Recursos naturais

Resex Chico Mendes lidera pressão e ameaça de desmate na Amazônia

Boletim do Imazon aponta a reserva no Acre no topo dos dois rankings de julho a setembro; metade dos territórios listados fica no Pará.

Mão coleta látex de uma seringueira na Reserva Extrativista Chico Mendes
Coleta de látex em uma seringueira da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, em imagem de 2023.Foto: Alliewi / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, liderou os rankings de pressão e de ameaça de desmatamento na Amazônia Legal entre julho e setembro. O resultado aparece no boletim trimestral divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) nesta sexta-feira (6).

Pressão significa derrubada dentro dos limites da área protegida. Ameaça é o desmatamento no entorno, em um raio de até 10 quilômetros. A mesma reserva aparecer no topo das duas listas indica que a perda de floresta já ocorre no território e também avança ao redor dele.

A pressão se concentra em unidades de conservação e terras indígenas

A Resex Chico Mendes ocupa sete municípios do Acre, com a maior parte em Xapuri, que responde por 32% da área. A Área de Proteção Ambiental (APA) Arquipélago do Marajó, no Pará, ficou em segundo lugar no ranking de pressão. A APA Triunfo do Xingu, também paraense, ficou em terceiro.

Entre os dez territórios mais pressionados, quatro são terras indígenas: Waimiri Atroari, entre Amazonas e Roraima; Andirá-Marau, entre Amazonas e Pará; Vale do Javari, no Amazonas; e Yanomami, entre Amazonas e Roraima.

O ranking de pressão mistura unidades e terras indígenas Territórios nas cinco primeiras posições do boletim do Imazon, julho a setembro de 2026

Posição Território Tipo Estado ou faixa
1 Resex Chico Mendes Unidade federal AC
2 APA Arquipélago do Marajó Unidade estadual PA
3 APA Triunfo do Xingu Unidade estadual PA
4 APA do Lago de Tucuruí Unidade estadual PA
5 TI Waimiri Atroari Terra indígena AM/RR

Fonte: Imazon. A posição mede ocorrências de desmatamento em células, não hectares derrubados.

A metodologia divide a Amazônia Legal em células de 10 por 10 quilômetros. Os pesquisadores contam quantas células registraram desmatamento dentro de cada território e quantas tiveram perda de floresta no entorno. O método mostra a distribuição dos alertas, mas não informa sozinho a área total derrubada.

O Pará concentra metade dos territórios listados nos rankings de pressão e ameaça, segundo o Imazon. O levantamento contabiliza seis unidades de conservação e quatro terras indígenas paraenses entre os grupos destacados. A concentração ajuda a orientar fiscalização, mas não significa que os demais estados estejam fora do risco.

O que diz o Imazon: a pesquisadora Bianca Santos afirma que o monitoramento serve para direcionar fiscalização nas áreas pressionadas e ações preventivas nas áreas ameaçadas. Ela também alerta que terras indígenas continuam sob invasões ligadas principalmente à agropecuária e ao garimpo ilegal.

O entorno pode antecipar a próxima invasão

No ranking de ameaça, a Resex Chico Mendes também ficou em primeiro lugar. A Floresta Nacional do Iquiri, no Amazonas, e o Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre, ocuparam a segunda e a terceira posições.

Esse resultado muda a pergunta de fiscalização. Não basta contar o que já entrou na unidade; é preciso observar estradas, clareiras e propriedades no entorno. A detecção antecipada pode indicar onde uma frente de desmatamento tende a avançar, embora o boletim não prove que toda ameaça se tornará invasão.

O estudo não substitui autos de infração, perícias ou decisões de órgãos gestores. Ele funciona como triagem territorial para priorizar equipes e cruzar alertas com dados fundiários, licenças e denúncias.

Os próximos boletins mostrarão se a Resex Chico Mendes permanece no topo e se as áreas paraenses mudam de posição. Para o leitor, a principal informação é que a pressão interna e a ameaça externa estão conectadas no mesmo mapa de risco.

Como fizemos: Usamos o boletim “Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas” publicado pelo Imazon em 6 de novembro de 2026. Reproduzimos a definição de pressão, ameaça e células de 10 por 10 km e mantivemos o ranking como contagem de ocorrências, sem convertê-lo em hectares. A foto foi conferida na página do Wikimedia Commons.

Fontes