Fumaça põe 16 municípios do AM em alerta; saúde cita 12 sem nomes
A Defesa Civil listou 16 municípios com ar ruim em 23 de outubro; o Ministério da Saúde apontou 12 com necessidade de suporte, sem nomeá-los.

Na sexta-feira (23), a Defesa Civil do Amazonas colocou 16 municípios em alerta por causa da qualidade do ar. A fumaça vem de queimadas. O Amazonas Atual publicou a lista, e o Portal Dedo Duro trouxe os mesmos nomes.
O alerta saiu do boletim do Centro Estadual de Monitoramento de Eventos Adversos (Cemoa), órgão ligado à Defesa Civil. Os municípios estavam nas faixas “ruim” e “muito ruim”. Nenhum havia chegado ao nível “péssimo”, o mais grave, segundo o Amazonas Atual.
Duas listas, e nem todos os nomes coincidem
No dia 9 de outubro, a Defesa Civil já tinha alertado 12 municípios para ar “ruim” ou “muito ruim”. Oito deles estão na lista de sexta. Quatro saíram: Borba, Novo Airão, Novo Aripuanã e Rio Preto da Eva. Oito entraram, entre eles Manaus, Itacoatiara e Autazes.
A capital aparece na lista. Mas o mesmo Amazonas Atual diz que o ar de Manaus estava moderado na manhã de sexta, sem fumaça. A reportagem não explica a diferença.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde informou que cerca de 36 municípios amazonenses tiveram situação de emergência decretada em 10 de outubro, por causa das queimadas.
O que a rede de saúde registra
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou 132 atendimentos por problemas respiratórios na rede estadual, de 1º de julho a 22 de setembro. O dado foi apresentado em coletiva em 23 de setembro, segundo a NC News. Ele é anterior aos alertas de outubro. Não localizamos balanço mais recente.
O Ministério da Saúde afirmou, em 16 de outubro: “Até o momento, foram identificados 12 municípios que necessitam de algum tipo de suporte nos serviços de saúde.” A Força Nacional do SUS (FN-SUS), grupo federal de apoio ao Sistema Único de Saúde, faz um diagnóstico da rede. O texto não traz os nomes dos 12 municípios.
O ministério também acompanha o consumo de oxigênio em hospitais e nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), segundo a Viva. Pela Agência Gov, “O abastecimento de oxigênio às unidades de saúde do SUS é de responsabilidade da gestão local.”
O que a população deve fazer, e onde buscar atendimento
Em 9 de outubro, a Defesa Civil recomendou “evitar a exposição direta à fumaça”, “suspender exercícios ao ar livre” e o uso de “máscaras de proteção respiratória ao sair de casa”, segundo o Poder360.
A SES-AM e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP) assinaram a Nota Técnica Conjunta nº 22/2026. Segundo a PEBSP, ela recomenda menos tempo no ar poluído e ambientes fechados ou ventilados. Não conseguimos ler o texto completo da nota.
Nenhuma das fontes informa a distância entre esses municípios e Manaus. Também não há tempo de viagem até UBS, a Unidade Básica de Saúde, ou hospitais. Sem esses dados, não dá para medir o acesso em cada cidade.
O que diz a SES-AM: Segundo a NC News, a secretaria orientou, em coletiva de 23 de setembro: “Nos casos considerados leves, a recomendação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou utilizar serviços de telessaúde.” Para sintomas mais intensos, a orientação é buscar “unidades de urgência e emergência”. A redação não localizou posição da SES-AM sobre o alerta de 23 de outubro.
O que isso significa
Os dois órgãos usam listas diferentes. A Defesa Civil mostra onde o ar está ruim. O Ministério da Saúde mostra onde o sistema precisa de apoio, mas sem nomes. Por isso, com os dados públicos, ninguém sabe quantos dos 16 municípios também precisam de reforço no atendimento.
Presença do Estado, nesse caso, exige três coisas: medir o ar em cada cidade, dizer quais unidades precisam de reforço e informar como chegar ao atendimento. As fontes trazem a primeira. A segunda aparece sem nomes. A terceira não aparece.
As fontes também não dizem quando o diagnóstico da FN-SUS será concluído.
Como fizemos: Usamos reportagens publicadas entre 9 e 23 de outubro de 2026, a coletiva da SES-AM de 23 de setembro e uma nota da Agência Gov, acessadas em 24/10/2026. A comparação entre as listas de 9 e 23 de outubro é nossa, feita nome a nome. Não acessamos o boletim original do Cemoa nem o texto completo da Nota Técnica 22/2026; usamos a descrição das reportagens. Não há dados de atendimento por município.
Fontes
- Amazonas tem 16 municípios sob alerta para má qualidade do ar — Amazonas Atual, 23/10/2026 (acesso em 24/10/2026)
- Qualidade do ar preocupa em 16 municípios do Amazonas e Parintins pode atingir nível severo — Portal Dedo Duro, 23/10/2026 (acesso em 24/10/2026)
- Defesa Civil alerta para riscos da fumaça que cobre céu de Manaus — Poder360, 09/10/2026 (acesso em 24/10/2026)
- Ministério da Saúde, em conjunto com o estado e os municípios, monitora a assistência em saúde à população no Amazonas — Agência Gov, 16/10/2026 (acesso em 24/10/2026)
- Incêndios no Amazonas: saiba como a Força Nacional do SUS atua nas cidades — Viva, 19/10/2026 (acesso em 24/10/2026)
- Fumaça em Manaus já causou 132 atendimentos por problemas respiratórios — NC News, 24/09/2026 (acesso em 24/10/2026)
- Aulas suspensas por fumaça em Manaus e Nota Técnica Conjunta nº 22/2026 — PEBSP, 13/10/2026 (acesso em 24/10/2026)
- Smoke in Manaus — Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 24/10/2026)



