Amazônia

Só 55% da ajuda aprovada para seca e fogo foi paga

Dos R$ 89,6 milhões aprovados para assistência no Norte, R$ 49,6 milhões foram pagos; diferença chega a R$ 40 milhões em 2026.

Imagem de satélite mostra floresta, áreas desmatadas e pontos de fogo no Acre em 2005
Imagem de satélite registra queimadas no Acre em 2005 e ilustra a pressão histórica do fogo sobre a floresta.Imagem: Jesse Allen e Jeff Schmaltz / NASA / Wikimedia Commons (domínio público)

O Governo Federal pagou R$ 49,6 milhões dos R$ 89,6 milhões aprovados para assistência humanitária no Norte em 2026. O balanço foi divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A proporção paga é de 55,4%, e a diferença soma R$ 40 milhões.

Os recursos atendem estados e municípios atingidos por estiagem, seca e incêndios. Atualmente, 131 municípios da região têm reconhecimento federal vigente de emergência. A aprovação do plano, portanto, não significa que todo o dinheiro já chegou ao território.

Acre concluiu pagamentos; Amazonas concentra maior valor

O Amazonas reúne R$ 50,9 milhões aprovados em 55 planos, mais da metade do total regional. Dessa quantia, R$ 26,2 milhões foram pagos. Outros 13 planos, no valor de R$ 159 milhões, ainda estão em análise, segundo o balanço.

O Acre apresenta a situação oposta. Os R$ 19,4 milhões aprovados para 15 planos já foram integralmente empenhados e pagos. Empenho é a reserva orçamentária para uma despesa; pagamento é a transferência efetiva do recurso.

Acre pagou toda a ajuda aprovada, e Amapá pagou 11,7% Valores de assistência humanitária informados pelo Governo Federal em 6 de novembro de 2026

Estado Aprovado Pago Proporção paga
Amazonas R$ 50,9 mi R$ 26,2 mi 51,5%
Acre R$ 19,4 mi R$ 19,4 mi 100%
Pará R$ 11,0 mi R$ 3,0 mi 27,3%
Amapá R$ 8,1 mi R$ 945,8 mil 11,7%

Fonte: MMA. Proporções calculadas pela redação com os valores arredondados divulgados.

No Pará, 14 planos somam R$ 11 milhões aprovados e R$ 3 milhões pagos. Outros 21 planos, de R$ 46 milhões, aguardam análise. No Amapá, sete planos totalizam R$ 8,1 milhões, mas só R$ 945,8 mil foram empenhados e pagos.

Combate ao fogo e assistência seguem ritmos diferentes

O balanço também informa 739 profissionais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no Amazonas e no Pará. Há previsão de reforço de outros 56 servidores no território paraense.

No Amazonas, 392 incêndios foram extintos desde 22 de junho. Em 4 de novembro, havia 34 eventos ativos em 16 municípios, contra 508 em 9 de outubro. As datas e os recortes são diferentes, e a queda não encerra a emergência.

No Pará, foram extintos 185 incêndios florestais. Portel, Pacajá e Almeirim concentravam os maiores números de eventos ativos no levantamento oficial. A assistência humanitária e o combate direto ao fogo aparecem em rubricas e fluxos distintos do balanço.

O que diz o Governo Federal: o MMA informa que acompanha os estados e articula os órgãos federais e estaduais. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil detalha, no mesmo balanço, os planos aprovados, os valores empenhados e pagos e os pedidos ainda em análise.

Os próximos repasses dependem da análise e da execução dos planos apresentados. O balanço não informa prazo individual para pagar cada valor aprovado. Para as comunidades, a diferença entre autorização e pagamento define quando água, alimentos e apoio logístico efetivamente chegam.

Como fizemos: Conferimos o balanço do MMA publicado em 6 de novembro de 2026. Dividimos R$ 49,6 milhões por R$ 89,6 milhões e calculamos as proporções estaduais com os valores arredondados. Não incluímos Tocantins na tabela porque o texto não apresenta o total pago no estado nem o integra ao total regional de R$ 89,6 milhões.

Fontes