Inpe ganha R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para monitorar biomas
O projeto SIM-Biomas integra Prodes e Deter com inteligência artificial e leva o alerta diário à Caatinga, à Mata Atlântica e ao Pampa.

Na sexta-feira (16), o Inpe divulgou que o desmatamento na Amazônia caiu 41,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026. No mesmo dia, o Fundo Amazônia anunciou R$ 147,6 milhões para ampliar o monitoramento feito pelo instituto.
O dinheiro vai para o SIM-Biomas, sigla de Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros. Este texto explica o que é o projeto, quem paga e o que ele não faz.
O Fundo Amazônia foi criado em 2008 e é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o site oficial, ele aplica doações em prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento. O recurso do SIM-Biomas é não reembolsável, ou seja, não precisa ser devolvido.
O que o projeto muda na medição
Hoje o Brasil usa dois sistemas principais. O Prodes mede o desmatamento por satélite uma vez por ano, no ciclo de agosto a julho. O Deter envia alertas diários para orientar a fiscalização.
O SIM-Biomas quer juntar os dois. Segundo a Portal Amazônia, o projeto usa inteligência artificial (IA) para analisar imagens de satélite e produzir dados do Prodes com mais frequência.
O projeto também estende o Deter à Caatinga, à Mata Atlântica e ao Pampa. Hoje, segundo a Portal Amazônia, o Inpe já faz esse monitoramento diário na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal. Outra mudança é o mapeamento de queimadas em 30 metros. Fora do Cerrado, a resolução atual é de 1 km, segundo a Gazeta da Amazônia.
Quem paga e quanto
O fundo destina R$ 147,6 milhões ao projeto, por 60 meses. A Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate) executa o projeto, e o Inpe cuida da parte técnica.
Noruega e Alemanha estão entre os maiores doadores do fundo. Mas nenhuma das reportagens e nem o site oficial diz quais doadores pagam o SIM-Biomas. A tabela mostra quem financia o fundo como um todo.
Noruega forneceu 72% do dinheiro internalizado no Fundo Amazônia Valores internalizados por doador, em R$ milhões nominais, dados até 30/09/2026
| Doador | R$ milhões | Parcela |
|---|---|---|
| Noruega | 3.804 | 72,3% |
| Reino Unido | 555 | 10,5% |
| Alemanha | 388 | 7,4% |
| Estados Unidos | 291 | 5,5% |
| Outros seis | 226 | 4,3% |
Fonte: Fundo Amazônia, tabela de doações. Outros seis: Dinamarca, Suíça, União Europeia, Irlanda, Petrobras e Japão. Elaboração: redação.
O valor do SIM-Biomas equivale a cerca de 2,8% do total de R$ 5,27 bilhões já internalizado no fundo. A Petrobras, estatal, aparece entre os doadores, com R$ 17,3 milhões.
O site oficial diz que até 20% dos recursos podem apoiar sistemas de monitoramento em outros biomas brasileiros e em países tropicais. As reportagens não explicam como o valor do SIM-Biomas se encaixa nesse limite.
O que o projeto não faz
As reportagens não atribuem ao projeto poder de multa ou de embargo. Os alertas do Deter são enviados ao Ibama, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, que os usa para orientar fiscais em campo.
Os números de 2026 também seguem provisórios. Os 3.335 km² desmatados na Amazônia são uma estimativa feita com imagens prioritárias. O índice consolidado sai no primeiro semestre do ano seguinte, segundo o Inpe. Pela Pesquisa FAPESP, os alertas do Deter não devem ser somados para medir a taxa anual.
O que dizem o BNDES e o Inpe: Segundo a Portal Amazônia, o BNDES diz que o apoio ajuda o Inpe a aperfeiçoar uma estrutura de monitoramento estratégica para o país. O Inpe afirma que as ferramentas serão abertas, replicáveis e verificáveis.
O que isso significa
O projeto dá ao Inpe mais dados e mais velocidade. Ele não muda a lei nem o trabalho de campo, que continua com órgãos como o Ibama.
Para a soberania, a pergunta é quem sustenta essa capacidade. Parte do novo sistema depende de um fundo alimentado por doações de outros países e de uma estatal. Vale acompanhar quem vai pagar o projeto depois dos 60 meses previstos.
Como fizemos: A análise usa reportagens sobre o projeto, o comunicado do Inpe e a tabela de doações do Fundo Amazônia, com dados até 30/09/2026. As parcelas são calculadas dividindo cada valor internalizado pelo total de R$ 5.265 milhões e arredondando. Os valores são nominais. A tabela de doadores do fundo como um todo não identifica quais contribuições financiam especificamente o SIM-Biomas.
Fontes
- Fundo Amazônia apoia Inpe no uso de IA para monitoramento rápido e antecipação de riscos ambientais — Portal Amazônia
- Fundo Amazônia investe R$ 147,6 milhões em IA ambiental — Gazeta da Amazônia
- Brasil alcança menores taxas de desmatamento da série histórica na Amazônia e no Cerrado — Inpe
- Fundo Amazônia — site oficial
- Doações — Fundo Amazônia, dados até 30/09/2026 (acesso em 22/10/2026)
- Desmatamento na encruzilhada — Pesquisa FAPESP


