Defesa do território

Forças Armadas só entram na eleição por pedido da Justiça Eleitoral

Decreto de julho autoriza militares na eleição, mas o TSE aprova cada pedido; 15 cidades do RJ e 7 do RN já têm aval para o 2º turno.

Quatro militares armados em um barco de metal num rio amazônico, com um navio-patrulha da Marinha ao fundo
Militares do Exército e da Marinha durante a Operação Ágata Amazônia, em 23 de maio de 2023. A foto não mostra ação eleitoral.Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Na segunda-feira (19), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou o envio de forças federais a sete municípios do Rio Grande do Norte para o segundo turno, em 25 de outubro. A relatoria foi do ministro Nunes Marques, segundo o Diário do RN. Forças federais são tropas das Forças Armadas, como Exército, Marinha e Aeronáutica.

Para o leitor da Amazônia, a pergunta é outra: quem pede, quem aprova e o que os militares fazem nas áreas sem estrada.

Quem pede e quem aprova

O Decreto nº 13.073, publicado no Diário Oficial da União em 21 de julho, autoriza o emprego das Forças Armadas “para garantir a votação e a apuração”. Ele também permite o “apoio logístico nas eleições de 2026”.

Pelo decreto, as localidades e o período de atuação seguem os “termos de requisição do Tribunal Superior Eleitoral”. Na prática, o tribunal regional (TRE) faz o pedido, e o TSE aprova. Depois, o Ministério da Defesa planeja e executa a operação, segundo o Diário do Pará.

O TRE-RJ é um exemplo. Em 15 de outubro, pediu apoio para 15 municípios da região metropolitana do Rio. O presidente do tribunal falou em “grave e continuada ameaça ao livre exercício do voto”, ligada ao controle armado de áreas por facções e milícias, segundo a Agência Brasil. O TSE aprovou o pedido, segundo o Agenda do Poder, em reportagem de 20 de outubro. A lista inclui Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Belford Roxo, Niterói e São Gonçalo.

Segurança ou logística

A primeira função é a segurança. No pedido do TRE-RJ, os militares patrulhariam as 15 cidades listadas.

A segunda é a logística. Nela, os militares levam urnas, equipamentos e equipes da Justiça Eleitoral a lugares de difícil acesso. Segundo o Portal Amazônia, isso inclui “aeronaves, embarcações e viaturas militares”. A Lei 6.091/1974 deixa veículos de uso militar fora da frota pública que a Justiça Eleitoral pode usar. Por isso, o apoio militar depende do decreto e do pedido.

A Amazônia nos números

Militares e locais no 1º turno; pedidos do 2º turno Contagens do 1º turno (4/10/2026) e pedidos do 2º turno, até 21/10/2026

Dado Número
Militares mobilizados no 1º turno 26,5 mil
Municípios com atuação de garantia do voto (1º turno) 482
Locais de votação cobertos (1º turno) 8.827
Municípios do RN aprovados para o 2º turno 7
Municípios do RJ aprovados para o 2º turno 15

Fonte: TSE, via SBT News (3/10/2026); Diário do RN (21/10/2026); Agência Brasil, via Tribuna do Sertão (15/10/2026). Elaboração: redação.

Pelo levantamento do Diário do Pará, o apoio logístico do 1º turno incluiu Acre, Amazonas, Amapá e Roraima. Os outros estados foram Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Segundo O Liberal, no Pará 55 locais de votação dependiam de transporte aéreo no 1º turno, 25 deles em aldeias indígenas. A reportagem não diz quem fornece as aeronaves.

As reportagens citadas não apresentam uma lista de municípios amazônicos com tropas aprovadas para o 2º turno.

O que diz o TSE: Em comunicado sobre o 1º turno, citado pelo SBT News, o tribunal afirmou que o emprego das Forças Armadas ocorre “mediante requisição da Justiça Eleitoral e com autorização presidencial”. A finalidade, segundo o TSE, é “contribuir para a preservação da ordem pública, a normalidade dos trabalhos eleitorais e o livre exercício do voto”.

O que isso significa

O caminho é claro: pedido do TRE, aval do TSE, operação do Ministério da Defesa. Na Amazônia, o apoio citado nas reportagens é sobretudo logístico. Em áreas sem estrada, o voto depende de avião, barco e viatura militar.

Ainda falta saber quais cidades amazônicas terão apoio militar no domingo, e se ele será só logístico.

Como fizemos: A análise usa o Decreto nº 13.073/2026, a Lei 6.091/1974 e reportagens sobre os pedidos e as operações eleitorais. Os números de militares, municípios e locais são identificados pelo turno a que pertencem e não foram somados. A cobertura do segundo turno é apresentada apenas para os municípios citados nas reportagens.

Fontes