Defesa do território

Forças Armadas neutralizaram 62 dragas em cinco semanas na Amazônia

Entre 6 de abril e 13 de maio, militares de três Forças atuaram no Amazonas. Veja o que a operação entregou e o que a lei permite às Forças Armadas.

Militar da Marinha, de capacete e rosto coberto, vigia ao lado de uma metralhadora montada em embarcação que navega por um rio cercado de mata
Militar da Marinha em embarcação durante a Operação Ágata Amazônia de 2024; a foto é de arquivo e não é da edição de 2026.Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Em 14 de maio de 2026, o Comando Conjunto Harpia apresentou em Manaus o balanço da Operação Ágata Amazônia 2026. A operação começou em 6 de abril. Foram 37 dias de ações, com entre 1,6 mil e 2,1 mil militares de três Forças.

Os números são concretos. Mas o balanço não traz o custo da operação.

O Comando Conjunto Harpia reúne Marinha, Exército e Força Aérea Brasileira (FAB) sob uma mesma direção na Amazônia. O Ministério da Defesa coordena a operação. A Ágata mira crimes transfronteiriços, que atravessam a fronteira, e crimes ambientais, como o garimpo ilegal, a mineração de ouro sem autorização.

O que a operação entregou

Segundo o Portal Nortão, foram 62 dragas neutralizadas. Cinquenta delas foram inutilizadas numa única ação no Alto Solimões, no início de maio. Dragas são máquinas que extraem ouro dos leitos dos rios.

Também foram apreendidas mais de 15 toneladas de drogas. Cerca de 14 toneladas de maconha skunk foram encontradas às margens do Rio Javari, em território peruano, segundo o Portal Nortão e a Vanguarda do Norte. Foram ainda 23 armas de fogo e mais de 3 mil munições.

No lado social, o balanço fala em mais de 16 mil atendimentos de saúde, cerca de 80 mil medicamentos e 862 kits odontológicos, em 29 comunidades. Um gerador reparado em Acariquara restabeleceu a energia de 189 moradores.

Balanço registra 62 dragas e mais de 15 toneladas de drogas apreendidas Números divulgados em 14 de maio de 2026, para o período de 6 de abril a 13 de maio

Resultado Quantidade
Dragas de garimpo ilegal neutralizadas 62
Drogas apreendidas (toneladas) Mais de 15
Armas de fogo apreendidas 23
Atendimentos de saúde Mais de 16 mil
Militares empregados 1.638 no início; mais de 2.100 no balanço

Fonte: Portal Nortão e Vanguarda do Norte, com base no balanço do Comando Conjunto Harpia. Elaboração: redação.

Os valores em dinheiro são mais difíceis de conferir. Em 5 de maio, a Marinha informou prejuízo de R$ 151 milhões ao garimpo ilegal, segundo o 18horas. Depois, o mesmo site relatou prejuízo superior a R$ 1 bilhão, sem detalhar a conta.

O que a lei permite

A base legal é o artigo 16-A da Lei Complementar (LC) 97, de 1999. O texto diz que cabe às Forças Armadas, como atribuição subsidiária, atuar “na faixa de fronteira terrestre, no mar e nas águas interiores” contra “delitos transfronteiriços e ambientais”. Subsidiária quer dizer complementar, não principal.

As ações previstas são patrulhamento, revista de pessoas, veículos, embarcações e aeronaves, e prisões em flagrante. O mesmo artigo ressalva as competências exclusivas das polícias judiciárias, como a Polícia Federal (PF).

A aplicação da regra é debatida. Um artigo do Ambito Jurídico relata três correntes: uma considera a regra inconstitucional, outra a considera válida, e a terceira a aceita com ressalvas, para emprego episódico e de duração mínima.

Uma operação não é presença permanente

A edição de 2026 durou 37 dias. O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) começou em 2010 e tem conclusão prevista para 2035, segundo o Correio do Estado.

Em dezembro de 2020, o Exército informou que R$ 2,6 bilhões dos R$ 12 bilhões previstos tinham sido disponibilizados. É o dado mais recente com percentual oficial que encontramos.

A comparação é de tempo e de escala. A operação entrega números em semanas. O sistema depende de recursos que se estendem por anos, e o próprio Exército reprogramou o prazo.

O que isso significa

Os resultados da Ágata foram publicados com datas e quantidades e permitem medir o que foi feito em cinco semanas. O efeito duradouro, porém, não aparece no balanço.

A continuidade da presença do Estado depende de estrutura e orçamento que ultrapassem o período da operação.

O que diz o Comando Conjunto Harpia: Segundo o balanço de 14 de maio, reportado pelo Portal Nortão, a operação combinou repressão a crimes com atendimento a comunidades isoladas.

Como fizemos: A análise usa o balanço da Operação Ágata Amazônia 2026 divulgado em 14 de maio, reportado pelo Portal Nortão e pela Vanguarda do Norte, e reportagens do 18horas. O período de 37 dias vai de 6 de abril a 13 de maio. O número de militares é apresentado como faixa porque as fontes citam 1.638 no início e mais de 2.100 no balanço. Os valores de prejuízo são mantidos separados porque as estimativas divergem.

Fontes