Amazônia

Incêndios atingem comunidades quilombolas em dois municípios do Amapá

Em Aporema, bombeiros atuam desde quarta; em Oiapoque, comunidade pede apoio após quatro dias de fogo, e senador aciona Ministério Público.

Área alagada com casa de madeira, vegetação e uma garça branca na comunidade de São Benedito do Aporema
Comunidade São Benedito do Aporema, em Tartarugalzinho, fotografada em junho de 2013; a imagem não registra o incêndio atual.Foto: Rogério Cardoso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Incêndios atingem áreas próximas a comunidades quilombolas em Tartarugalzinho e Oiapoque, no Amapá. Em Aporema, bombeiros combatem as chamas desde quarta-feira (5). Em Kulumbu do Patuazinho, moradores relatam quatro dias de fogo e pedem apoio especializado.

Os dois casos têm respostas públicas diferentes até agora. A atuação das equipes em Aporema está confirmada. Em Oiapoque, a comunidade denuncia dificuldade para obter atendimento, e o senador Randolfe Rodrigues acionou o Ministério Público (MP).

Aporema tem equipes em ação integrada

O incêndio no distrito de Aporema começou na quarta-feira e atinge uma extensa área de mata. Imagens registradas por drone na quinta-feira (6) mostram focos na vegetação e uma densa cortina de fumaça.

Agentes da Operação Amapá Verde e do Prevfogo, força especializada no combate a incêndios florestais, trabalham juntos no local. Segundo o Corpo de Bombeiros, a vegetação densa e a extensão da área dificultam o controle.

A origem do fogo ainda não foi informada. As equipes permanecem na região para conter as chamas e impedir que alcancem outras áreas. A comunidade próxima fica às margens do rio Aporema e depende da produção local para renda e alimentação.

Tartarugalzinho teve situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil Nacional em outubro devido à escassez de chuvas. A prefeitura anunciou reforço de equipes, insumos e unidades de atendimento para sintomas respiratórios. O anúncio não informa quantos atendimentos já foram realizados.

Oiapoque registra pedido de socorro

Em Kulumbu do Patuazinho, moradores afirmam tentar conter as chamas sem equipamentos adequados. O relato foi divulgado em vídeo e publicado pelo ConectAmapá. Até aquela atualização, não havia confirmação independente sobre o acionamento formal dos bombeiros.

Também não há informação oficial sobre a área atingida, a causa do incêndio ou pessoas feridas. Essas lacunas impedem comparar a dimensão dos dois casos apenas pelos vídeos e relatos disponíveis.

Os dois municípios têm situações operacionais distintas O que foi confirmado sobre os incêndios até a manhã de 7 de novembro

Local Situação relatada Resposta divulgada
Aporema, Tartarugalzinho Fogo desde quarta e fumaça perto de comunidade Operação Amapá Verde e Prevfogo em combate
Kulumbu do Patuazinho, Oiapoque Moradores relatam quatro dias de fogo Comunidade pede equipes; senador acionou o MP

Fonte: Corpo de Bombeiros, g1, ConectAmapá e Diário do Amapá. Não há área total confirmada para os dois incêndios.

Randolfe Rodrigues informou na sexta-feira que acionou o MP após receber um apelo do vice-prefeito Oscar Gospel. Segundo o relato do vice-prefeito, Oiapoque tem aumento na procura por atendimento hospitalar, sobretudo entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

O parlamentar busca medidas para conter as queimadas e recuperar a qualidade do ar. O anúncio, porém, não detalha quais equipes ou equipamentos serão enviados à comunidade.

O período crítico já era conhecido

O Governo do Amapá proibiu o uso do fogo em áreas rurais e urbanas entre 1º de setembro e 30 de novembro. A medida integra o plano estadual de prevenção ao desmatamento, às queimadas e aos incêndios florestais.

Dados da Secretaria de Estado do Meio Ambiente citados pelo ConectAmapá mostram que 97% dos focos registrados entre 2003 e 2025 ocorreram de setembro a dezembro. Outubro e novembro concentraram 74,6% do total.

A concentração histórica não explica a origem dos incêndios atuais. Ela mostra que o estado atravessa o período de maior vulnerabilidade e que a resposta precisa alcançar comunidades distantes, não apenas as áreas próximas às cidades.

O que diz o Governo do Amapá: o estado mantém proibido o uso do fogo até 30 de novembro, com possibilidade de prorrogação. No caso de Oiapoque, o senador informou que acionou o Ministério Público para buscar providências; até a publicação das reportagens, não havia detalhamento de novas equipes para Kulumbu do Patuazinho.

O próximo passo é confirmar a extensão das áreas atingidas e a efetividade do atendimento em Oiapoque. As causas dos dois incêndios seguem abertas. Também será necessário avaliar os efeitos da fumaça na saúde e na produção das comunidades.

Como fizemos: Conferimos as reportagens do g1, do ConectAmapá e do Diário do Amapá publicadas entre 6 e 7 de novembro de 2026. Separamos relatos de moradores das ações confirmadas pelo Corpo de Bombeiros e pelo senador. Não somamos áreas, estimamos feridos nem atribuímos causas porque esses dados não foram divulgados.

Fontes