Fronteiras

Dólar a R$ 5,40 encarece as compras do brasileiro na fronteira

O dólar fechou a R$ 5,4029 na segunda-feira (26), e a compra do outro lado da fronteira, com cota de US$ 500 por terra, ficou mais cara em reais.

Ponte da Amizade sobre o Rio Paraná, com um ônibus com a placa 'Ciudad del Este' e carros em fila, e a cidade paraguaia ao fundo
Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Ciudad del Este (Paraguai), em foto de janeiro de 2010; a imagem não mostra o câmbio de hoje.Foto: Rodrigo Yoshioka / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (26), o dólar fechou a R$ 5,4029, com alta de 8,21%, segundo a BPMoney. A moeda subiu um dia depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, disputado no domingo (25).

Para quem compra do outro lado da fronteira, a alta muda a conta. O câmbio, ou seja, o preço de uma moeda em outra, define quantos reais custa cada dólar gasto.

O dólar chegou a R$ 5,6049 nos primeiros minutos do pregão, com alta de 12,25%, segundo a Money Times. A Bolsa caiu 13,88%, aos 176.608,23 pontos, no mesmo dia, de acordo com a mesma reportagem.

Por que a fronteira sente o câmbio

Em Ciudad del Este, no Paraguai, os brasileiros são os principais compradores. Em agosto de 2024, Walter Fernández, presidente da associação de cambistas da cidade, disse ao ABC Color que, quando o real se desvaloriza, a mercadoria sobe de preço para o brasileiro.

A explicação é simples. Os produtos são cotados em dólar. Quando a moeda brasileira perde força, o comprador precisa de mais reais para levar o mesmo produto.

A cota é fixa em dólar, e o real é que muda

A Receita Federal fixa a cota de isenção em dólar. Por via aérea ou marítima, o limite é de US$ 1.000. Por outras vias, como a terrestre, é de US$ 500 para cada viajante, concedida a cada intervalo de 30 dias, segundo o Guia do Viajante do órgão.

Quem passa do limite paga imposto de 50% sobre o excedente, segundo nota da Receita de 21 de julho de 2022.

O valor em reais é que muda. Com o dólar a cerca de R$ 4,99 antes da alta, US$ 500 equivalem a cerca de R$ 2.497. Com o dólar a R$ 5,4029, equivalem a cerca de R$ 2.701. Esse é um cálculo nosso, a partir do fechamento anterior implícito na alta de 8,21%.

Para o comprador, um produto de US$ 500 fica cerca de R$ 204 mais caro. A conta não inclui taxa de câmbio, cartão ou frete.

O que ainda não se sabe

Até a publicação, não encontramos reportagem de 2026 que meça o efeito da alta sobre as compras em Ciudad del Este, Foz do Iguaçu, Ponta Porã ou Pacaraima. Também não localizamos dados de movimento de compradores neste ano. O que este texto descreve é o mecanismo, não um número local.

Do outro lado, a conta é inversa. Um real mais fraco barateia o produto brasileiro para quem recebe em dólar. Esse é o efeito esperado, não um dado medido aqui. Ao mesmo tempo, o dólar mais caro encarece importados vendidos no Brasil, o que pesa no orçamento das famílias de cidades de fronteira.

Um dia de alta não define uma tendência. O dólar pode recuar ou subir mais, e moedas e ações podem perder valor. Pânicos de mercado também podem se aprofundar. Para o morador da fronteira, a conta final depende do câmbio do dia da compra e da cota em dólar.

O que diz a Receita Federal: no Guia do Viajante, o órgão fixa a cota de US$ 1.000 para chegada por via aérea ou marítima e de US$ 500 para as demais vias. Não encontramos manifestação pública da Receita sobre o câmbio e as compras de fronteira até a publicação.

Como fizemos: Usamos as reportagens da BPMoney e da Money Times de 26/10/2026, acessadas em 26/10/2026, para o fechamento do dólar (R$ 5,4029, alta de 8,21%) e a máxima (R$ 5,6049). O Ibovespa (queda de 13,88%) vem da Money Times; outras reportagens citam 13,43%. O fechamento de cerca de R$ 4,99 é cálculo nosso (5,4029 dividido por 1,0821). Os valores em reais da cota são cálculos nossos, sem taxas, cartão ou frete. Usamos o Guia do Viajante da Receita, atualizado em 27/01/2026, acessado em 26/10/2026, e a nota da Receita de 21/07/2022. Não localizamos dados de 2026 sobre o fluxo de compradores na fronteira.

Fontes