Presença do Estado

Alcolumbre, Motta, OAB e TSE reconhecem Lula; Flávio não

Senado, Câmara, OAB e TSE reconheceram a reeleição de Lula. Flávio não aceita, e nenhum governador amazônico aparece nas fontes consultadas.

Prédio de vidro escuro, com faixa branca curva no topo, ao lado de cúpulas brancas, em frente a um gramado sob céu com nuvens
Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. A foto é de 2012 e não mostra a apuração de 2026.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na noite de domingo (25), com a totalização em 99,9%, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, telefonou para Lula e para Flávio Bolsonaro (PL). Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, mais de 4,4 milhões de votos à frente.

Ainda no domingo, Flávio disse que não reconhece o resultado e vai pedir a anulação da eleição. Reconheceram a vitória o TSE, os presidentes do Senado e da Câmara e a OAB. Nas fontes consultadas, nenhum governador de estado amazônico aparece.

A contestação de Flávio se apoia em uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. Ele estendeu a votação até as 19h, a pedido das duas campanhas. Depois, o TSE informou que muitas urnas já estavam fechadas, e Zanin limitou a extensão às seções ainda abertas (Agência Brasil).

O TSE diz que a acusação sobre fiscais é falsa

Flávio também afirmou: “Nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre” (InfoMoney). Segundo a reportagem, a acusação ainda não foi comprovada.

Em nota oficial, a Justiça Eleitoral respondeu que “a afirmação é falsa” (Brasil de Fato). Dois fiscais do PL acompanharam o Teste de Integridade das Urnas, procedimento de checagem das urnas eletrônicas, e a totalização. A sala-cofre, explicou o TSE, é uma estrutura de servidores e bancos de dados, não um espaço de visitas.

Quem reconheceu, e com que palavras

Nunes Marques falou em “absoluta segurança de todo o processo eleitoral” (Brasil de Fato). Ao candidato derrotado, disse: “A Flávio, parabenizo pela campanha” (CNN Brasil).

Davi Alcolumbre, presidente do Senado, afirmou que “as eleições são a força da democracia, a força das instituições e a força do voto do povo brasileiro” (Agência Senado). O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse: “Parabenizo o presidente Lula pela reeleição” (Gazeta do Povo).

A OAB, pelo presidente Beto Simonetti, pediu “período de pacificação social e união de todos”. Segundo ele, irregularidades comprovadas devem ser punidas “na forma da lei” (O Povo).

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, disse: “nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração” (BPMoney). O União Brasil, que apoiou Flávio no segundo turno, pediu que o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral seja respeitado (SBT News).

Quem contestou, e quem ficou calado

Governadores eleitos pelo PL também questionaram. Sergio Moro, do Paraná, escreveu que o resultado “não foi o que esperávamos”. Luciano Zucco, do Rio Grande do Sul, citou “questionamentos que precisam ser devidamente esclarecidos” (A Crítica).

Romeu Zema (Novo) disse que Lula aplicou “um golpe à la Venezuela”, sem apresentar provas (BPMoney). O candidato Renan Santos (Missão) afirmou: “Não teve fraude na eleição” (BPMoney).

Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, criticou no domingo a decisão de Zanin. Até a publicação da reportagem, não tinha comentado o resultado (A Crítica). Não localizamos nota da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o resultado.

Omar Aziz (PSD), do Amazonas, e Mailza Assis (PP), do Acre, foram eleitos ou reeleitos no segundo turno, com contagem parcial (O Povo). Não localizamos fala de nenhum governador dos nove estados da Amazônia Legal sobre o resultado.

Líderes estrangeiros reconheceram a vitória. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, escreveu: “Viva la democracia, ganó el pueblo de Brasil” (CNN Brasil). Donald Trump não comentou o resultado, e Javier Milei não se manifestou até a manhã de segunda-feira (O Tempo; CNN Brasil).

O que diz Flávio Bolsonaro (PL): “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”, disse ele, ao anunciar que vai pedir a anulação (Agência Brasil). Ele saiu sem responder às perguntas dos jornalistas (Agência Brasil). Até a publicação, não localizamos registro de pedido formal no TSE.

O que fica em aberto

Se for protocolado, o pedido de anulação anunciado por Flávio será analisado pela Justiça Eleitoral. Enquanto isso, o TSE mantém que a acusação sobre os fiscais é falsa e cita registros de presença.

Para a Amazônia, o dado relevante é o que falta. Nenhum governador da região aparece nas fontes consultadas, e o silêncio pode mudar nos próximos dias.

Como fizemos: Usamos reportagens e notas publicadas em 25 e 26/10/2026 por veículos e agências listados nas Fontes, acessadas em 26/10/2026. Não enviamos perguntas aos citados, e o texto parte do que já foi publicado. Os percentuais são os divulgados pela imprensa com base na totalização do TSE, e os governadores eleitos no segundo turno vêm de contagem parcial. A Agência Senado situa a entrevista conjunta de Alcolumbre e Motta na sede do TSE; a Gazeta do Povo a situa na residência oficial do presidente do Senado. A ausência de manifestações vale apenas para o que foi publicado até esta data.

Fontes