Amazônia

Governo investiga suspeita de ação organizada em incêndios no Amazonas

Com 36 municípios em emergência, força-tarefa federal usa aviões KC-390 e 330 brigadistas; frota de combate ao fogo vai chegar a 16 aeronaves.

Ilustração abstrata em verde-mata e dourado, com formas de chama estilizadas sob uma faixa cinza que lembra fumaça sobre a floresta
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Neste domingo (18), o governo federal anunciou que vai chegar a 16 o número de aeronaves no combate aos incêndios no Amazonas. A informação é da Prefeitura de Manaus. Quatro ministros foram à capital: José Múcio (Defesa), Wellington César Lima e Silva (Justiça), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e Waldez Góes (Integração).

O reforço vem depois de duas semanas de fogo e fumaça. Até o domingo (11), 36 municípios do Amazonas estavam em situação de emergência por causa dos incêndios. Segundo a Agência Brasil, o governo federal reconheceu a emergência no mesmo dia, no Diário Oficial da União.

Fogo e fumaça

O painel climático do governo estadual registrou 6.901 focos de calor entre 1º e 11 de outubro, informou a Agência Brasil. É um aumento de 91,38% sobre o mesmo período do ano passado. Segundo a Agência Brasil, o pico foi em 10 de outubro, com 494 novos focos.

A fumaça cobriu Manaus. Na manhã do sábado (10), a concentração de partículas finas no ar, chamadas PM2,5, chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico. O índice foi classificado como “péssimo”. Por causa do ar ruim, escolas municipais, unidades da Universidade do Estado do Amazonas e um campus do Instituto Federal suspenderam as aulas presenciais.

A resposta federal

Na segunda-feira (12), dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) começaram a atuar. Segundo a FAB, um deles pode lançar 12 mil litros de água por voo, informou o SBT News. Pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a frota tinha então 11 aeronaves, com seis aviões Air Tractor, dois helicópteros e um Caravan de apoio.

Até sexta-feira (16), 330 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes (ICMBio) atuavam no estado. Eles contavam com 32 veículos e 8 barcos. Segundo a Agência Brasil, mais de 300 incêndios foram apagados em cinco dias, e 188 focos seguiam ativos.

A suspeita

Em Manaus, na quarta-feira (14), Capobianco disse que o fogo tem origem humana. “Existe uma suspeita de ação organizada”, afirmou, segundo a Agência Brasil. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) participa para verificar se há incêndios combinados.

A Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil do Amazonas investigam a origem dos focos. Até quarta-feira (14), foram abertos 120 termos circunstanciados, registros usados para infrações de menor gravidade. Nenhum deles é condenação. Quem provoca incêndio florestal pode levar multa de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare, além de responder a processo criminal.

A diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, lembra que o fogo raramente nasce sozinho na floresta. “A única forma natural de ignição para incêndios na Amazônia são os raios”, disse à Agência Brasil.

O que diz o Ministério do Meio Ambiente: Capobianco prometeu “uma ação forte de investigação para identificar quem está operando esse conjunto enorme de incêndios”. Segundo a Agência Brasil, ele afirmou que os responsáveis serão punidos “de forma exemplar”. Sobre a queda dos focos, disse: “Não podemos comemorar, porque ainda temos uma situação grave”.

No domingo, Waldez Góes afirmou que planos de trabalho do estado e das prefeituras, que somam “cerca de R$ 100 milhões, estão em análise”, segundo a prefeitura. As próximas semanas dirão se a frota maior basta até a volta das chuvas. A investigação também precisa responder a principal pergunta: quem pôs fogo na floresta.

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