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TCE suspende licitação de R$ 36,2 milhões da Seagro no Tocantins

Cautelar aponta quatro falhas no pregão para locação de estruturas de eventos; secretaria diz que já pediu a suspensão e defenderá o edital.

Ilustração abstrata em verde, amarelo e azul usada como imagem provisória
Ilustração abstrata provisória nas cores verde, amarelo e azul.Ilustração: Imagem provisória

O Tribunal de Contas do Tocantins (TCE) suspendeu uma licitação de R$ 36,2 milhões da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro). A decisão cautelar, uma medida preventiva, foi assinada na sexta-feira (6) pelo conselheiro Severiano Costandrade.

O Pregão Eletrônico nº 02/2026 previa a locação de estruturas temporárias para eventos, com montagem e desmontagem. A abertura estava marcada para 16 de novembro, dez dias depois da decisão. Agora, o processo está parado até julgamento do mérito ou reconsideração.

Quatro falhas aparecem na análise técnica

A Coordenadoria de Análise de Atos, Contratos e Fiscalização de Obras e Serviços de Engenharia (CAENG) apontou problemas no planejamento e nas regras de participação. O órgão não afirmou que houve desvio de dinheiro. A análise trata da legalidade do edital e da competitividade da disputa.

O TCE reuniu quatro problemas no pregão de R$ 36,2 milhões Apontamentos técnicos que motivaram a decisão cautelar de 6 de novembro

Ponto do edital Problema identificado
Registro de preços Ausência de regras obrigatórias
Cotação Falta de definição das quantidades mínimas
Planejamento Documentos insuficientes para justificar os quantitativos
Qualificação técnica Exigências que podem restringir a concorrência

Fonte: Tribunal de Contas do Tocantins, processo nº 8578/2026 e despacho nº 1363/2026.

O Sistema de Registro de Preços reúne fornecedores e condições para contratações posteriores. Por isso, o valor estimado não representa um pagamento imediato nem comprova gasto realizado. A suspensão impede que o certame avance antes dos esclarecimentos.

Um problema central é a falta de comprovação das quantidades. A Seagro citou contratações anteriores, mas não apresentou documentos suficientes sobre os serviços efetivamente usados. Sem esse histórico, o TCE considerou que a demanda atual não estava adequadamente justificada.

Secretaria defende planejamento para feiras de 2027

A análise também questionou a exigência de profissionais de engenharia civil, elétrica, mecânica, ambiental e de segurança do trabalho. Segundo o TCE, o edital não explicou por que cada especialidade seria necessária. A ausência de justificativa pode afastar empresas aptas a competir.

Em nota divulgada pelo G1, a Seagro informou que já pediu à Secretaria da Fazenda a suspensão da licitação. A pasta disse que os quantitativos foram estimados pela demanda e pela experiência de edições anteriores. Também afirmou que o edital seguiu normas de compras públicas e recebeu pareceres dos órgãos competentes.

A licitação atenderia feiras previstas para 2027, entre elas a Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins), prevista para maio. Segundo a secretaria, a antecipação daria tempo para contratar, montar as estruturas e realizar vistorias. A exigência de equipe especializada teria como objetivo cuidar da segurança das instalações temporárias.

A resposta apresenta a finalidade do planejamento, mas não elimina os questionamentos por si só. O TCE avaliará as justificativas e os documentos que forem apresentados. A decisão atual não é um julgamento definitivo do mérito.

O que diz a Seagro: a secretaria informou que solicitou a suspensão para avaliar os apontamentos e que os quantitativos foram baseados na demanda e em eventos anteriores. Segundo a pasta, a antecipação visava garantir contratação, montagem e vistorias, e a equipe técnica foi exigida pela segurança das estruturas.

Os responsáveis têm 24 horas após receberem a decisão para comprovar a paralisação do pregão e de qualquer ato relacionado. Também terão cinco dias para apresentar esclarecimentos. O prazo curto de comprovação começa com a ciência oficial, não com a publicação da notícia.

O processo seguirá para manifestações da área técnica e do Ministério Público de Contas. Depois, será submetido ao Pleno do TCE. O próximo passo é verificar se a Seagro apresentará os documentos sobre quantidades e especialidades ou se o edital será reformulado.

Como fizemos: Conferimos a nota do TCE, os números do processo e do despacho e a resposta integral da Seagro publicada pelo G1. Calculamos os dez dias entre 6 e 16 de novembro. Separamos suspeitas sobre o edital de fatos comprovados e não tratamos o valor estimado como pagamento realizado.

Fontes