ICMBio: desmatamento em unidades federais da Amazônia cai 17% em 2026
Área desmatada dentro de unidades federais na Amazônia Legal caiu para 111 km², o menor nível desde 2008, diz o ICMBio.

O desmatamento dentro das unidades de conservação federais da Amazônia Legal caiu 17% no último ciclo de medição. Foram 111 km² derrubados, contra 134 km² no ciclo anterior. É o menor patamar desde o início da série, em 2008, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os dados foram divulgados em 23 de outubro.
Um quilômetro quadrado (km²) equivale a 100 hectares. Assim, 111 km² são 11.100 hectares de floresta derrubada dentro de áreas protegidas por lei, como parques nacionais, florestas nacionais e reservas extrativistas. A Amazônia Legal, região de nove estados, tem 150 unidades de conservação, com 64 milhões de hectares, segundo a Agência Brasil. A medição é feita por satélite pelo Prodes, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Uma série em queda
Em 2019, o Prodes registrou 412 km² de corte raso nessas áreas federais, no ciclo de agosto de 2018 a julho de 2019. Entre 2019 e 2026, a área caiu 73%, conta feita pela redação com esses números. A Agência Brasil informa que o pico da série foi de 618 km², em 2021. Frente a esse ano, a queda atual seria de 82%.
Os números vêm de ciclos e métodos publicados em anos diferentes. Por isso, devem ser lidos como tendência, e não como série contínua. Ainda assim, todas as referências apontam na mesma direção: queda.
Onde o desmatamento ainda se concentra
Segundo o ICMBio, a maior parte do corte se concentra em cinco unidades. Duas delas são florestas nacionais do Pará: Altamira e Jamanxim. As outras são a Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, e o Parque Nacional do Juruena, entre Mato Grosso e Amazonas. A reportagem não informa quantos quilômetros quadrados cabem a cada uma.
O ICMBio também afirma que cerca de 3% do corte ilegal acontece dentro dessas áreas. A conta da redação confirma a ordem de grandeza: 111 km² são 3,3% dos 3.335 km² que o Prodes estima para o desmatamento total da Amazônia em 2026, segundo o Poder360.
No Cerrado, as 29 unidades federais somaram 47 km² de desmatamento, com queda de 8%, segundo o ICMBio. Uma queda de 8% sobre 47 km² implica base de cerca de 51 km² em 2025, e não os 31 km² publicados naquele ano. As fontes não explicam a diferença.
O que a queda diz sobre a presença do Estado
O ICMBio liga o resultado à presença do órgão no território. Em novembro de 2025, o presidente Mauro Pires atribuiu o resultado à presença do órgão. Ele disse: “a retomada da presença do Instituto Chico Mendes nos territórios tem sido decisiva para este resultado positivo”. No balanço, o órgão informou 312 ações de fiscalização na Amazônia, com 1.412 agentes e mais de 1,3 mil autos de infração.
A relação é plausível, mas os dados não a provam. O próprio ICMBio associa a queda também à redução do desmatamento em toda a Amazônia Legal. As duas coisas acontecem juntas, mas os números não mostram qual delas causou a outra.
O que diz o ICMBio: Segundo o presidente Mauro Pires, as unidades de conservação são “um polo de proteção da vida”, e a redução significa que “ativos econômicos e o nosso patrimônio estão resguardados para as próximas gerações”. As falas foram publicadas pela Agência Brasil em 23 de outubro de 2026; o órgão não foi contatado diretamente para esta matéria.
O que isso significa
Os dados mostram a menor área derrubada dentro das unidades federais da Amazônia desde 2008, segundo o ICMBio. São estimativas de satélite e podem ser revisadas. Ainda falta o valor do ciclo 2023–2024 para completar a série, e a reportagem não traz o cálculo do efeito da fiscalização. Segundo o ICMBio, a presença nos territórios foi decisiva para o resultado de 2025. O próximo ciclo mostra se a queda se mantém nas unidades que ainda concentram o corte.
Como fizemos: Usamos os valores do Prodes/Inpe para desmatamento em unidades federais da Amazônia Legal, nos ciclos de agosto a julho, conforme o ICMBio e as reportagens citadas, acessados em 24/10/2026. O texto original da Agência Brasil não foi localizado; usamos a republicação pelo Midiamax. Cálculos próprios: 17% (111 contra 134 km²); 73% (111 contra 412 km²); 82% (contra o pico de 618 km²); 3,3% (111 contra 3.335 km² do desmatamento total); 11.100 hectares contra 64 milhões de hectares. O pico de 2021 (618 km²) vem da Agência Brasil. Um documento do Inpe citado pelo MapBiomas indica cerca de 628 km² para o mesmo ano, por isso a série deve ser conferida na base do Prodes. Não localizamos o valor de 2023–2024 para essas unidades. No Cerrado, a queda de 8% não bate com os 31 km² publicados em 2025, e a diferença não foi explicada. Os dados são estimativas e podem ser revisados. A foto é de autoria de Alliewi, conforme a página do arquivo no Wikimedia Commons.
Fontes
- Desmatamento em áreas protegidas da Amazônia e do Cerrado tem queda — Agência Brasil, 23/10/2026, republicado pelo Midiamax
- Desmatamento cai na Amazônia e no Cerrado em 2026 — Poder360, 16/10/2026
- Amazônia registra menor índice de desmatamento em unidades de conservação desde 2008 — Portal Amazônia, 03/11/2025
- Amazônia e Cerrado têm dados históricos de redução do desmatamento — Jovem Pan
- Desmatamento em unidades protegidas sobe 84% e supera média de toda a Amazônia — Jovem Pan, 22/11/2019
- Categoria Desmatamento — Apoena Figueiroa, MapBiomas
- Reserva Extrativista Chico Mendes por Alice Leao — Wikimedia Commons (foto, CC BY-SA 4.0)


