Amazônia

PF e Ibama são alvo de tiros após operação em Rondônia

Operação Lenha Fria prendeu um suspeito e inutilizou trator, duas motocicletas e 14 toras na Terra Indígena Sete de Setembro; ninguém ficou ferido.

Ilustração abstrata provisória com blocos verdes e faixas diagonais douradas
Imagem provisória em cores da marca; não há foto livre disponível da operação ou da Terra Indígena Sete de Setembro.Ilustração: Imagem provisória

Agentes da Polícia Federal (PF), do Ibama e da Funai foram alvo de disparos de arma de fogo na sexta-feira (6). O ataque ocorreu quando a equipe deixava a Terra Indígena Sete de Setembro, após uma operação contra a extração ilegal de madeira. Ninguém ficou ferido, segundo a PF.

A Operação Lenha Fria terminou com uma pessoa presa em flagrante. Ela é suspeita de explorar ilegalmente floresta em terra de domínio público. A prisão não representa condenação, e o caso seguirá em apuração.

A saída da operação abriu outra investigação

Os agentes encontraram a estrada bloqueada por árvores derrubadas. Segundo a PF, a prática foi usada para impedir a passagem da fiscalização. Em seguida, a equipe foi alvo de disparos.

A corporação informou que vai apurar a agressão contra os agentes. A nota divulgada neste sábado (7) não identifica os autores nem informa quantas pessoas participaram do ataque. Também não detalha as armas usadas.

A área abrange Cacoal, em Rondônia, e Rondolândia, no Mato Grosso. É território tradicional do povo Paiter Suruí. A PF explica que a retirada de madeira sem autorização em bem da União é crime de competência da Justiça Federal.

O balanço separa apreensões e inutilizações

Durante a fiscalização, as equipes encontraram um trator e duas motocicletas usados na logística da extração. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) inutilizou os veículos no local.

Também foram inutilizadas 14 toras de madeira, que precisaram ser cortadas para a execução da medida. A PF não informou o volume das toras. Por isso, a quantidade não pode ser convertida em metros cúbicos sem estimativas indevidas.

A operação inutilizou veículos e 14 toras de madeira Itens registrados pela PF na Operação Lenha Fria, em 6 de novembro

Destino Item Quantidade
Apreensão Motosserra 1
Apreensão Aparelhos celulares 2
Apreensão Antena de internet via satélite 1
Inutilização Trator 1
Inutilização Motocicletas 2
Inutilização Toras de madeira 14

Fonte: Polícia Federal. Apreensão e inutilização são medidas distintas e não foram somadas.

O preso foi autuado pelo artigo 50-A da Lei de Crimes Ambientais. O dispositivo trata de desmatamento ou exploração econômica de floresta em terra pública sem autorização. A pena prevista é de dois a quatro anos de reclusão e multa, conforme a PF.

A ação reuniu a PF, o Ibama e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Cada órgão tem uma função: investigação policial, fiscalização ambiental e proteção dos povos indígenas. A operação mostra a dependência de equipes presenciais em territórios extensos e de difícil acesso.

O que diz a Polícia Federal: a corporação informa que ninguém ficou ferido e que os disparos contra a fiscalização serão investigados. Também afirma que o suspeito foi autuado em flagrante por exploração ilegal de floresta em terra de domínio público.

Em fevereiro, a Funai mapeou roças e cultivos nas aldeias da Terra Indígena Sete de Setembro. O trabalho alcançou cerca de 500 pessoas ligadas às atividades agrícolas. Café, banana, cacau, mandioca e cará estavam entre os produtos identificados.

Segundo a Funai, essa produção participa da subsistência e da segurança alimentar das famílias. Parte também é vendida pelas próprias comunidades. Combater a retirada ilegal de madeira protege o território onde essa economia indígena acontece.

O diagnóstico da Funai apontou que as famílias já dominam o cultivo, mas enfrentam dificuldades de infraestrutura e de escoamento. As informações passaram a orientar os planos de trabalho de 2026. A proteção territorial e o apoio à produção aparecem, assim, como tarefas complementares do Estado.

A PF ainda não informou a autoria dos disparos nem novos deslocamentos para apurar o ataque. As investigações ambiental e sobre a agressão aos agentes terão de esclarecer os responsáveis e as circunstâncias de cada crime.

Como fizemos: Conferimos a nota da PF publicada em 7 de novembro de 2026, o relato do Rondoniagora e o mapeamento divulgado pela Funai em abril. Agrupamos os itens por apreensão ou inutilização e contamos seis registros na tabela. Não calculamos o volume de madeira nem presumimos autoria dos disparos porque esses dados não foram divulgados.

Fontes