Recursos naturais

Fundo que paga por floresta em pé tem US$ 7,3 bilhões anunciados

O fundo paga cerca de US$ 4 por hectare de floresta tropical preservada, mas os aportes anunciados somam US$ 7,3 bilhões de uma meta de US$ 125 bilhões.

Líderes de vários países posam em fila, de mãos dadas, diante de um painel verde com as palavras BRASIL COP30 AMAZÔNIA, em Belém
Líderes posam na cúpula do clima da COP30, em Belém, em 7 de novembro de 2025. O fundo foi lançado durante a cúpula, mas a foto não mostra o fundo.Foto: Ricardo Stuckert / Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Uma floresta em pé pode render dinheiro ao país que a mantém. Essa é a aposta do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, em inglês Tropical Forest Forever Facility (TFFF). O Brasil propôs o fundo e o lançou na COP30, a conferência do clima da ONU, em Belém, em 6 de novembro de 2025.

O TFFF não é uma doação simples. É um fundo de investimento: o dinheiro aplicado rende, e o rendimento paga os países. Até setembro de 2026, os anúncios somam cerca de US$ 7,3 bilhões. A meta é de US$ 125 bilhões.

Como o pagamento funciona

Países que mantêm o desmatamento abaixo de limites definidos recebem pagamentos, segundo a Agência Brasil. Imagens de satélite verificam a área. Cada hectare desmatado ou degradado gera um desconto.

O fundo paga por resultado, e não por projeto, diz a Agência Brasil. O valor é de cerca de US$ 4 por hectare de floresta em pé, segundo o jornal O Tempo. O site oficial do fundo diz que os pagamentos são anuais. Até 74 países em desenvolvimento podem participar, informa O Tempo.

Os pagamentos saem do rendimento das aplicações. O Tempo informa que o retorno esperado é de 7% a 8% ao ano, em renda fixa. A Global Forest Coalition lembra que esse retorno não é garantido.

Pelo menos 20% dos pagamentos devem ir a povos indígenas e comunidades locais, afirma o site oficial do TFFF. O Banco Mundial atua como gestor fiduciário (trustee), guardando o dinheiro e repassando-o aos países. A diretoria do banco aprovou o papel em outubro de 2025, segundo a SBT News.

Quanto já foi anunciado

Noruega, Reino Unido, Brasil, Indonésia e Alemanha lideram os anúncios Valores anunciados por país, até 3 de setembro de 2026

País Valor anunciado Situação
Noruega US$ 3 bilhões Condição: o fundo chegar a US$ 10 bilhões até o fim de 2026
Reino Unido £ 400 milhões (cerca de US$ 540 milhões) Empréstimo, não doação
Brasil US$ 1 bilhão Anunciado na ONU, em setembro de 2025
Indonésia US$ 1 bilhão Renovado na COP30
Alemanha € 1 bilhão em dez anos Depende de aprovação do Parlamento alemão

Fontes: O Tempo (3/9/2026), WRI (3/9/2026), tfff.earth, Agência Brasil (6/11/2025). Anúncios não são dinheiro recebido. Elaboração: redação.

França, Países Baixos, Portugal e Luxemburgo também aparecem entre os contribuintes. Algumas fontes não informam o valor, e outras divergem.

A conta ainda não fecha

Os US$ 7,3 bilhões equivalem a cerca de 6% da meta de US$ 125 bilhões. A meta tem uma parte pública de US$ 25 bilhões. Os anúncios equivalem a cerca de 29% dessa parte. Os demais US$ 100 bilhões viriam de diversas fontes, inclusive privadas.

O aporte britânico é um empréstimo, segundo a WRI. Sua liberação depende de a governança do fundo ser concluída e de o Reino Unido participar das decisões, informa O Tempo.

A crítica mais dura vem da Global Forest Coalition, rede que se opõe ao fundo. Ela diz que os US$ 4 por hectare vêm do retorno que o fundo precisa render, e não do valor da floresta. Também afirma que o dinheiro vai para ministérios de Fazenda, o que pode deixar de fora quem protege a mata.

O que diz o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA): Segundo a Agência Brasil, em reportagem de novembro de 2025, o ministério estima cerca de US$ 4 bilhões por ano para distribuir entre países com florestas tropicais.

O que isso significa

O fundo trata a floresta em pé como ativo que pode render. Essa ideia é nova, e o Brasil a colocou na mesa da COP30. Mas os anúncios cobrem uma parte pequena da meta, e parte deles é empréstimo.

Segundo a Revista Amazônia, a meta é chegar a US$ 10 bilhões antes da COP31, prevista para novembro de 2026. Faltam cerca de US$ 2,7 bilhões para esse patamar, cálculo nosso. Os aportes estão sujeitos às condições de cada anúncio e à efetiva transferência dos recursos.

Como fizemos: A análise usa o site oficial do TFFF e reportagens da Agência Brasil, de O Tempo, da SBT News e da Revista Amazônia. A libra é convertida pelo valor informado pelas fontes, cerca de US$ 540 milhões. Os US$ 7,3 bilhões representam anúncios, não dinheiro já recebido. Percentuais e a diferença de US$ 2,7 bilhões são cálculos simples, com dados mais recentes de setembro.

Fontes