Presença do Estado

Pará tem 5,8% de desemprego e 1 milhão de vínculos

Fapespa registra 3,79 milhões de ocupados no fim de 2025; três setores concentram 53,3% e trabalho por conta própria segue em 30,3%.

Barcos de pesca diante do mercado Ver-o-Peso, em Belém, com pessoas e veículos na orla
Porto de pesca e mercado Ver-o-Peso, em Belém, em agosto de 2009; comércio é o maior setor de ocupação no boletim.Foto: Cayambe / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O Pará terminou 2025 com 3,79 milhões de pessoas ocupadas. A taxa de desemprego foi 5,8%, segundo boletim divulgado nesta quarta-feira (28) pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). A Relação Anual de Informações Sociais (Rais) registrou 1.000.816 vínculos formais no estado.

O levantamento também aponta alta de 14,6% no rendimento médio mensal, de R$ 2.171 para R$ 2.487. A página de divulgação não informa o período dessa comparação. Por isso, o aumento não deve ser atribuído automaticamente ao último ano.

Comércio e serviços lideram a ocupação

O comércio reuniu 793 mil ocupados em 2025, ou 20,9% do total. Administração pública, educação, saúde e serviços sociais somaram 673 mil, equivalentes a 17,7%. A agropecuária aparece com 558 mil, ou 14,7%.

Juntos, esses três grupos concentram 53,3% das ocupações paraenses. O resultado mostra o peso do comércio e dos serviços em um estado cuja economia também depende de mineração e atividades agropecuárias.

Três grupos reúnem mais da metade das ocupações Pessoas ocupadas por setor no Pará, em 2025

Setor Ocupados Participação
Comércio 793 mil 20,9%
Administração pública, educação, saúde e serviços sociais 673 mil 17,7%
Agropecuária 558 mil 14,7%
Total dos três grupos 2,024 milhões 53,3%

Fonte: Fapespa, com dados da PNAD Contínua. Elaboração: redação.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua mede a população ocupada por meio de entrevistas domiciliares. A Rais reúne registros administrativos de vínculos formais. As duas fontes têm coberturas e conceitos diferentes, e seus totais não devem ser comparados como se medissem o mesmo universo.

Emprego formal cresce, mas conta própria segue alta

Os vínculos formais aumentaram 3,1% em relação a 2024. Serviços concentraram 404.249 deles, ou 40,4%. O comércio aparece com 272.239, equivalentes a 27,2%. Os vínculos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho eram 97,7% do total registrado pela Rais.

Na PNAD, os empregados do setor privado passaram de 37,9% dos ocupados em 2012 para 42,3% em 2025. O trabalho por conta própria, porém, permaneceu elevado, em 30,3%. Esse dado impede resumir a recuperação apenas como avanço da formalização.

A população ocupada cresceu 15,5% entre o quarto trimestre de 2012 e o mesmo período de 2025. Passou de 3,282 milhões para 3,790 milhões. O desemprego de 5,8% no fim de 2025 fica abaixo dos picos de 13,9% no início de 2017 e 13,8% no início de 2021.

Qualificação avança sem apagar baixas remunerações

O número de ocupados com ensino médio completo passou de 862 mil para 1,368 milhão. Aqueles com ensino superior completo aumentaram de 240 mil para 547 mil. A comparação usa os mesmos anos extremos do levantamento de ocupação.

A Fapespa ressalva que ocupações elementares e de baixa remuneração persistem. O boletim também destaca 2,1 milhões de beneficiários do Bolsa Família em idade de trabalho em 2025. Assistência e emprego não são categorias excludentes, e os números não permitem concluir que todos esses beneficiários estejam fora do mercado.

O que diz a Fapespa: o economista Victor Oliveira afirma que o estado vive forte recuperação, mas precisa transformar crescimento em inclusão produtiva de maior qualidade. A fundação destaca a queda do desemprego e alerta para a persistência de vínculos de menor qualidade no boletim.

O que vem a seguir

O próximo acompanhamento deverá mostrar se a renda e a formalização continuam avançando em 2026. Também será necessário detalhar o período da alta de 14,6% no rendimento para interpretar corretamente o ganho.

Os dados disponíveis indicam recuperação do emprego, mas não encerram a discussão sobre qualidade do trabalho. Conta própria, remuneração e qualificação precisam ser lidas junto com a taxa de desemprego.

Como fizemos: Usamos o Boletim Trabalho e Renda 2026 divulgado pela Fapespa em 28/10/2026, com dados da PNAD Contínua, Rais e Cadastro Único. Somamos as três participações setoriais para obter 53,3% e os ocupados para chegar a 2,024 milhões. Não calculamos variação real da renda nem comparamos diretamente PNAD e Rais porque os períodos e conceitos diferem.

Fontes