Roraima concentra 46 polos indígenas em seca severa ou extrema
Levantamento do Cemaden mostra 13 dos 15 municípios do estado em seca severa; 28,3 mil pessoas vivem nos polos que pioraram.

Quarenta e seis polos-base indígenas de Roraima entraram em seca severa ou extrema no monitoramento de outubro do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O número representa 73% dos 63 polos brasileiros nessas duas categorias.
O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (5) e atualizado pela imprensa local nesta sexta, mostra que os 15 municípios de Roraima têm algum nível de seca. Em 13 deles, a classificação municipal chegou a severa na escala de três meses do índice do Cemaden.
A piora se concentra nos serviços indígenas
Polo-base é uma referência territorial para organizar o atendimento de um Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). Quando a seca avança, o problema não fica restrito ao rio: transporte, água, alimentação e acesso às equipes de saúde também ficam mais difíceis.
Roraima reúne a maior parte dos polos indígenas em situação grave
| Indicador | Roraima | Brasil |
|---|---|---|
| Polos em seca severa ou extrema | 46 | 63 |
| Municípios em seca severa ou pior | 13 de 15 | — |
| Polos que pioraram na atualização | 18 | — |
| Pessoas nos polos que pioraram | 28,3 mil | — |
Fonte: Cemaden, segundo levantamento divulgado em 05/11/2026. O traço indica dado nacional não informado na mesma tabela.
No Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima, 16 polos passaram de seca moderada para severa. Com isso, o número de unidades nessa classe subiu de sete para 23. A mudança é uma comparação entre categorias, não uma contagem de novos municípios.
Na Terra Indígena Yanomami, o polo Apiaú passou à seca extrema, primeiro registro nessa classificação entre os polos-base monitorados no recorte divulgado. Ajarani saiu de moderada para severa. O levantamento estima 28,3 mil pessoas nos 18 polos que avançaram para as faixas mais graves.
O estado piorou enquanto o país recuou
No conjunto do país, 199 dos 275 polos-base monitorados apresentaram algum grau de seca em outubro. Isso equivale a 72,4% das unidades. O número nacional de municípios em seca severa ou extrema caiu de 276 em setembro para 222 em outubro, mas Roraima seguiu no sentido contrário.
A comparação ajuda a separar duas escalas. O Brasil teve redução no número de municípios mais graves. Roraima concentrou a piora indígena e manteve todos os seus municípios com algum nível de seca, o que exige logística específica para comunidades que dependem de rios e pistas remotas.
O dado não informa quantas pessoas vivem em todos os polos afetados. Os 28,3 mil correspondem apenas às unidades que pioraram de categoria. Também não significam que cada pessoa esteja sem água ou sem atendimento, porque o índice mede condição de seca, não a execução de cada serviço.
O que diz o Cemaden: o centro informa que o monitoramento acompanha polos-base, municípios, assentamentos e unidades de conservação na plataforma Alerta-Secas. A classificação serve para orientar planejamento e resposta, mas não substitui o diagnóstico local de saúde, transporte ou abastecimento.
A próxima atualização deverá mostrar se a seca extrema do Apiaú persiste e se novos polos avançam de categoria. Para o Estado, a medida de presença será a capacidade de manter equipes, água e transporte onde o mapa já indica a maior concentração de risco.
Como fizemos: Conferimos a reportagem com os dados de outubro atribuídos ao Cemaden e a página oficial do monitoramento de secas. Calculamos 46 dividido por 63, arredondado para 73%, e 13 dividido por 15, arredondado para 86,7%. Não somamos os 28,3 mil às demais populações porque o levantamento não fornece esse total.
Fontes
- Seca se intensifica em Roraima e atinge 46 polos-base indígenas — Folha BV, 06/11/2026 (acesso em 06/11/2026)
- Monitoramento de secas e impactos no Brasil — Cemaden/MCTI (acesso em 06/11/2026)
- Amanhecer na Terra Indígena Raposa Serra do Sol — Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR) (acesso em 06/11/2026)


