Campanha de Flávio nega privatizar a Petrobras, mas não descarta vender ativos
A refinaria de Manaus, vendida no governo Bolsonaro, pratica preço de importação, segundo o Brasil de Fato; a campanha de Flávio deu sinais diferentes sobre a Petrobras.

Em 16 de outubro, o Brasil de Fato publicou que refinarias privatizadas no governo Bolsonaro elevam preços e ampliam desigualdades regionais. O caso central é a Refinaria da Amazônia (Ream), em Manaus. Segundo a reportagem, a refinaria pratica preços iguais ou acima da paridade de importação.
A reportagem saiu nove dias antes do segundo turno, em 25 de outubro, com a Petrobras no centro da disputa. Este texto reúne o que a campanha de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse sobre a estatal e o que os registros mostram.
A paridade de importação, conhecida pela sigla PPI, calcula quanto custaria trazer combustível do exterior. A conta soma cotação internacional, dólar e frete. Quem segue essa regra cobra um valor próximo ao de um produto importado. A Ream foi uma das refinarias vendidas durante o governo Bolsonaro, em 2022, segundo a Brasil de Fato.
O que a campanha disse sobre a Petrobras
Em dezembro de 2025, Flávio disse à Reuters que “a Petrobras é complexa demais”. Segundo a InfoMoney, ele afirmou que partes da empresa poderiam ser privatizadas: “o que não funciona e pode ser privatizado”. Em 5 de abril de 2022, segundo um vídeo do UOL, disse que o pai tinha dado aval para estudar a privatização da estatal.
Em fevereiro de 2026, mudou o tom e disse que uma empresa monopolista e estratégica não pode simplesmente ser vendida. Na mesma época, num evento do BTG Pactual, disse planejar “privatizar 95%” das estatais, sem detalhar quais, segundo o Aos Fatos.
Negativas, ressalvas e a checagem
Em 18 de agosto, o coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho, disse que “não há nenhum plano no sentido de privatizar a Petrobras”. Ele não descartou, porém, a venda de ativos. Como exemplo, citou a venda de poços maduros de petróleo no governo Bolsonaro, segundo a CNN Brasil. Em 8 de outubro, o economista Adolfo Sachsida, da coordenação econômica da campanha, disse que “nenhuma dessas empresas será tocada”, ao citar Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, segundo a Forbes.
No dia 9 de outubro, Flávio chamou de “boataria” a conversa sobre privatizar a Petrobras. Segundo a InfoMoney, disse que os boatos fazem parte de uma onda de ataques para reverter sua liderança no primeiro turno. Na entrevista à TV Globo, em 16 de outubro, afirmou que o PT fazia “um verdadeiro terrorismo” com servidores e estatais. O Aos Fatos checou a fala e concluiu que ele omitiu declarações anteriores da própria campanha sobre privatizações.
A tabela abaixo resume essas declarações, em ordem de data.
Campanha nega privatizar a Petrobras, mas não descarta vender ativos Declarações públicas sobre a Petrobras e as estatais, por data, de dezembro de 2025 a outubro de 2026
| Data | Quem | O que foi dito |
|---|---|---|
| 22/12/2025 | Flávio Bolsonaro, à Reuters | “A Petrobras é complexa demais” |
| Fev./2026 | Flávio Bolsonaro, em evento do BTG Pactual | Planejar “privatizar 95%” das estatais |
| 13/08/2026 | Plano de governo apresentado | Petrobras não aparece no capítulo de energia |
| 18/08/2026 | Rogério Marinho, coordenador da campanha | “Não há nenhum plano no sentido de privatizar a Petrobras” |
| 08/10/2026 | Adolfo Sachsida, da coordenação econômica | “Nenhuma dessas empresas será tocada” |
| 09/10/2026 | Flávio Bolsonaro | “Isso é uma boataria” |
| 16/10/2026 | Flávio Bolsonaro, à TV Globo | “Um verdadeiro terrorismo” com servidores e estatais |
Fontes: InfoMoney, Reuters, eixos, CNN Brasil, Forbes e Aos Fatos. Elaboração: redação.
