Cada distrito indígena tem, em média, 30 UBSI e duas Casai
Em setembro de 2025, a rede de 34 distritos tinha 1.008 UBSI e 70 Casai para mais de 762 mil indígenas aldeados.

Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde contou as unidades do subsistema de saúde indígena. Eram 1.008 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e 70 Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casai). Divididos pelos 34 distritos do sistema, esses números dão, em média, 30 UBSI e duas Casai por distrito.
Quando o paciente precisa de tratamento na cidade, a rede depende de poucas unidades. Esta reportagem fez a conta com os números oficiais e os cruzou com o Censo de 2022.
Em setembro de 1999, a Lei 9.836 criou, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, o SasiSUS. A lei, conhecida como Lei Arouca, acrescentou um capítulo à Lei 8.080, de 1990, a Lei Orgânica da Saúde. Pela lei, a União financia o subsistema com recursos próprios, e o atendimento deve respeitar a realidade local e a cultura de cada povo.
Desde 2010, a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, administra o sistema. Antes, a tarefa era da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Segundo o ministério, a Sesai atende mais de 762 mil indígenas que vivem em aldeias.
Os 34 distritos
A base do sistema são os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Eles seguem critérios étnico-culturais, geográficos e populacionais, e não as divisas de estados e municípios. Cada um deve prestar atenção básica na sua área. Casos de média e alta complexidade seguem para a rede do SUS, articulada com estados e municípios.
Dividindo os 762 mil aldeados pelos 34 distritos, a média fica em cerca de 22 mil pessoas por distrito. A rede tem mais de 22 mil profissionais, e 52% são indígenas, segundo o ministério. Isso dá cerca de 29 profissionais para cada mil aldeados, mas a média esconde diferenças entre distritos. A tabela mostra as médias.
Em média, cada distrito indígena tem 30 UBSI e duas Casai Unidades do subsistema de saúde indígena e média por distrito, 34 DSEIs, setembro de 2025
| Unidade | Total | Média por distrito |
|---|---|---|
| UBSI (postos nas aldeias) | 1.008 | 30 |
| Polos-base | 266 | 8 |
| Casai (casas de apoio) | 70 | 2 |
| Distritos sanitários (DSEI) | 34 | — |
Fonte: Ministério da Saúde, via Agência Gov (setembro de 2025). Médias calculadas pela redação e arredondadas. Elaboração: redação.
Postos, polos e Casai
As UBSI são os postos de saúde das aldeias, dentro das terras indígenas. Ali atuam agentes indígenas de saúde e Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI), com médicos, enfermeiros, dentistas e técnicos. Os polos-base são subdivisões territoriais do DSEI, e eram 266 em setembro de 2025, segundo o ministério. Alguns ficam em terras indígenas e também prestam atendimento; outros ficam no município de referência e organizam o serviço.
Em julho de 2026, a Portaria GM/MS 11.925 atualizou os padrões físicos dessas unidades. A norma passou a dimensionar as UBSI pela população de cada aldeia e a classificar as Casai em níveis local, regional e nacional. Também criou novos tipos de unidade, como o Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI).
Para o tratamento na cidade, entra a Casai. Ela recebe o paciente e o acompanhante e dá suporte enquanto ele faz consultas e exames na rede do SUS. São 70 unidades no país, ou cerca de duas por distrito. Outras publicações, de outras datas, trazem totais diferentes de polos e UBSI.
Quem fiscaliza
Cada distrito tem um Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi). Pelo Decreto 3.156, de 1999, o conselho é paritário: de um lado, representantes dos usuários, indicados pelas comunidades; do outro, representantes do governo, de prestadores e de trabalhadores. O conselho aprova o plano de saúde do distrito e avalia a execução das ações. Os planos distritais de 2024 a 2027 estão no portal da Sesai, com população, unidades e metas de cada DSEI.
O que diz o Ministério da Saúde: Em seu portal, o ministério afirma que a Sesai coordena e executa a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e faz a gestão do SasiSUS. Segundo o texto, a secretaria promove atenção primária e saneamento de forma diferenciada, respeitando as especificidades de cada povo. Fonte: página institucional da Sesai no portal gov.br, acessada em 21 de outubro de 2026.
O que isso significa
A rede tem muitas unidades nas aldeias e poucas casas nas cidades. O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contou 1,69 milhão de indígenas, e 54% deles viviam em áreas urbanas. Como a Sesai conta os aldeados, quem mora na cidade fica, em princípio, fora desse número.
Quem precisa de tratamento fora da aldeia depende das Casai e da rede geral do SUS. Na Amazônia, a distância é o maior desafio do sistema, e muitas aldeias só são alcançadas de barco ou de avião. As fontes consultadas não trazem tempo de viagem nem fila por distrito, por isso não dá para medir se o atendimento chega a tempo.
Como fizemos: As médias usam os números do Ministério da Saúde para setembro de 2025 e o total do Censo 2022 do IBGE. Totais de unidades, profissionais e aldeados foram divididos pelos 34 distritos e arredondados. Publicações de outras datas podem trazer contagens diferentes; por isso, todas as médias têm setembro de 2025 como referência. Os dados não mostram tempo de viagem, demanda por unidade nem distribuição de pacientes entre distritos.
Correção: uma versão anterior deste texto dizia que a lei garante a participação indígena nos conselhos de saúde e omitia os prestadores de serviço entre os membros do Condisi. Essa regra está no Decreto 3.156, de 1999, e não na Lei 9.836.
Fontes
- Lei nº 9.836, de 23 de setembro de 1999 — Planalto
- Lei nº 9.836, de 23 de setembro de 1999 — Câmara dos Deputados (publicação original)
- Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 — Planalto
- Decreto nº 3.156, de 27 de agosto de 1999 — LegisWeb (acesso em 21/10/2026)
- Decreto nº 7.336, de 19 de outubro de 2010 — Planalto
- Decreto nº 7.336 cria a Sesai e formaliza a transferência da gestão da Funasa — CONASS
- Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) — Ministério da Saúde (acesso em 21/10/2026)
- Planos Distritais de Saúde Indígena 2024-2027 — Sesai (acesso em 21/10/2026)
- Avanços e tradição fortalecem a construção da saúde indígena no Brasil — Agência Gov (acesso em 21/10/2026)
- Portaria GM/MS nº 11.925, de 3 de julho de 2026 — cópia do Diário Oficial em Atlas Público (acesso em 21/10/2026)
- Portaria GM/MS nº 2.656, de 17 de outubro de 2007 — MPF
- Portaria nº 70/GM — MPF
- Chamamento público Sesai nº 23/2025, termo de referência — Ministério da Saúde
- Censo 2022: população indígena é mais urbana que rural — IBGE, reproduzido pelo JB (acesso em 21/10/2026)
- Diário Oficial da União — Imprensa Nacional


