Clima já atingiu 301 de 360 regiões turísticas do Brasil
Estudo da UnB registra eventos extremos em 83,6% das regiões entre 2020 e 2025; são cinco áreas atingidas para cada uma sem registro.

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) identificaram eventos climáticos extremos em 301 das 360 regiões turísticas catalogadas no Brasil. O levantamento cobre o período de 2020 a 2025 e foi divulgado nesta sexta-feira (6) pela Agência Brasil.
O total representa 83,6% das regiões mapeadas pelo Ministério do Turismo. Outras 59 não tiveram evento registrado no recorte. Assim, houve 5,1 regiões atingidas para cada uma sem ocorrência identificada.
O dado mede histórico, não previsão
O estudo reúne secas, incêndios, inundações e deslizamentos. Os autores cruzaram o Mapa do Turismo Brasileiro com o Banco de Dados de Eventos de Emergência, mantido pelo Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres. A série analisada vai de 1990 a 2025.
A proporção de 83,6% descreve ocorrências no passado. Ela não significa que 301 regiões estejam sob risco imediato nem que todos os pontos tenham sofrido o mesmo dano. Também não apresenta um prognóstico para o verão de 2026.
Regiões atingidas superam as demais em 5,1 para 1 Ocorrências de eventos climáticos extremos entre 2020 e 2025
| Situação no estudo | Regiões | Participação |
|---|---|---|
| Com evento registrado | 301 | 83,6% |
| Sem evento registrado | 59 | 16,4% |
| Total | 360 | 100% |
Fonte: Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo. Diferença e razão calculadas pela redação.
A exposição aumenta com o fluxo de visitantes
O alerta chega enquanto o turismo internacional cresce. O Brasil recebeu 9,3 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, alta de 37% sobre 2024, segundo o Ministério do Turismo.
Os gastos desses visitantes chegaram a US$ 7,9 bilhões, crescimento de 7,1% na mesma comparação. O dinheiro circula por transporte, hospedagem, alimentação e serviços. Uma interrupção climática pode atingir essa cadeia e os trabalhadores que dependem dela.
Os números nacionais não permitem ordenar os estados amazônicos por vulnerabilidade. Para a região, a relevância está nos tipos de evento estudados. Seca e fogo afetam acessos e atividades ao ar livre, enquanto inundações podem alterar deslocamentos e a operação de destinos.
Adaptação ainda corre atrás do impacto
Os autores identificam aumento da incidência de extremos sobretudo na década de 2020. Também apontam respostas predominantemente reativas. Em linguagem direta, as ações costumam vir depois do dano, em vez de antecipá-lo.
O texto critica o peso dado a fluxo de visitantes e receitas no planejamento. Esses indicadores medem desempenho econômico, mas não mostram se um destino consegue manter serviços durante uma emergência.
O Brasil já tem um Plano Setorial de Turismo dentro do Plano Clima Adaptação. O documento integra a estratégia federal até 2035. Para os pesquisadores, essa inclusão é um possível ponto de virada, não evidência de que o problema esteja resolvido.
A Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) faz avaliação semelhante. Sua vice-presidente, Fernanda Dornelles, afirma que operadores já se adaptam conforme suas possibilidades, mas as respostas seguem insuficientes.
O que diz a pesquisadora Jaqueline Gil: a autora afirma que é necessário deixar de tratar os eventos como excepcionais. Em entrevista à Agência Brasil, defendeu planejamento e ações adaptadas à realidade de cada região para minimizar seus efeitos.
O próximo teste está na execução do plano
O estudo oferece uma medida de alcance territorial, não uma lista de prioridades. A implementação do plano setorial precisará mostrar quais regiões receberão ações, prazos e recursos.
Para destinos amazônicos e comunidades que vivem do ecoturismo, o dado central é a combinação de alta exposição e resposta incompleta. A expansão do turismo torna essa diferença mais relevante para renda, trabalho e conservação.
Como fizemos: Conferimos o artigo na Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo e a reportagem da Agência Brasil. Subtraímos 301 de 360 para obter 59 regiões sem evento registrado e dividimos 301 por 59 para chegar à razão de 5,1. Usamos os dados federais de 2025 sem tratá-los como prova de impacto climático sobre a receita.
Fontes
- Eventos climáticos extremos no turismo brasileiro — Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo (acesso em 06/11/2026)
- Mudanças climáticas: 83,6% das áreas turísticas estão vulneráveis — Agência Brasil, 06/11/2026 (acesso em 06/11/2026)
- Documentos oficiais do Plano Clima 2024–2035 — Ministério do Meio Ambiente (acesso em 06/11/2026)
- Turismo internacional em 2025 — Ministério do Turismo, 26/01/2026 (acesso em 06/11/2026)
- Parque Nacional de Anavilhanas — Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (acesso em 06/11/2026)



