Sem mortes por malária no 1º semestre, diz Ministério sobre Yanomami
Segundo o Ministério da Saúde, as mortes por desnutrição caíram 75,7% e não houve mortes por malária entre Yanomami de janeiro a junho de 2026.

Entre janeiro e junho de 2026, o Ministério da Saúde não registrou nenhuma morte por malária na Terra Indígena Yanomami. O dado está em balanço divulgado pela pasta em 24 de agosto. É o balanço oficial mais recente sobre a saúde no território que encontramos.
No mesmo comunicado, o governo informa que as mortes por desnutrição caíram 75,7%, em comparação com o primeiro semestre de 2023. Os números indicam melhora. Mas o balanço compara seis meses de 2026 com o mesmo período de 2023, e não traz a série completa de cada ano.
Em 2023, o governo declarou emergência em saúde pública no território, segundo o ministério. Desde então, a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do próprio ministério, coordena o atendimento. Ele é feito pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami e Ye’kwana, estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) que atende as aldeias.
Malária caiu, mas faltam séries completas
Malária é uma doença transmitida por mosquito, que pode matar sem tratamento. Segundo o ministério, foram confirmados 6,8 mil casos entre janeiro e junho de 2026. É uma queda de 50,6% em relação ao mesmo período de 2023. Por nossa conta, isso indica cerca de 13,8 mil casos no primeiro semestre de 2023.
Para o ano inteiro, o dado mais recente que encontramos é de 2024. Segundo reportagem da Folhapress, o ministério registrou 33,3 mil casos naquele ano, com números obtidos pela Lei de Acesso à Informação (LAI). A própria pasta trata esses números como preliminares. Como o período é outro, esse total não pode ser comparado diretamente com os 6,8 mil casos do semestre de 2026.
Em abril, a Agência Gov informou que os óbitos por malária em 2025 foram 80,8% menores do que em 2023. Em agosto, o secretário-executivo da pasta, Adriano Massuda, resumiu o quadro. “Nós vimos uma redução progressiva de óbitos de malária e, este ano, 2026, não registramos nenhum óbito”, disse, segundo a Folha BV.
Desnutrição e mortes em geral
As mortes por desnutrição caíram 75,7% no primeiro semestre de 2026. O acompanhamento nutricional chegou a 84% das crianças, segundo o ministério. Por nossa conta, isso deixa cerca de 16% sem acompanhamento.
Considerando todas as causas, os óbitos caíram de 224 para 158 no mesmo recorte, uma queda de 29,5%. As mortes por infecções respiratórias agudas, como a pneumonia, recuaram 40,8%.
Lideranças dizem que o risco continua
Nem todos avaliam o quadro da mesma forma. Em 23 de outubro, a Rede Pró-Yanomami e Ye’kwana divulgou uma carta do Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana, datada de 19 de outubro. O texto pede: “Não nos deixem morrer de novo”. Segundo a Socioambiental, que publicou a carta, os índices de desnutrição reduziram muito.
A carta também lembra que o garimpo ilegal contaminou os peixes com mercúrio. Uma carta das mulheres Yanomami, de 27 de setembro, descreve o território como “tomado pela desnutrição”. A reportagem não traz contagem de crianças mortas nas cartas.
Em setembro, o ministério levou uma expedição à Polo Base Surucucu, em Alto Alegre (RR), com meta de 750 procedimentos. A ação foi de 23 a 30 de setembro, segundo a Agência Brasil.
O que diz o Ministério da Saúde: em abril, a Agência Gov publicou, a partir de informe da pasta, que as mortes por malária caíram 80,8% com ações do ministério. A secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, afirmou que a saúde Yanomami avança “de forma consistente”.
O que fica em aberto
Os números oficiais mostram queda em mortes e em casos de malária e desnutrição, na comparação com 2023. Ainda falta a série completa. Não localizamos um total oficial de casos de malária de 2025. O balanço de agosto cobre só seis meses de 2026.
A distância também pesa. Segundo a pasta, “forte isolamento geográfico impõem desafios” nas áreas serranas e nas comunidades espalhadas pelo território. O próximo balanço completo dirá se a melhora se mantém no ano inteiro.
Como fizemos: Usamos o comunicado do Ministério da Saúde de 24/08/2026, reportagens de 08/04, 22/08 e 23/09/2026, dados publicados em março de 2025 sobre 2024 e as cartas das lideranças de setembro e outubro de 2026. Acessamos as fontes em 27/10/2026. Os dados de 2026 cobrem janeiro a junho e são comparados ao mesmo período de 2023. Nossos cálculos: a queda de 50,6% sobre 6,8 mil casos indica cerca de 13,8 mil casos em 2023, e 16% é o resto de 84% de cobertura. A queda de 29,5% nos óbitos vem do próprio comunicado. Os dados são preliminares e não permitem comparar o semestre com o ano de 2024. Não enviamos perguntas à pasta antes da publicação; a posição do ministério vem de comunicados públicos.
Fontes
- Mortes por desnutrição caem 75,7% na Terra Indígena Yanomami — Ministério da Saúde, 24/08/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Óbitos por malária na Terra Yanomami caem 80% com ações do Ministério da Saúde — Agência Gov, 08/04/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Sem registro de mortes por malária, Ministério da Saúde diz que saúde Yanomami está em fase de recuperação — Folha BV, 22/08/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Malária chega a 33 mil casos em um ano na Terra Yanomami — Jornal de Brasília (Folhapress), 11/03/2025 (acesso em 27/10/2026)
- Expedição do SUS vai atender indígenas Yanomami em Roraima — Agência Brasil, 23/09/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Em carta ao povo brasileiro, Yanomami e Ye’kwana pedem: “Não nos deixem morrer de novo” — Socioambiental, 23/10/2026 (acesso em 27/10/2026)



