TSE diz que Smartmatic não forneceu urnas e manda Eduardo tirar posts
Após fala de Flávio Bolsonaro a diplomatas, o TSE reafirmou que a Smartmatic não forneceu urnas ao país. A liminar de 31/8 ainda aguarda o plenário.

Na terça-feira (21), em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro disse a diplomatas que “muitas dessas máquinas” usadas no Brasil “têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”. Ele citava a Smartmatic, mencionada num relatório da Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos, sobre a Venezuela. Não apresentou provas, segundo as reportagens sobre o encontro.
No dia seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondeu. Segundo a Agência Brasil, a empresa “não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras” e “tampouco trabalhou na programação desses aparelhos”. Os contratos da Smartmatic, disse a corte, foram só de conexão de dados e voz.
A empresa também perdeu para a Positivo a licitação de urnas de 2020. Segundo a Agência Brasil, as urnas são projetadas por técnicos da Justiça Eleitoral e produzidas por empresas escolhidas em concorrência pública. O Aos Fatos checou a afirmação em 24 de julho e a classificou como falsa.
O que a Justiça decidiu até agora
Em 22 de julho, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, acionou o TSE. Pediu multa de R$ 30 mil contra o senador. O caso ficou com o presidente da corte, o ministro Kassio Nunes Marques.
Em 31 de agosto, ele concedeu uma liminar, isto é, uma decisão provisória. Não ordenou medida contra Flávio, porque o pedido não incluía a fala. Mesmo assim, viu “aparente ilicitude da conduta” e escreveu que a afirmação “reproduz, de forma direta e categórica, precisamente o fato” que a Justiça Eleitoral já declarou falso.
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, deve retirar em 24 horas dois posts que ligavam as urnas a documentos da CIA. Ele ou a plataforma X fazem a remoção. Também fica proibido de repetir, “por qualquer meio”, a associação entre a Smartmatic e as urnas brasileiras, sob pena de multa diária.
Os pedidos contra os deputados Gustavo Gayer e Júlia Zanatta foram negados. Gayer compartilhou uma captura de tela do site da Smartmatic, sem dizer que a empresa fornece urnas. Zanatta criticou o PT e o chavismo, sem citar as urnas.
A liminar ainda precisa ser referendada pelo plenário do TSE. Até esta publicação, não localizamos registro desse julgamento.
Ponto de disputa
A Gazeta do Povo tratou o conjunto de decisões de 1º de setembro como censura a críticas ao PT, no título da reportagem. O texto não cita críticos nem a defesa dos citados. Segundo o Correio Braziliense, o ministro disse que a pergunta sobre as urnas “não busca resposta, mas sugere-a”.
Segundo a petição da federação, citada pela Agência Brasil, “não há nenhuma referência ao sistema eleitoral brasileiro” no documento da CIA.
Depois da eleição
Em 28 de agosto, numa entrevista à TV Globo, Flávio disse: “Não estou questionando as urnas eletrônicas.” Segundo o Poder360, ele não respondeu se aceitaria uma derrota.
Após o segundo turno de 25 de outubro, ele anunciou que pedirá a anulação da eleição. “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”, afirmou. Segundo a Rádio Senado, a justificativa foi a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de estender a votação até as 19h. A Smartmatic e as urnas não aparecem nesse argumento.
O tema tem histórico. Em 30 de junho de 2023, o TSE tornou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos, por maioria. A ação tratou da reunião de 2022 com embaixadores, em que ele também criticou as urnas, segundo o Poder360.
O plenário do TSE ainda precisa decidir se mantém a liminar contra Eduardo Bolsonaro. A pergunta sobre a Smartmatic já tem resposta oficial. O que falta é saber se a medida se sustenta depois do julgamento colegiado.
O que diz Flávio Bolsonaro: em nota de 22 de julho, ele afirmou que sua fala foi “interpretada de forma equivocada” e que “não está questionando o sistema de votação brasileiro”. Segundo a Agência Brasil, a nota não trata da alegação sobre a Smartmatic.
Como fizemos: Usamos a nota do TSE e a checagem do Aos Fatos, além de reportagens sobre a ação do PT e a liminar de 31/8 (publicadas entre 22/7 e 2/9/2026), a entrevista de Flávio de 28/8 e a reportagem da Rádio Senado de 25/10. Acessamos as fontes em 26/10/2026. Não localizamos a íntegra da decisão nem a gravação da fala, por isso as citações vêm de reportagens. As posições dos citados vêm de notas e entrevistas públicas.
Fontes
- TSE reforça que empresa venezuelana não forneceu urnas ao Brasil — Agência Brasil, 22/07/2026
- PT aciona TSE contra Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas — Agência Brasil, 22/07/2026
- É falso que Smartmatic desenvolveu as urnas eletrônicas brasileiras — Aos Fatos, 24/07/2026
- Flávio critica sistema eleitoral diante de diplomatas e faz alegação já desmentida pelo TSE — Itatiaia, 21/07/2026
- Flávio diz confiar no sistema eleitoral, mas não explica informação falsa dada a embaixadores — Jornal de Brasília, 22/07/2026
- Nunes Marques vê “indício de ilegalidade” em fala de Flávio sobre urnas — CNN Brasil, 31/08/2026
- TSE manda retirar posts de Eduardo Bolsonaro sobre urnas eletrônicas — Correio Braziliense, 02/09/2026
- TSE determina que Eduardo Bolsonaro remova post sobre integridade das urnas — Metrópoles, 02/09/2026
- Kassio vê “aparente ilicitude” em ataque de Flávio Bolsonaro às urnas — Diário do Centro do Mundo, 2026
- Pacote de decisões de Nunes Marques censura críticas ao PT — Gazeta do Povo, 02/09/2026
- Flávio diz que respeitará resultado das eleições — Poder360, 28/08/2026
- Flávio Bolsonaro anuncia que vai pedir anulação das eleições — Rádio Senado, 25/10/2026
- TSE forma maioria pela inelegibilidade de Bolsonaro — Poder360, 30/06/2023
- Foto: Urna eletrônica brasileira modelo UE2020 — Wikimedia Commons


