Rios e estradas

BR-319: LCM vence lote de R$ 356 milhões; asfalto depende do Ibama

A LCM venceu o Lote 06 da BR-319 por R$ 356,2 milhões. A pavimentação do trecho do meio ainda aguarda licença de instalação do Ibama.

Estrada de terra vermelha em obra, com dois caminhões, uma escavadeira e manilhas de concreto empilhadas à direita
Obras na BR-319 em 2009, com caminhões e escavadeira em trecho de terra; a foto é antiga e não mostra o estado atual dos lotes contratados em 2026.Foto: Ben Sutherland / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 1º de outubro, o Diário Oficial da União publicou a homologação do Lote 06 da BR-319, no Amazonas. O trecho vai do quilômetro 250,7 ao 346,2, cerca de 95,5 quilômetros. A empresa LCM Construção e Comércio venceu o pregão com proposta de R$ 356,2 milhões.

No dia 19, Flávio Bolsonaro discursou em Manaus. Segundo o jornal O Tempo, ele disse: “A BR-319 vai sair.” A rodovia liga Manaus a Porto Velho em cerca de 900 quilômetros, e cerca de metade dela não tem pavimento, segundo a Bloomberg Línea.

Dois lotes da LCM somam R$ 758,6 milhões em 182 km Valores em reais, sem correção pela inflação; trechos em quilômetros da rodovia

Item Trecho Valor Situação
Pregão 90130/2026-01, Lote 06 km 250,7 a 346,2 (95,5 km) R$ 356,2 mi Homologado; aviso no DOU de 1/10/2026
Contrato 598/2026, Lote 5.A km 346,2 a 433,1 (86,9 km) R$ 402,5 mi Assinado em 17/9/2026; extrato no DOU de 18/9
Pontes sobre três igarapés km 575,7; 590,1; 601 Não informado Licença de instalação do Ibama, de maio de 2026, válida por três anos

Fonte: Atlas Público (extratos do DOU de 1/10 e 18/9/2026); Agência iNFRA (maio de 2026). Elaboração: redação.

Somados, os dois lotes chegam a R$ 758,6 milhões para 182,4 quilômetros. Pela nossa conta, o Lote 06 custa cerca de R$ 3,7 milhões por quilômetro, e o Lote 5.A, cerca de R$ 4,6 milhões. Só o Lote 5.A tem contrato assinado confirmado.

Liminar suspendeu, e depois liberou

Em abril, a Associação Laboratório do Observatório do Clima entrou com ação civil pública contra os editais. A 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas suspendeu os quatro pregões eletrônicos, que cobrem do quilômetro 250,7 ao 590,1, com 339,4 quilômetros. A homologação do Lote 06 foi decidida pelo superintendente regional do DNIT no Amazonas, com base na Lei 14.133, de 2021.

Em 28 de abril, a presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), desembargadora Maria do Carmo Cardoso, suspendeu essa liminar. Segundo a Agência iNFRA, a decisão não autoriza intervenções fora da plataforma já implantada e da faixa de domínio consolidada. O mérito da ação ainda será julgado.

Licença para pontes, não para o asfalto

Em maio, o Ibama concedeu ao DNIT licença de instalação para três pontes de concreto, com validade de três anos. A reportagem da Agência iNFRA não diz se essa licença autoriza o asfalto. Em abril, o Observatório do Clima afirmou que “o Ibama ainda não emitiu a Licença de Instalação, necessária para o início da pavimentação”, segundo a Folha de Pernambuco.

Segundo a Bloomberg Línea, o Ministério dos Transportes descreve a fase atual como manutenção. Em despacho interno, o Ibama disse que o trabalho autorizado se limita a manutenção e conservação. Já o presidente Lula defende a proteção ambiental e anunciou, em 5 de setembro, quatro áreas protegidas perto da rodovia.

O que diz o DNIT: Em juízo, o órgão sustentou que esses contratos estão dispensados de licenciamento ambiental, e que a licença anterior se apoia em mais de duas décadas de estudos. A informação é da Bloomberg Línea, de 15/10/2026.

O que fica em aberto

Três pontos seguem abertos. O primeiro é a licença de instalação para o asfalto. O segundo é o mérito da ação do Observatório do Clima. O terceiro é o novo projeto de pavimentação que o governo prevê depois da fase atual, segundo a Bloomberg Línea.

Os documentos publicados falam em “melhoramento no pavimento”, e não em pavimentação completa. Para o leitor, o que já está contratado e o que depende de licença são coisas distintas.

Como fizemos: A análise usa o aviso de homologação e o extrato de contrato reportados pelo Atlas Público, além de reportagens da Agência iNFRA, da Folha de Pernambuco e da Bloomberg Línea. O Lote 06 aparece como homologado e o Lote 5.A, como contratado; são situações jurídicas diferentes. As médias por quilômetro e a soma são cálculos sobre os valores nominais de 2026. Para a extensão dos editais, adotamos o quilômetro 590,1 usado pela Folha de Pernambuco e pela lista de editais.

Fontes