Presença do Estado

Zanin prorrogou a votação até 19h só nas seções ainda abertas

Decisão do STF valeu só para seções ainda abertas às 17h; nenhuma fonte consultada publica quantos eleitores foram atingidos.

Fachada do edifício do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, com colunas de concreto, bandeira do Brasil e grades metálicas na praça, sob céu nublado
Edifício do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, em foto de 2021; a imagem não mostra a votação nem a decisão.Foto: Rodrigo Rocatto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No domingo (25), o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a votação do segundo turno fosse até as 19h, pelo horário de Brasília. A decisão foi divulgada às 17h03, depois que as urnas deveriam ter fechado, segundo o Poder360.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). A apuração chegou a 100% das urnas às 23h38, segundo o Poder360. Na noite de domingo, Flávio disse que não reconhece o resultado e vai pedir anulação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Quem pediu, e com quais argumentos

A campanha de Lula pediu mais tempo às 13h22, citando falta de ônibus em municípios da Bahia. Às 15h42, ampliou o pedido para todos os estados. Às 16h22, levou o caso ao STF por meio de uma reclamação, ação que pede o cumprimento de decisão anterior do tribunal, segundo o Poder360.

A reclamação diz que uma decisão do STF, que garante transporte público gratuito aos eleitores no dia da votação, não estava sendo cumprida. Ela aponta as prefeituras de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, segundo o Poder360.

A campanha de Flávio pediu ao TSE, às 15h50, a prorrogação em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, por causa de chuvas e alagamentos. O Poder360 fala em 19 municípios, e a Gazeta do Povo lista 17.

O que a decisão fez, e o que não fez

Segundo o texto reproduzido pelo Poder360, Zanin determinou a prorrogação “por duas horas, até as 19h, horário de Brasília”, em todas as seções do país. Depois de dúvidas, o ministro disse que a medida valia só onde as urnas não tinham sido fechadas, segundo o Poder360.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, mandou que as seções ainda abertas funcionassem até as 19h, “em estrito cumprimento à determinação judicial”, segundo o Poder360. A totalização, que é a soma dos votos, foi suspensa às 17h20 e retomada depois das 19h. A suspensão não cancelou os votos já registrados nas urnas, segundo o InfoMoney.

Nenhuma reportagem consultada informa quantas seções, eleitores ou municípios entraram na prorrogação. A Gazeta do Povo cita 3.745 eleitores de Curitiba e Guaratuba, e 446 de Itapevi, mas esses são casos de seção transferida de local, não de horário estendido.

O argumento de Flávio, e os fatos que o cercam

O argumento de Flávio tem base documental. Ele criticou que a medida tenha sido tomada por um ministro do STF, e não pelo TSE. Zanin foi advogado de Lula na Lava Jato, e Lula o indicou ao STF em 2023, segundo O Povo.

Há fatos do outro lado. O caso foi sorteado a Zanin às 16h33, segundo o Poder360. O próprio ministro disse que as duas campanhas alegaram problemas de transporte, também segundo o Poder360. O presidente do TSE disse, segundo a Rádio Senado, que “não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”.

O que diz Flávio Bolsonaro: segundo o InfoMoney, ele afirmou que a decisão mudou as condições da disputa, e criticou que a medida tenha sido tomada por um ministro do STF. Não localizamos resposta mais detalhada da campanha sobre o pedido por causa das chuvas.

O que isso significa

A diferença foi de 3,58 pontos percentuais, cálculo deste jornal. Nenhuma fonte consultada mostra quantos votos foram dados depois das 17h. Sem esse dado, ninguém pode medir se a prorrogação mudou o resultado.

O que se sabe: a medida valeu para as seções ainda abertas, e os votos já dados foram mantidos. O que não se sabe: quantos eleitores votaram depois das 17h, e em quais locais. Os boletins de urna, por seção, poderiam mostrar isso. Caberá ao TSE julgar o pedido de anulação.

Como fizemos: Usamos a decisão de Zanin como reproduzida pelo Poder360, pois o PDF oficial não pôde ser lido na íntegra. Também usamos a linha do tempo do Poder360, InfoMoney, Gazeta do Povo, Rádio Senado e O Povo, acessados em 26/10/2026. A diferença de 3,58 pontos percentuais é nosso cálculo, feito a partir de 51,79% e 48,21%. Não localizamos número oficial de seções ou eleitores atingidos pela prorrogação.

Fontes