O caso de Manaus e o plano de governo
Segundo a Brasil de Fato, refinarias privatizadas praticam preços alinhados à paridade de importação, e às vezes acima dela. O dado vem do boletim de outubro do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep). Mahatma Ramos, diretor técnico do Ineep, afirma que a privatização cria monopólios privados regionais que priorizam o lucro de curto prazo. Segundo a reportagem, a Petrobras mantém os menores preços de refino.
A Petrobras nem sequer aparece no capítulo de energia do plano de governo apresentado em 13 de agosto. O plano promete retomar o Programa Nacional de Desestatização (PND), avaliando “caso a caso onde a presença do Estado deixou de fazer sentido”, segundo o eixos. O plano também promete reduzir impostos sobre combustíveis.
O que diz Flávio Bolsonaro: Ele chamou de “boataria” a conversa sobre privatizar a Petrobras e disse que os boatos fazem parte de uma onda de ataques para reverter sua liderança no primeiro turno, segundo a InfoMoney. A campanha, pelo coordenador Rogério Marinho, afirmou em 18 de agosto que não há plano de privatizar a estatal, segundo a CNN Brasil. As declarações citadas não apresentam uma posição explícita de Flávio sobre a volta da paridade de importação na Petrobras.
O que isso significa
Na prática, cada venda muda quem define o preço do combustível na região. Se o PND for retomado caso a caso, como promete o plano, a mesma lógica poderia chegar a outras regiões. O registro mostra um candidato que já defendeu vender partes da Petrobras, e uma campanha que hoje nega planos de privatização, mas não descarta vender ativos.
O que segue em aberto é se novas vendas manteriam a regra de preço de Manaus. O plano não diz quem opera a maior parte dos ativos de petróleo e gás que cita, segundo o eixos. O segundo turno é em 25 de outubro.
Como fizemos: A análise reúne a reportagem do Brasil de Fato, a checagem do Aos Fatos e textos da InfoMoney, da CNN Brasil, da Forbes e do eixos. A tabela apresenta declarações em ordem de data e mantém a atribuição de cada uma. Valores de combustíveis não entram na comparação porque o foco é o modelo de preço e as declarações sobre privatização.
Correção: uma versão anterior deste texto dizia que Flávio Bolsonaro “já defendeu vender a Petrobras” e atribuía a ele a frase “manter as partes que funcionam e privatizar as que não funcionam”. Segundo a InfoMoney, a frase é “o que não funciona e pode ser privatizado”, e ele tratou de partes da estatal, não da venda integral.
Fontes
- Refinarias privatizadas no governo Bolsonaro elevam preços e ampliam desigualdades regionais — Brasil de Fato (acesso em 20/10/2026)
- Checamos a entrevista de Flávio Bolsonaro à Globo no segundo turno — Aos Fatos (acesso em 20/10/2026)
- Flávio Bolsonaro descarta privatização da Petrobras como “boataria” — InfoMoney (acesso em 20/10/2026)
- Flávio Bolsonaro defende governo enxuto e privatizações para modernizar o Estado — InfoMoney, com informações da Reuters (22/12/2025) (acesso em 20/10/2026)
- Plano de Flávio Bolsonaro abraça espólio petista, incluindo agenda do gás — eixos (acesso em 20/10/2026)
- Marinho diz que Petrobras é estratégica e não há plano de privatizá-la — CNN Brasil (acesso em 20/10/2026)
- Petrobras, BB e Caixa serão privatizados? Veja o que diz coordenador de Flávio Bolsonaro — Forbes (acesso em 20/10/2026)
- Flávio Bolsonaro: Presidente já deu ok para privatizar a Petrobras — UOL no YouTube


