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Malária cai 29% no Amazonas e chega ao menor nível desde 2016

Estado registrou 38.149 casos entre janeiro e outubro; tafenoquina chegou a 33 municípios para adultos, mas os dados ainda são preliminares.

Técnica de laboratório com equipamento de proteção preenche documentos ao lado de um microscópio
Antônia Josefa Ozório controlava exames de malária e Covid-19 em unidade fluvial do Amazonas, em registro de junho de 2020.Foto: Gustavo Basso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Amazonas registrou 38.149 casos de malária entre janeiro e outubro de 2026. O número é 29% menor que o do mesmo período de 2025. É o mais baixo para esse intervalo desde 2016, segundo dados preliminares da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP).

A redução representa cerca de 15,6 mil registros a menos na comparação anual. O cálculo parte do percentual informado pela fundação. O estado não divulgou, na mesma nota, o total fechado de 2025 nem a distribuição municipal dos casos deste ano.

Queda não significa eliminação da doença

O balanço foi apresentado na sexta-feira (6), Dia da Malária nas Américas. A apresentação ocorreu durante o encerramento da Reunião Regional sobre Eliminação da Malária nas Américas, promovida pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Brasília.

A FVS-RCP classificou o recuo como o maior dos últimos dez anos. A comparação válida é entre os mesmos dez meses de cada ano. Os números ainda podem passar por revisão porque a fundação os apresentou como preliminares.

Amazonas tem cerca de 15,6 mil casos a menos em dez meses Indicadores divulgados pela FVS-RCP para o período de janeiro a outubro de 2026

Indicador Valor informado
Casos de malária em 2026 38.149
Variação sobre o mesmo período de 2025 -29%
Total aproximado em 2025, calculado pela redação 53,7 mil
Redução aproximada, calculada pela redação 15,6 mil casos
Pessoas tratadas com tafenoquina 14.813

Fonte: FVS-RCP. Os valores de 2025 e da redução absoluta são aproximados e derivados do percentual oficial.

O total estimado para 2025 é de aproximadamente 53,7 mil casos. A diferença até os 38.149 registros atuais mostra a dimensão da melhora, mas não transforma o Amazonas em território livre da doença. A média deste ano ainda é de cerca de 3.815 casos por mês, sem considerar variações sazonais.

Medicamento de menor duração alcança 33 municípios

A fundação também detalhou o uso da tafenoquina, medicamento que oferece uma opção de tratamento de menor duração. A formulação para adultos está disponível em 33 municípios. A versão pediátrica chegou a 27 municípios.

Ao todo, 14.813 pessoas foram tratadas com o medicamento no estado. Esse total equivale a cerca de 39% dos casos registrados nos dez meses, mas os dois números não formam necessariamente o mesmo recorte de pacientes. A FVS-RCP não informou o período de aplicação nem separou os tratamentos por município.

Por isso, os dados não permitem atribuir a queda da malária apenas ao novo medicamento. A própria fundação cita um conjunto de vigilância epidemiológica, inovação, qualificação profissional e trabalho com os municípios. Não foi apresentada uma avaliação que isole o efeito de cada medida.

A geografia do estado ajuda a explicar a atenção à duração do tratamento. Distâncias e dificuldades de deslocamento podem tornar o acompanhamento mais difícil. A gerente de Malária e Outros da FVS-RCP, Myrna Barata, relacionou a implantação da tafenoquina às dificuldades de acesso aos serviços na região.

O que diz a FVS-RCP: “Ainda temos um número expressivo de casos de malária no Amazonas, o que demonstra a importância de manter as ações preventivas”, afirmou o diretor de Vigilância Ambiental, Elder Figueiredo. Ele orienta a população a procurar atendimento diante dos primeiros sintomas e a seguir o tratamento até o fim.

O governador Roberto Cidade atribuiu o avanço ao trabalho dos agentes de endemias, inclusive nas áreas mais distantes. A diretora-presidente da fundação, Tatyana Amorim, destacou o diagnóstico oportuno, o tratamento e a proteção da população. São posições institucionais, não uma comprovação isolada das causas da redução.

O próximo dado relevante será a consolidação do balanço anual. Ele deverá mostrar se a tendência se manteve em novembro e dezembro. A abertura dos números por município também será necessária para identificar onde a transmissão continua mais alta e onde os serviços precisam ser reforçados.

Como fizemos: Conferimos o balanço e as declarações publicados pela FVS-RCP em 7 de novembro de 2026. Estimamos o total de 2025 dividindo 38.149 por 0,71 e calculamos a diferença entre os dois valores. Também dividimos os casos de 2026 por dez e os tratamentos com tafenoquina pelo total de casos. Todas as derivadas são aproximações; os dados oficiais são preliminares e não permitem estabelecer causalidade entre o medicamento e a queda.

Fontes