviço Geológico do Brasil
- Saiba quais foram as maiores vazantes do Rio Negro em Manaus — Portal Amazônia
- Estiagem se agrava no Amazonas e Rio Negro tem nova mínima histórica — Agência Brasil
- Mobilizado por conta da estiagem, governo federal inicia serviço de dragagem no Rio Solimões — Agência Gov
- Governo do Amazonas decreta situação de emergência devido ao período de seca — SBT News
- Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas — Serviço Geológico do Brasil
- Governo amplia ações contra impactos de seca na navegação amazônica — Agência iNFRA
- Governo federal prevê estiagem severa na Amazônia e intensifica plano para evitar isolamento — A Crítica
- Lei nº 15.190, de 8 de agosto de 2025 (Lei Geral do Licenciamento Ambiental) — Planalto


