Em Belém, Brasil, Peru e Colômbia discutiram narcossubmarinos e rios
Rios formam 67% da fronteira com o Peru e 49% da fronteira com a Colômbia, mas as fontes públicas não dizem quantas patrulhas navais atuam neles.

Entre 14 e 16 de abril de 2026, Belém (PA) sediou a VI Reunião Tripartite sobre aplicação da lei nos rios da Bacia Amazônica. Militares, policiais e diplomatas de Brasil, Peru e Colômbia participaram, além de representantes da Organização das Nações Unidas (ONU).
O foco foi o narcotráfico. Segundo a Agência Marinha de Notícias, citada pelo Portal Amazônia, a coordenadora regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Francesca Caonero, fez um alerta. Os grupos, segundo ela, expandiram-se para o Suriname e a Guiana, usando semissubmersíveis.
Semissubmersível é uma embarcação que navega quase toda submersa. Quando serve ao tráfico, a imprensa costuma chamá-la de narcossubmarino. A pergunta deste texto é o que a presença fluvial da Marinha consegue cobrir, e o que não cobre.
O caso de Chaves
Em 31 de maio de 2025, a Polícia Federal (PF), a Marinha e a Força Aérea Brasileira (FAB) apreenderam uma semissubmersível em Chaves, no Arquipélago do Marajó (PA). Segundo o Diário do Pará, a embarcação estava na fase final de construção e não tinha droga a bordo. Uma pessoa foi presa por porte ilegal de arma de fogo.
O delegado Fernando Casarin, chefe regional da PF no Pará, disse que as características indicam que o barco foi feito para transportar droga. Segundo o Portal Amazônia, a PF estima que ele poderia levar até sete toneladas de cocaína.
As reportagens divergem sobre a origem da informação. O Portal Amazônia atribui a localização da embarcação à análise de imagens de satélite. Uma legenda de foto citada pela mesma reportagem diz que a Marinha fez a apreensão.
Quanto da fronteira é rio
Os números de extensão mostram o tamanho do desafio. A fronteira do Brasil com o Peru tem 2.995,3 km, e 2.003,1 km são por rios e canais. Com a Colômbia, são 1.644,2 km, dos quais 808,9 km por rios e canais.
Fronteiras amazônicas: quanto é rio Extensão total e trecho por rios e canais, em km, com a parcela calculada pela redação
| País | Total | Por rios e canais | Parcela fluvial |
|---|---|---|---|
| Peru | 2.995,3 | 2.003,1 | 67% |
| Colômbia | 1.644,2 | 808,9 | 49% |
Fonte: Portal Amazônia, dados publicados em 24/05/2022. Parcela: cálculo da redação.
Nossa conta dá cerca de 992 km de fronteira seca com o Peru e cerca de 835 km com a Colômbia. Nesses trechos, a patrulha de rio não chega. Ter o rio como fronteira não significa ter barco em cada margem.
O limite também está no combustível. Segundo o Diário do Pará, o comandante do Grupamento de Patrulha Naval do Norte disse que a autonomia de uma embarcação depende do combustível e dos mantimentos disponíveis.
Cooperação no papel
Em 14 de janeiro de 2026, Brasil e Colômbia formalizaram um protocolo bilateral para troca de informações de inteligência, apoiado pelo UNODC, segundo a Diálogo Américas. A própria reportagem diz que o acordo formaliza um sistema que já existia.
A Marinha colombiana confirmou a participação de sua força naval da Amazônia na reunião de abril. Segundo comunicado de 29 de abril, a delegação foi chefiada pelo contra-almirante Alfonso Córdoba García, e houve troca de informação estratégica. Pelo Peru, participou a Polícia Nacional, segundo o Portal Amazônia.
O que diz a Marinha do Brasil: Segundo a Agência Marinha de Notícias, citada pelo Portal Amazônia, o vice-almirante Adriano Marcelino Batista, comandante do 4º Distrito Naval, disse que o uso dos rios pelo narcotráfico tem, na região portuária, seu ponto de ligação. Não encontramos divulgação pública da Marinha que detalhe novas patrulhas ou meios para 2026.
O que fica em aberto
Três pontos ficam sem resposta nas fontes consultadas. O primeiro é quantas embarcações a Marinha mantém nos rios em 2026. O segundo é o texto do protocolo de janeiro, que não localizamos em versão pública. O terceiro é o andamento da investigação de Chaves, sem resultado publicado até agora.
Os dados apontam uma conclusão. Os rios cobrem a maior parte da fronteira com o Peru, o que favorece a patrulha fluvial. Mas a cobertura depende de combustível, de barcos e de cooperação, e os trechos por terra ficam fora dela.
Como fizemos: Usamos reportagens do Portal Amazônia (22/04/2026) e do Diário do Pará (06/06/2025), o comunicado da Marinha colombiana (29/04/2026) e a reportagem da Diálogo Américas (29/04/2026), acessados em 25/10/2026. Os números de extensão da fronteira vêm do Portal Amazônia, com dados de 2022. As parcelas fluviais e os trechos terrestres são cálculos da redação sobre esses números. Não conseguimos acessar o site da Marinha, por isso não usamos notas oficiais originais além das citadas. Confirme os limites no IBGE ou no Itamaraty antes de reutilizar os números.
Fontes
- Brasil, Peru e Colômbia intensificam cooperação contra crime organizado na Amazônia — Portal Amazônia, 22/04/2026 (acesso em 25/10/2026)
- Colombian Navy participates in tripartite meeting to strengthen security in the Amazon basin — Armada da Colômbia, 29/04/2026 (acesso em 25/10/2026)
- Colombia and Brazil cooperation in the Amazon delivers results against transnational crime — Diálogo Américas, 29/04/2026 (acesso em 25/10/2026)
- Autoridades detalham interceptação de semissubmarino no Marajó — Diário do Pará, 06/06/2025 (acesso em 25/10/2026)
- Saiba quais estados da Amazônia brasileira fazem fronteira com a Amazônia Internacional — Portal Amazônia, 24/05/2022 (acesso em 25/10/2026)



