Amazônia

Ibama mantém 1.045 profissionais contra incêndios no AM e no PA

Balanços publicados nesta sexta mostram 391 incêndios extintos no Amazonas e 185 no Pará, mas quatro ocorrências seguem em combate no estado paraense.

Imagem de satélite mostra fumaça sobre a Amazônia entre Manaus e Santarém
Imagem de satélite de 12 de outubro de 2026 registra fumaça sobre a Amazônia; não é um retrato do balanço publicado nesta sexta-feira.Foto: NASA Earth Observatory / Wikimedia Commons (Domínio público)

O Ibama publicou nesta sexta-feira (6) dois balanços consolidados em 5 de novembro sobre o combate a incêndios no Amazonas e no Pará. Os dados registram 391 incêndios extintos no Amazonas e 185 no Pará. Ainda havia uma ocorrência em combate em Parintins e quatro no Pará, em Mojuí dos Campos, Santarém e Altamira.

Somados, os dois estados mantinham 1.045 profissionais mobilizados. O Pará tinha 542, contra 503 no Amazonas. A diferença é de 39 pessoas, ou 7,8%, mas os boletins usam estruturas operacionais diferentes e não permitem medir sozinhos qual estado teve a situação mais grave.

O Pará concentra a fiscalização mais pesada

No Amazonas, as operações Amazonas e Sul do Amazonas reuniam equipes do Ibama, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Força Nacional. O conjunto contava com 11 aeronaves, 1.088 horas de voo e 1.231 lançamentos de água, que somaram 3.683.200 litros.

No Pará, 362 dos 542 profissionais estavam no Oeste do estado. Essa região tinha 60 veículos operacionais e 13 aeronaves. O balanço registra 357,2 horas de voo, 347 lançamentos e 560.160 litros de água. Como o recorte paraense destaca o Oeste, a comparação aérea com todo o Amazonas deve ser lida com cautela.

Os boletins mostram estruturas e resultados diferentes Dados consolidados em 5 de novembro de 2026

Indicador Amazonas Pará
Incêndios extintos 391 185
Ocorrências em combate 1 4
Profissionais mobilizados 503 542
Aeronaves informadas 11 13 no Oeste
Água lançada 3.683.200 litros 560.160 litros no Oeste
Multas registradas mais de R$ 3,8 milhões mais de R$ 20,2 milhões no Oeste

Fonte: Ibama. Os recortes territoriais e operacionais não são idênticos.

A fiscalização também teve perfis distintos. Entre 12 de outubro e 5 de novembro, o Amazonas registrou 42 autos de infração, 25 embargos que abrangem cerca de 340 hectares, 14 apreensões estimadas em R$ 305 mil e uma notificação. No Oeste do Pará, foram 50 ações fiscalizatórias, 30 notificações e 731,77 hectares embargados.

O valor das multas paraenses supera R$ 20,2 milhões. As equipes também apreenderam uma escavadeira, dois tratores, 3.800 litros de diesel e 200 metros cúbicos de madeira, além de inutilizarem duas serrarias móveis. O número maior de multas não equivale automaticamente a mais incêndios, pois inclui operações e infrações ambientais diferentes.

O que diz o Ibama: o órgão informa que os balanços reúnem ações de combate e fiscalização consolidadas até 5 de novembro. No Amazonas, há uma ocorrência em combate em Parintins; no Pará, quatro ocorrências permanecem ativas, segundo as notas publicadas em 6 de novembro.

A resposta pública ainda depende do monitoramento

O dado mais imediato é a permanência de focos ativos mesmo depois de centenas de extinções. O acompanhamento precisa combinar equipes terrestres, aeronaves, fiscalização e apoio às comunidades, porque a fumaça e o fogo atravessam limites municipais e áreas protegidas.

Os números também mostram por que o Estado precisa publicar recortes comparáveis. Sem indicar sempre a área coberta, o período operacional e o tipo de equipe, uma soma de aeronaves ou litros de água pode induzir conclusões erradas sobre eficiência.

A próxima atualização deverá esclarecer se os quatro focos paraenses foram controlados e se o incêndio de Parintins saiu da lista de ocorrências em combate. Até lá, os boletins do Ibama são a referência oficial para acompanhar a resposta federal.

Como fizemos: Comparamos as notas do Ibama para Amazonas e Pará publicadas em 6 de novembro, ambas consolidadas em 5 de novembro. Calculamos a diferença de 39 profissionais e a variação de 7,8% entre os efetivos. Mantivemos separados os dados do Oeste do Pará e do conjunto das operações no Amazonas, porque os recortes não são iguais.

Fontes